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Sábado, 17 de novembro de 2018 - 11h32
 

Um cantinho para meditar

Originário dos templos budistas, o jardim japonês é ideal para aqueles que buscam tranqüilidade em meio ao caos da vida cotidiana

Vista parcial do jardim do Pavilhão Japonês,
no Parque do Ibirapuera; do outro lado, há lago com carpas

Arquivo Jornal NippoBrasil

Um espaço que o livre do estresse, onde é possível sentir paz, meditar e contemplar o espetáculo proporcionado pela natureza. Assim é o jardim japonês, cuja origem data do século 14 e o surgimento está relacionado à necessidade de criar espaços especiais onde os monges zen-budistas, saídos da China para o Japão, pudessem fazer suas orações e meditações.

Diante da correria diária, a vontade que dá ao visitar um jardim japonês é de possuir um “oásis” como aquele só para você. Esse sonho é possível e tem sido realizado por muitas pessoas (veja as histórias de alguns proprietários ao longo da matéria). Porém, construir um jardim japonês acaba não sendo um sonho acessível a qualquer bolso. Um jardim com cerca de 20 metros quadrados com lago, cascata, sistema de filtragem, lanternas e paisagismo pode sair por R$ 20 mil a R$ 25 mil, incluindo a mão-de-obra. Dependendo do tamanho, esse valor pode ultrapassar R$ 200 mil.

Segundo a paisagista Ivani Kubo, o que acaba onerando os custos é o lago. Caso a pessoa opte por um jardim sem esse elemento, o preço sai mais em conta: R$ 8 mil. “Mas uma vez implantado, o jardim japonês não é como um no estilo tropical que exige um jardineiro todo mês. A longo prazo, o custo vai sendo diluído, já que a poda das plantas é feita uma vez por ano.”

Outro fator que faz do jardim japonês um projeto caro são os preços das plantas. Como geralmente os paisagistas entregam o jardim todo pronto, eles adquirem plantas já formadas, que acabam custando mais. “No caso do pinus japonês (matsu), existem mudas importadas que chegam a custar R$ 50 mil, já que demoram de 20 a 30 anos para se formarem”, explica Shinzo Okuda, paisagista que há 30 anos trabalha com jardim japonês.

Azaléias, buchinhos, podocarpos podados, com tamanho médio, também muito utilizados no jardim japonês têm preços que variam entre R$ 100 a R$ 500. Os toros, tradicionais lanternas japonesas, variam conforme o material utilizado na confecção e o tamanho: os importados, de granito, valem até US$ 4,5 mil. Já as versões de concreto variam de R$ 120 a R$ 320.

Assim como na construção de uma casa, os custos do projeto vão depender do “material de acabamento” preferido. Mas no final das contas, a satisfação em vê-lo pronto acaba superando todo o investimento. E o jardim, além de resgatar a cultura oriental, funciona como uma forma de unir a família. “Esse momento dedicado ao jardim, de dar ração para as carpas, por exemplo... São situações que trazem os filhos para dentro de casa”, conclui Kubo.


Um pé de sakura no jardim


Sakura: paz no jardim

Ao entrar na espaçosa sala da casa da professora de ikebana Corina Wai, os olhos se enchem e se voltam automaticamente para o espetáculo proporcionado em seu exterior. Anexo à sala, um jardim japonês é avistado através de portas de vidro transparente. E mais ao fundo, à esquerda, a bela paisagem é entrecortada por uma explosão de flores rosas.

“A estrela do jardim é o sakura. Ela floresce no inverno; na primavera ela se enche de flores verdes clarinhas. O intervalo em que ela perde as folhas e se prepara para dar flor é um suspense. A gente observa se o botão está vindo, e quando dá flor é aquela alegria”, descreve Corina, que este ano fez até “hanami” (ritual para apreciar a floração) com as amigas.

O jardim japonês, projetado por Shinzo Okuda, é com certeza um dos pontos mais importantes da casa. De qualquer cômodo da construção é possível avistá-lo.

Uma pedra e um banco foram propositadamente colocados embaixo do sakura, trazido de Okinawa, de onde é possível avistar o horizonte e apreciar o pôr-do-sol. “É um lugar de contemplação. Realmente, o jardim transmite muita paz”, afirma.


Um jardim para os bonsais


Jardim: “Local para meditação”

Primeiro veio a paixão pelos bonsais e a criação do Bonsai Center Romagnole, em Mandaguari, no Paraná, espaço que tempos atrás já serviu de residência e hoje funciona como entidade cultural que visa disseminar a arte do cultivo das árvores em miniatura. A necessidade de criar um ambiente acolhedor para acomodar os bonsais motivou o empresário Vicente Romagnole a montar o jardim japonês há 15 anos.

O belo jardim é composto de uma cascata central, uma ponte de granito feita a mão, lanternas importadas de Kioto, pedras – cerca de 30 toneladas -, um portal e plantas importadas de Saitama, Yokohama e outras províncias do Japão. Presente de uma família de Okinawa que conheceu durante uma viagem ao arquipélago, uma glicinia que uma vez por ano se enche de flores lilás é o grande xodó do empresário. “Meu jardim é um local para meditação”, diz.


O jardim de Manabu Mabe


Em uma área de 4,5 mil metros quadrados, o jardim pode ser apreciado de todos os ângulos

“Quero construir um jardim como aquele. Este foi o desejo que sempre esteve na minha mente, desde que imigrei”, confessou Manabu Mabe, um dos maiores ícones da arte nipo-brasileira falecido em 1997, na autobiografia “Chove no Cafezal”.

O jardim a que se referia Mabe era o que povoava suas reminiscências de infância. Na casa onde nasceu, em Kumamoto, no Japão, tinha “nos fundos um espaçoso jardim japonês, com montículo artificial e no pátio havia um lago, onde costumava nadar”.

Construído nos anos 60 na casa onde viveu, no Jabaquara, em São Paulo, o jardim abrange uma área de 4,5 mil metros quadrados. “É um jardim que você vê de todos os ângulos”, conta o arquiteto Ken Mabe, que acompanhou o projeto com o pai.

Como todo artista que se preze, o jardim não deixou de incorporar um toque pessoal de seu criador. Além dos elementos típicos, há árvores frutíferas que dão o tom “tropical” ao local. “Tem pé de manga, jabuticaba, pés de pinheiro. Meu pai incorporou outras plantas brasileiras, mas nada que agrida o conjunto.”, explica artista plástico Yugo Mabe.

Hoje dois jardineiros se revezam na preservação do sonho de Mabe. Sua mulher, Yoshino, e os dois filhos, ainda vivem no local que desde 1998 abriga o Instituto Manabu Mabe, onde estão conservadas as obras do artista. O jardim é uma delas.


Os elementos do jardim japonês
• lago e carpas - a água representa a vida, enquanto as carpas são símbolo de fertilidade e prosperidade. A variedade Nishikigoi exige água cristalina, que é obtida por meio da instalação de uma bomba e um filtro biológico para garantir a circulação da água. Dependendo do tamanho, cor, variedade e estampa, há carpas que custam R$ 20 e outras que ultrapassam R$ 30 mil.
• pedras da cascata e queda d‘água – o centro do jardim. Além de oxigenar a água, a cascata significa a continuidade da vida. A posição das pedras, geralmente em números ímpares, são uma analogia da formação do homem e a sociedade: a princípio só, depois em grupo (como pai, mãe, descendentes). A pedra colocada em posição vertical representa o pai, e na horizontal, a mãe. As outras pedras simbolizam os descendentes, sendo distribuídas em torno do lago.
• lanterna (toro) – elemento que induz à concentração, cujo significado é a iluminação da mente para quem, meditando, percorre os caminhos do jardim.
• bambu – os galhos do bambu são amarrados de forma que a planta cresça se curvando para o lago, como em reverência e respeito àquele que aprecia o jardim.
• fonte (tsukubai) – quando o elemento água não existe no jardim japonês, sua representação é feita por desenhos em pedriscos ou ainda por uma espécie de cuba com água (tsukubai), originário das cerimônias do chá, que representa o ritual simbólico de lavar as mãos para purificar-se antes da meditação no jardim.
• plantas – as mais utilizadas são geralmente as azaléias, buchinhos, nandinas, camélias, podocarpos, juníperos. Próximas ao lago: moréias, papirus japônico, ardísias crispas. E plantas com maior volume, como bambu mossô e pinheiro matsu.

Fonte: Shinzo Okuda e Ivani Kubo

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