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O kigo (termo de estação) deste haicai é harusame,
chuva de primavera. Kamo é a palavra que define o pato selvagem,
nativo do Japão. O pato doméstico é conhecido por
ahiru.
Com a entrada da primavera, o frio gélido se foi. Uma chuva mansa
cai ao anoitecer. Em meio ao rumor gentil da água sobre as telhas,
o autor ouve alguns patos selvagens que, voando ao longe, emitem seus
grasnados. Em sua imaginação, se chegaram vivos até
aqui, é porque, escapando aos caçadores, deixaram de ser
servidos como alimento dos homens.
Os haicais de Issa são fortemente autobiográficos. Mais
um ano se foi e, ao rigoroso inverno, sucede-se a amena primavera. Ele
está vivo, apesar da inclemência do mundo e das pessoas que
o habitam. Entretanto, restos de comida não despertam o interesse
de ninguém. Issa conseguiu atravessar mais um ano. Mas não
há motivo para comemoração.
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