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Sábado, 15 de dezembro de 2018 - 3h08
 

Kumon, o método japonês de ensino
individualizado: lições para a vida toda


Alunos dedicados: não há competição entre eles nem comparação de notas
 

(Arquivo Jornal NippoBrasil)

Japão. 1954. O desejo de um pai de preparar o filho para ter um futuro feliz dá origem ao método Kumon. (ver box abaixo). A partir daí, esse sistema de estudo individualizado expandiu-se para o resto do mundo. A primeira unidade fora do Japão foi instalada em Nova Iorque, em 1974. Hoje existem mais de 68 mil unidades franqueadas em 44 países, com mais de 3 milhões de alunos. No Brasil, o Kumon, que compreende as disciplinas de matemática, português e japonês, chegou em 1977, em Londrina (PR), e atualmente conta com 1.550 franquias e quase 90 mil alunos. Este ano, o Kumon Instituto de Educação completa 25 anos de atuação no País em novembro.

O método

Reconhecido mundialmente como um dos principais métodos de ensino individualizado de crianças e adultos, o objetivo do Kumon é atingir diretamente as necessidades específicas de cada um, portanto, as aulas não são expositivas e o aluno não fica vinculado ao andamento da turma que se encontra: “O método respeita a capacidade individual do aluno e o ritmo de aprendizagem de cada um”, afirma Carlos Henrique Zigioti, chefe de coordenação pedagógica do instituto.

• Disciplina, concentração e autoconfiança
O aluno deve detectar e corrigir os próprios erros até chegar à nota 100 em cada material feito. A autocorreção promove a assimilação do conteúdo estudado, possibilitando um avanço. Se o objetivo não é alcançado, o aluno repete os temas dos exercícios em que teve dificuldade, até obter a nota 100.

O aluno freqüenta a unidade duas vezes por semana e faz lições diariamente em casa. Cada lição aplicada deve ser concluída no período de uma hora. Nas lições de casa, o aluno deve fazer os exercícios diários em 30 minutos. “Nós utilizamos as disciplinas como ferramentas para desenvolver no aluno algumas características, como concentração, hábitos de estudos diários, autoconfiança e auto-estima, para que ele também possa se tornar um bom aluno nas outras disciplinas”, explica Zigioti.


Material didático: japonês para iniciantes e iniciados

• O aluno compete com ele mesmo
Em cada aula o aluno recebe comentários do orientador sobre o estudo do dia e também sobre as próximas lições. Aluno e orientador compartilham um plano de estudos com metas. Assim, ele pode avançar consciente do seu desempenho e do objetivo dos conteúdos seguintes. No dia a dia, o aluno compete com ele mesmo. Não há competição entre alunos nem comparação de notas e, sim, com o desempenho dele em relação à aula anterior. Assim, ele desenvolverá as características que o método visa.

• Por onde começar
Segundo Zigioti, o sistema é aplicado em crianças pré-escolares, adultos e pessoas da terceira idade, após passarem por um diagnóstico que determina o ponto inicial e o ritmo de aprendizado que será desenvolvido durante os estudos: “Faz-se uma entrevista com uma orientadora que avalia o perfil do interessado: se gosta ou não de determinada matéria; se tem o hábito de estudar todos os dias; qual o objetivo do aluno. Depois, aplica-se um teste para verificar até que nível esse candidato domina e a partir de onde ele começa a ter dificuldades, onde é determinado o ponto de partida”.

Mais do que um simples reforço

Diferente do que a maioria das pessoas pensa, o Kumon não é uma aula de reforço: “É muito mais do que isso. É um método que vai desenvolver o hábito de estudos diários, a organização e, com isso, também explorar as habilidades disciplinares. O aluno estuda de acordo com a sua capacidade e evolui nos conteúdos sem se prender à idade ou série escolar. Ele tem a oportunidade de avançar a conteúdos que ainda não viu na escola. Apesar de ser um método individualizado, não é particular. Ele respeita o ritmo do aluno, por isso é individualizado. Segundo Zigioti, o aluno convive com outros estudantes de outras idades e séries.

Ao adiantar-se nos conteúdos em relação à série escolar, o aluno vai adquirindo autoconfiança e capacidade de buscar novos conhecimentos.

Estágios
O método Kumon é dividido em estágios. “Não dá para especificar um tempo de duração de cada um. Se o aluno for aplicado, esforçado, ele tem a chance de concluir o método em menos tempo”, diz Zigioti.

Matemática
São 21 estágios. O primeiro começa com as operações básicas ( soma, subtração, divisão e multiplicação). O nível de dificuldade aumenta de modo suave, permitindo a evolução gradativa do aluno, chegando até os trabalhos mais desafiadores, como equações mais complexas.


Material didático: tabuleiros nas aulas de matemática

Português
O curso de Português é dividido em 13 estágios, desenvolvendo o gosto pela leitura, a capacidade de interpretação de textos e de síntese. Nos níveis mais avançados, o aluno terá contato com a literatura nacional e internacional.

Japonês
O objetivo do curso de Japonês é proporcionar ao aluno o domínio da escrita e o desenvolvimento da capacidade de leitura. O curso é dividido em dois blocos:

- Nihongo: Material voltado para brasileiros com tradução e explicação em português, facilitando o aprendizado para aqueles que nunca tiveram contato com o idioma.

- Kokugo: Material voltado para aqueles que já têm algum conhecimento do idioma ou que são concluintes do Nihongo. Não é traduzido e trabalha com textos de temas variados.

Segundo a coordenadora do curso Masayo Koba­yashi, há uma grande procura dos dekasseguis pelo curso: “Como eles têm pressa em aprender, nós adaptamos o curso para que a aprendizagem seja mais rápida. Mas tudo depende do desempenho do aluno”.

Respeito e humildade
Virgínia Aranha Bueno do Carmo é coordenadora e orientadora da unidade Kumon de Santo André há quatro anos. Seus alunos variam de 4 anos e meio a 77 anos. Para ela, não há dificuldades para lidar com pessoas de tão variada idade: “Difícil mesmo são os alunos que não vêm”.

Virgínia diz que a percepção e a sensibilidade de quem faz Kumon são totalmente diferentes de um aluno que só estuda em escola normal: “Nós não estamos aqui para ensinar apenas matemática ou português; nós estamos ensinando uma postura de vida que o aluno irá aplicar pela vida toda”.

O papel da orientadora é dar dicas nos momentos necessários. Assim, ele é levado a desenvolver a capacidade de buscar o conhecimento e tornar-se independente.

Virgínia, através de seus atos, serve como exemplo para os alunos: “Respeitando a opinião deles é que eles vão passar a respeitar os outros, porque eles vivem do exemplo que as pessoas passam. É tudo através do exemplo”.

Boas notas
Eduardo Seigi Saton, de 10 anos, e Amanda Midori Saton, de 8 anos, são irmãos e estudam no Instituto Kumon de Santo André há mais de dois anos. “Gosto de estudar no Kumon porque estou aprendendo mais do que na escola,” diz Amanda que, junto com o seu irmão, faz parte da lista dos alunos adiantados. Antes, Eduardo não gostava de estudar: “As notas na escola não eram tão boas, mas agora melhoraram”, revela o garoto.

Brasileiros estudam Japonês
Curiosamente, o curso de japonês é muito requisitado por brasileiros, como é o caso de Anderson de Almeida Oliveira, de 18 anos. Há três anos, ele já concluiu o curso de Nihongo e agora está estudando o Kokugo. “Assistindo aos desenhos animados japoneses, despertei o interesse pelo idioma”, conta Anderson, que hoje é auxiliar da unidade Kumon da Vila Diva, em Sapopemba, São Paulo, devido ao seu bom desempenho.

Anderson está fazendo cursinho para entrar na faculdade. Quando perguntado sobre o curso que deseja fazer, adivinhe a resposta? “Tradutor e intérprete de japonês”.

Nunca é tarde para aprender
Antônio Bueno do Prado, de 77 anos, estuda matemática há cerca de dois anos. Ele, diferentemente dos alunos mais jovens, procurou a entidade para se distrair: “Eu acho o Kumon uma distração, uma diversão. Além do mais, sempre há novidade, o ambiente faz a gente ficar informado e atualizado”.

Antes de se aposentar, Antônio trabalhou durante muito tempo como instalador de ferramentas em prensas em uma grande empresa automobilística. No entanto, não teve a oportunidade de estudar. Hoje, estudar no Kumon é um passatempo. Mesmo assim, ele sabe da importância de se manter informado: “Você fica parado e, na conversa com um amigo, não tem o que responder. Estando atualizado, você tem assuntos para discutir”.

Em um concurso de leitura em voz alta, realizado no ano passado no auditório da unidade, Antônio ficou em primeiro lugar em sua categoria: “Basta querer e ter vontade”.

 

Toru Kumon nasceu em 1914, na província de Kochi, no Japão e formou-se em matemática pela Universidade Imperial de Osaka.

Tudo começou quando, em 1954, Takeshi, seu filho mais velho, que estava na 2ª série do 1º grau, tirou uma nota baixa em matemática. A mulher de Toru começou a pressioná-lo para que ele, como professor de matemática, ensinasse o garoto.

O professor montou alguns exercícios e colocou como objetivo atingir algumas metas: limitar o tempo de estudo diário do filho em 30 minutos; fazer com que conseguisse resolver questões dadas em vestibulares, em vez de somente melhorar o desempenho do primeiro grau; e fazer com que chegasse rapidamente à resolução das equações.

Toru Kumon faleceu em 1995, deixando bem claro as palavras que resumem a sua filosofia sobre o método: “Vamos descobrir o potencial com o qual cada indivíduo é dotado e expandir este dom ao limite máximo, desenvolvendo pessoas responsáveis e sãs, contribuindo, assim, para a sociedade”.

 
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