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Nos bastidores do Haicai Brasileiro
História do Haicai
Ôshima Ryôta (1716–1787)
yo no naka wa
mikka minu ma ni
sakura kanao

Tradução:

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!


O kigo desses versos é sakura, a cerejeira japonesa, que floresce na primavera.

Objetivamente, o haicai mais famoso de Ryôta descreve a curta duração da florada da cerejeira, do desabrochar até a queda das flores. Entretanto, pode ser também entendido como uma parábola da existência humana e suas vicissitudes. Face à morte, o homem notará com desespero que a mais longa das vidas parecerá ter sido tão fugaz quanto os três dias das flores de cerejeira. Além disso, por maiores que sejam as riquezas auferidas por uma pessoa, elas são precárias e efêmeras. O sábio não deve se iludir com as glórias terrenas.

Por tal interpretação moral, esse haicai se assemelha a um provérbio. Com efeito, existe uma versão que substitui sutilmente a partícula ni do original por no, podendo então ser traduzida por “o mundo é fugaz como a cerejeira em flor, que não passa dos três dias”.


História do Haicai
Ôshima Ryôta (1716–1787)
samidare ya
aru yo hisoka ni
matsu no tsuki

Tradução:

Chuvas de verão –
Certa noite, em segredo,
a lua entre os pinheiros.


O kigo deste haicai é samidare, a chuva de verão que cai ininterruptamente durante o mês de junho (quinto mês do calendário lunar) no Japão. Existem também os termos baiu ou tsuyu, com significado parecido, mas que se referem mais precisamente à época chuvosa, enquanto samidare identifica a própria chuva.

De manhã à tarde, o céu é cinzento e sem uma fresta de sol. À noite, apenas um negrume sem estrelas. A chuva dura vários dias. Eis então que, durante uma breve trégua, ao olhar os pinheiros do jardim, distingue-se um clarão. É a lua que aparece entre os galhos, ainda envolta em nuvens, envergonhada, parecendo uma intrusa.

O ponto forte desse haicai reside na expressão hisoka ni (“em segredo”), uma antropoformização (atribuição de características humanas) da lua, que descreve precisamente o cenário noturno vivenciado por Ryôta.


História do Haicai
Arakida Moritake (1473–1549)
Hattori Ransetsu (1654–1707)
Hattori Tohô (1657–1730)
Hirose Izen (?-1711)
Hori Bakusui (1718–1783)
Ihara Saikaku (1642-1693)
Ikenishi Gonsui (1650–1722)
Imbe Rotsû (1649–1738)
Inoue Shirô (1742-1812)
Kaga no Chiyoni (1703–1775)
Kagami Shikô (1665–1731)
Katô Kyôtai (1732–1792)
Kawai Chigetsu (? – 1708)
Kawai Sora (1649–1710)
Kaya Shirao (1738-1791)
Kitamura Kigin (1624-1705)
Kobayashi Issa 1 (1763-1827)
Kobayashi Issa 2 (1763-1827)
Konishi Raizan (1654-1716)
Kuroyanagi Shôha (1727-1771)
Matsue Shigeyori (1602–1680)
Matsunaga Teitoku (1571–1653)
Matsuo Bashô 1 (1644-1694)
Matsuo Bashô 2 (1644-1694)
Miura Chora (1729-1780)
Morikawa Kyoriku (1656-1715)
Mukai Kyorai (1651–1704)
Naitô Jôsô (1662–1704)
Natsume Seibi (1749-1816)
Nishiyama Sôin (1605-1682)
Nonoguchi Ryûho (1595–1669)
Nozawa Bonchô (?–1714)
Ochi Etsujin (1656-?)
Ôshima Ryôta (1716–1787)
Shiba Sonome (1664-1726)
Shida Yaba (1663-1740)
Sugiyama Sampû (1647-1732)
Suzuki Michihiko (1757-1819)
Tachibana Hokushi (?-1718)
Takai Kitô (1741-1789)
Takakuwa Rankô (1726-1798)
Takarai Kikaku (1661–1707)
Takebe Sôchô (1761-1814)
Tan Taigi (1709–1771)
Uejima Onitsura (1661–1738)
Yasuhara Teishitsu (1610-1673)
Yamazaki Sôkan (? - 1539)
Yosa Buson 1 (1716–1783)
Yosa Buson 2 (1716–1783)
Yosa Buson 3 (1716–1783)
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