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Nos bastidores do Haicai Brasileiro
História do Haicai
Mukai Kyorai (1651–1704)
akikaze ya
shiraki no yumi ni
tsuru haran

Tradução:

Vento de outono –
Um arco de madeira nua
Vamos encordoar!


Ao contrário do verão, que estimula a indolência, a chegada do outono promove o aguçamento dos sentidos e a disposição física. Sob o revigorante vento de outono, Kyorai decide praticar arco-e-flecha. Sua vontade é tanta que, à falta de um instrumento em condições, ele se dispõe a usar um arco ainda sem a pintura de laca, encordoando-o para seus exercícios.

Sendo o outono a estação das reminiscências, o autor deve ter se lembrado com saudades dos tempos em que foi samurai e praticava essa arte com perícia. Em japonês, o vento de outono também é conhecido como “vento branco”, sem cor, e essa expressão faz eco com a madeira sem pintura, que em japonês se diz “madeira branca”.

Esse haicai é lembrado por ilustrar o caráter franco do discípulo de Bashô. O kigo (termo de estação) é akikaze (vento de outono).

História do Haicai
Mukai Kyorai (1651–1704)
ouou to
iedo tataku ya
yuki no kado

Tradução:

“Já vai”, e mesmo assim
Não param de bater –
Portão sob a neve.


O haicai retrata um visitante que chega penosamente até seu destino num lugar remoto em meio à grossa nevasca e bate o portão, esperando ser atendido. Não é a observação de um terceiro, que vê a cena sem participar. Quem sabe o próprio Kyorai esteja no lado de dentro da casa.

O frio é particularmente rigoroso. O visitante bate insistentemente o portão, até que, de dentro, se ouve alguém dizer “já vai, já vai”. Mas, mesmo após começar a ouvir o som do trinco sendo aberto, o visitante continua a bater. É divertido o contraste entre os lados de fora e de dentro do portão, representados, por um lado, pela pressa do visitante, afligido pelo frio intenso, e, por outro, pela aparente tranqüilidade do dono da casa, talvez encolhido entre cobertas e sentado em frente ao fogo, sem outras preocupações.

Escrito no inverno de 1694, logo após a morte de Bashô, esse poema foi muito elogiado pelos discípulos do mestre. O kigo (termo de estação) é yuki (neve).

História do Haicai
Mukai Kyorai (1651–1704)
ugoku tomo
miede hata utsu
otoko kana

Tradução:

Parecem imóveis
Mesmo lavrando a terra –
Homens ao longe.


Na juventude, Kyorai chegou a tornar-se um grande adestrado em artes marciais, mas, por fim, abandonou o caminho de guerreiro. Residente em Quioto, foi, junto com Kikaku e Ransetsu, um dos discípulos mais próximos de Bashô. Após a morte deste, escreveu, baseado em registros de conversas com o mestre, alguns dos principais tratados teóricos da escola Shômon (a escola de Bashô).

O cenário do haicai são os campos que se estendem pelos sopés das montanhas, mal acabado o inverno, sob o ar ainda enevoado do início da primavera. Lavradores vistos de longe inicialmente se parecem com minúsculos bonecos fincados no solo. Ao aprumar a vista, percebe-se gradativamente que esses homens fazem movimento de vai-e-vem com suas enxadas, revolvendo a terra para o plantio.

A descrição da vida nas aldeias e do cotidiano tranqüilo dos agricultores na primavera é o principal atrativo deste poema. O kigo é hata utsu, ou “lavrar a terra”, atividade típica da estação.


História do Haicai
Arakida Moritake (1473–1549)
Hattori Ransetsu (1654–1707)
Hattori Tohô (1657–1730)
Hirose Izen (?-1711)
Hori Bakusui (1718–1783)
Ihara Saikaku (1642-1693)
Ikenishi Gonsui (1650–1722)
Imbe Rotsû (1649–1738)
Inoue Shirô (1742-1812)
Kaga no Chiyoni (1703–1775)
Kagami Shikô (1665–1731)
Katô Kyôtai (1732–1792)
Kawai Chigetsu (? – 1708)
Kawai Sora (1649–1710)
Kaya Shirao (1738-1791)
Kitamura Kigin (1624-1705)
Kobayashi Issa 1 (1763-1827)
Kobayashi Issa 2 (1763-1827)
Konishi Raizan (1654-1716)
Kuroyanagi Shôha (1727-1771)
Matsue Shigeyori (1602–1680)
Matsunaga Teitoku (1571–1653)
Matsuo Bashô 1 (1644-1694)
Matsuo Bashô 2 (1644-1694)
Miura Chora (1729-1780)
Morikawa Kyoriku (1656-1715)
Mukai Kyorai (1651–1704)
Naitô Jôsô (1662–1704)
Natsume Seibi (1749-1816)
Nishiyama Sôin (1605-1682)
Nonoguchi Ryûho (1595–1669)
Nozawa Bonchô (?–1714)
Ochi Etsujin (1656-?)
Ôshima Ryôta (1716–1787)
Shiba Sonome (1664-1726)
Shida Yaba (1663-1740)
Sugiyama Sampû (1647-1732)
Suzuki Michihiko (1757-1819)
Tachibana Hokushi (?-1718)
Takai Kitô (1741-1789)
Takakuwa Rankô (1726-1798)
Takarai Kikaku (1661–1707)
Takebe Sôchô (1761-1814)
Tan Taigi (1709–1771)
Uejima Onitsura (1661–1738)
Yasuhara Teishitsu (1610-1673)
Yamazaki Sôkan (? - 1539)
Yosa Buson 1 (1716–1783)
Yosa Buson 2 (1716–1783)
Yosa Buson 3 (1716–1783)
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