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Sábado, 15 de dezembro de 2018 - 3h10
 

Saquê


A bebida milenar japonesa, à base de arroz, agrada cada vez mais ao paladar dos brasileiros
 

(Arquivo Jornal NippoBrasil)

A origem do saquê é cercada de lendas. A mais famosa data do século 8 e tem como protagonista um pescador fracassado da ilha de Okinawa. Com a falta de sorte, ou empenho, no mar, passava o dia na praia observando a natureza. Notou que um pardal sumia e voltava para o ninho levando grãos de arroz no bico. Curioso, decidiu subir as pedras e notou que no local em que o pássaro depositava o grão havia um líquido pastoso. Resolveu experimentar. Para sua surpresa, o líquido era saboroso e levemente alcoólico. A explicação científica para o fenômeno é que, em contato com a saliva do pardal, mais as condições de ambiente e temperatura do ninho, o arroz fermentava. O vagabundo pescador viu na bebida uma possibilidade econômica e passou a vender o líquido. Com o tempo, tornou-se um dos comerciantes mais ricos da ilha. A versão oficial não tem o mesmo charme. Por volta do ano 700, monges do templo Aska, em Nara, perceberam que quando o arroz azedava formava-se um líquido de sabor agradável. Passou a ser consumido, primeiro, no santuário e foi se espalhando por todo o país. Hoje, o saquê é a bebida mais popular do Japão e consumida nos quatro cantos do mundo, além de ser também utilizada na culinária.

A entrada de saquê no País

No Brasil o saquê, ou vinho de arroz, chegou na bagagem dos primeiros imigrantes japoneses, no navio Kasato Maru, em 1908. Importar a bebida, no entanto, era muito caro e os pioneiros não se acostumavam com a cachaça brasileira. Em 1935, Hisaya Iwasaki abriu a primeira fábrica de saquê no País, a Tozan, que produz até hoje o saquê Kirin. Em 1975, a Sakura, conhecida marca de molho de soja e outros alimentos orientais, entrou no mercado. “Decidimos completar a linha com o saquê. Pretendemos conquistar fatia considerável do mercado”, diz Miriam Hatanaka, gerente de marketing da Sakura. “O nosso objetivo é produzir um saquê brasileiro, adaptado às condições locais, como a disponibilidade de matéria-prima (arroz) e água, com pesquisas constantes na adaptação ao paladar brasileiro”, completa.

A procura por saquês importados também tem aumentado. Segundo Kimie Kunieda, do departamento comercial da importadora Tradbras, só neste ano a empresa trouxe 12 mil garrafas da marca Hakushika, cerca de 30% mais que no mesmo período do ano passado. “Os pedidos têm aumentado. Além dos restaurantes e das lojas de produtos japoneses, as grandes redes de supermercado estão comprando”, conta.

Os restaurantes também têm inovado para atender o público brasileiro. O saquê tradicional é servido em temperatura ambiente. Mas no Brasil a procura é maior pela bebida gelada com sal na borda do massu (copo quadrado de madeira) ou pela caipirinha de saquê feita com kiwi (receita na página ao lado). “A forma como servimos pode causar estranheza aos japoneses tradicionais, mas faz muito sucesso”, diz o gerente do Mitsuyoshi, Fausto Narimatsu.

Os brasileiros adoram a bebida

O jornalista Kaká Marques é um desses fãs incondicionais do saquê. Junto com a namorada, Paola Novaes, vai pelo menos uma vez por semana em algum restaurante japonês. “Sempre busco coisas novas, gosto de experimentar. Com o tempo você vai apurando o seu paladar. Hoje eu conheço os diferentes tipos de saquê”, afirma. Mas antes de se tornar um expert no assunto, Kaká passou por maus bocados. “Foi na primeira vez que comprei saquê no mercado. Em casa vim a saber que era um saquê para tempero”, conta.

O ritual e a tradição são outros chamarizes. Alberto Bartels é um viciado em cultura japonesa desde a infância na cidade de Londrina. O primeiro contato com o saquê foi por meio do pai de uma antiga namorada nikkei. “O saquê é uma bebida que permeia o destilado e o fermentado. Tem sabor e suavidade. Além do que exige o ritual, o ambiente e o massu”, diz. Alberto procura passar a sua paixão para os outros. Na última vez em que esteve em um restaurante, levou o amigo Carlos Sicone, que está em sua terceira incursão pelo universo do vinho de arroz. Pelo entusiasmo parece que o manjar dos deuses orientais conquistou-o definitivamente. “É uma bebida leve e saborosa. Tomar saquê acompanhando a culinária japonesa é uma coisa fantástica”, completa.


Curiosidades

Estado de coma
A província com o maior número de produtoras de saquê é Hyogo, com 103 fabricantes. A região disputa com Niigata (102 produtoras) a liderança no mercado da bebida.

Bons de gargalo
Um japonês ingere, em média, 6,6 litros de álcool por ano. O país está em 28º no ranking dos beberrões mundiais. O Brasil é 39º (4,2 litros).
O campeão é Luxemburgo (12,2 litros).

O mais caro
O saquê Ginjo, da produtora Kamozuru, com garrafa feita pelo artista plástico Hajime Kato, atingiu o preço de 10 milhões de ienes (R$ 246 mil). Somente 15 unidades foram produzidas.

Mata-leão
O saquê mais forte é o Donan, da marca Maifuna, com incríveis 60% de teor alcoólico. A bebida é típica da província de Okinawa.

Versão brasileira

Caipirinha de Saquê
• 3 doses de saquê
• 1 kiwi fatiado
• 1 e ½ colher (sobremesa) de açúcar
• 2 pedras de gelo

Preparo: em um copo baixo, corte o kiwi em fatias, acrescente o açúcar e com um socador amasse bem a fruta

Coloque o gelo, o saquê e mexa com um palito. Pronto, sirva-se!

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Conheça alguns dos melhores importados disponíveis ao consumidor tupiniquim:





Gold Hakushika
(720 ml)
Teor alcóolico: 10%
Característica: saquê refinado mergulhado em flocos de ouro





Josen Hakushika

(720 ml)
Teor alcóolico: 15%
Característica: o Josen é o saquê mais popular e também o mais consumido





Yama da Nishiki Hakushika
(720 ml)
Teor alcoólico: 14,5%
Característica: a maior característica é a água da montanha usada na sua fabricação




Junmai Unkai
(720 ml)
Teor alcoólico: 25%
Característica: ideal para quem gosta de bebidas fortes.
Ao contrário dos saquês tradicionais o Junmai é feito de arroz filtrado




Mugi Unkai
(720 ml)
Teor alcoólico: 25%
Característica: este tipo de saquê é feito de casca de arroz. Assim como o Junmai, é filtrado.




Junmai Dai Ginjo Hakushika
(720 ml)
Teor alcóolico: 15%
Característica: é o saquê mais caro encontrado no mercado nacional. O motivo é a qualidade especial do arroz e da água



Daiti Seco
(Nacional)
(750 ml)
Teor alcóolico: 15,6%
Característica: bom para ser consumido quente



Daiti Draft

(375 ml)
Teor alcóolico: 15,6%
Característica: filtrado à frio é o preferido para compor drinks e coquetéis
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