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Sábado, 17 de novembro de 2018 - 11h33
 

Wadaiko: o estilo japonês de tocar taiko


No teatro, na dança, nos festivais japoneses,
as batidas dos tambores estão presentes e contagiam o público
 

(Arquivo Jornal NippoBrasil)

Impossível ficar imune às batidas vindas de um taiko. Durante uma apresentação, o som que ecoa do tambor parece vibrar o corpo do mero espectador. Assim como costuma definir Yukihisa Oda, mestre japonês na arte de tocar wadaiko, o taiko é a extensão do corpo daquele que o toca. “Ele reflete os seus sentimentos, portanto, se você estiver triste, o som será triste, se estiver alegre, idem. O tambor do taiko é um ser vivo e como tal deve ser tratado”, explica metaforicamente.

A palavra “taiko”, cujo significado é “tambor grande”, designa tanto o tipo de música quanto o instrumento utilizado na arte do wadaiko. Por sua vez, esta última designação – wadaiko – refere-se ao estilo de taiko do Japão.

Em relação à introdução do taiko no arquipélago japonês, registros históricos indicam a sua utilização a partir do século 5. Um dos primeiros usos do taiko foi como instrumento de batalha, sendo utilizado para intimidar e assustar o inimigo.

Porém, incorporado às cerimônias religiosas, o taiko adquiriu mais tarde uma conotação mística. “Na Era Jomon, era uma forma de comunicação com os deuses, e batendo o taiko durante as cerimônias poderia se expressar os sentimentos aos deuses”, relata o sensei Oda, que está no Brasil para difundir a arte (veja entrevista na página ao lado).

Naquela época, tocava-se o taiko para espantar os maus espíritos e afastar as pestes das plantações. Outra função era a de marcar as horas e sinalizar certas atividades de um vilarejo: batidas simples significavam que homens estavam saindo à caça ou uma tempestade estaria por vir.

Hoje o taiko está presente no teatro, na dança e na maioria das festividades japonesas (matsuri, festivais shintoístas), simbolizando a evocação dos deuses para trazer boa sorte e felicidade a todos.


Estilos

A cultura e o folclore local influenciam o estilo de taiko tocado em cada região do Japão. “Na região norte, o ritmo da batida é longo e repetido, já na região sul é extremamente rápido e variado”, diferencia Oda.

Mas o estilo que tornaria o taiko conhecido no mundo inteiro é chamado de Kumidaiko. “Este estilo é atual, teve início na década de 50, quando o senhor Oguchi Daihachi, na época baterista de jazz, encontrou algumas partituras de taiko e, posicionando-os como uma bateria, tocou em conjunto com alguns amigos”, explica Setsuo Kinoshita, professor de taiko no Brasil, que atualmente se encontra no Japão divulgando o taiko brasileiro.

Feito de madeira maciça e couro, o taiko geralmente é confeccionado à mão por artesãos japoneses. Existe a crença de que os espíritos das árvores utilizadas na confecção do instrumento, das pessoas que o fizerem e daqueles que o tocaram por vários anos se incorporam à peça.

O instrumento pode ser encontrado em variados formatos e tamanhos. O chodô taiko, que é o maior, pode chegar a 1,50 metro de diâmetro. Como no Brasil não há artesãos que confeccionem o instrumento, quem quiser comprar um precisa importá-lo. Um taiko tamanho médio sai pela bagatela de US$ 7 mil.


Aprendendo a tocar

Ouvido bom, ritmo e um pouco de força são alguns dos requisitos necessários ao tocador de taiko. “Se bem que é mais jeito do que força. Acredito que numa apresentação de 30 minutos o tocador chega a perder uns dois quilos. Mas tem muitas mulheres tocando. Cerca de 60% dos meus alunos são do sexo feminino”, diz o professor Joseph Yamazaki, que começou a tocar o instrumento aos 11 anos de idade e hoje, aos 35, integra o Tangue Setsuko Taiko Dojo, tradicional grupo de São Paulo.

A posição certa para se tocar o taiko difere de acordo com o sexo. Para os homens, as pernas devem ser afastadas e a perna direita é colocada cerca 10 centímetros para trás. Já as mulheres devem afastar a perna direita para trás, enquanto a perna esquerda tem o joelho levemente flexionado para frente.

Segundo Yamazaki, para aprender o taiko, um aluno leva em média cerca de dois anos. A idade recomendada para se iniciar na arte é 10 anos. Porém, nada impede que adultos e pessoas da terceira idade experimentem o ritmo dos tambores.

A fisioterapeuta Marcia Matsuo, 55 anos, por exemplo, estava animada para ter a primeira aula com o sensei Oda, que esteve na União Cultural Esportiva Guarulhos (Uceg) no dia 18 de julho. “Adoro a batida. Quando tem Bom Odori sempre vejo o pessoal tocando e pensava: tenho que aprender isso. Surgiu a oportunidade de ter aulas com o sensei e aqui estou. Nunca é tarde”, acredita.

A fascinação pegou em cheio também seu filho, Carlos Arakaki, 37 anos. “O taiko toca muito profundamente, é algo que não dá para explicar com palavras, só mesmo sentindo”, conclui.


Entrevista Yukihisa Oda


Oda: “A mistura dos ritmos do taiko e do samba poderão trazer um novo ritmo”

Nascido na cidade de Chikuho, província de Fukuoka, Oda é presidente da Confederação de Taiko, diretor da Escola de Taiko Maihime de Hakata e presidente da Kawasudi Taiko no Japão. Faz apresentações de wadaiko com o grupo Hakosa, excursionando pelo mundo inteiro. A seguir, veja entrevista dada pelo sensei em um dos intervalos de sua aula.

Como surgiu o interesse em tocar taiko?
Quando era criança tocava taiko em matsuri, mas profissionalmente comecei minha carreira aos 30 anos. Meu professor foi Nakagaki Okuso, segui os seus passos até aprender e encontrar o meu próprio estilo. Com o tempo fui agregando aos meus conhecimentos experiências de outros grupos de várias regiões do Japão. Assim, ao criar um estilo próprio de expressão, encontrei a minha maneira de expressar meus sentimentos e idéias. Para ser um mestre de taiko precisamos aprender a seguir nossos próprios passos.

Como definir o taiko?
O tambor do taiko é um ser vivo e como tal deve ser bem tratado. Para sua conservação deve ser guardado em local fresco e arejado, onde ele possa respirar. O taiko em sua concepção pode ser dividido da seguinte forma: a sua base são os seus pés, o tambor é seu corpo e a capa de couro que o protege é um espelho em que se reflete a alma da pessoa que está tocando. Para se construir ou preparar um tambor novo é necessário ter um tronco inteiro, que será escavado na parte de dentro, isso definirá o som do taiko. O couro que o recobre deverá ser de uma vaca que já tenha dado cria por três vezes e ela não pode ser sacrificada apenas para utilização do couro, mas aproveitada para alimentação.

Como tem sido a difusão do taiko no Japão?
A Confederação de Taiko serve para incentivar os jovens a preservarem a cultura do taiko e mantém contato entre os vários grupos de todo o arquipélago japonês. No Japão, o Ministério da Educação, como forma de preservação da cultura, instituiu o taiko como disciplina da grade curricular na escola primária. Não é possível mensurar o número de praticantes no país, pois podemos praticamente dizer que todos ou tocam ou conhecem o taiko.

O que precisa ter um bom tocador de taiko?
Em primeiro lugar, você deve gostar e deverá ser atraído pelo taiko. Aos poucos você se sentirá absorvido pelo instrumento e poderá expressar tudo o que sente através de sua batida.

Já esteve no Brasil fazendo apresentações?
É minha primeira vez. Antes de vir para cá tinha ouvido muitas histórias sobre a violência, mas ao chegar aqui percebi que as pessoas são muito calorosas e me surpreendi com a grandiosidade do País. Com relação ao taiko no Brasil, o que eu teria a dizer é que o taiko, assim como a música, é uma linguagem universal: basta ouvir e sentir com o coração o sentido de suas batidas. Ao dar aulas aos alunos aqui, o que pude perceber é que o Brasil tem um ritmo próprio do samba. A mistura dos ritmos do taiko e do samba brasileiro provavelmente poderá trazer um novo ritmo.

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