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Arquivo NippoBrasil - Edição 121 - 13 a 26 de setembro de 2001
 
Nihon Buyou

Fotos: Divulgação

O buyou (dança) origina-se da reverência a divindades, das preces, como em qualquer parte do mundo. Os povos de toda a parte têm danças específicas para as passagens importantes da vida, como nascimento, casamento e morte, ou atividades periódicas, como época de semeadura, de chuvas e de colheitas e ainda de guerras e também de paz. Atualmente, não se dança em homenagem a Deus como antigamente. Em compensação, há mais danças artísticas e criativas. As danças dionisíacas são uma imitação da dança a Deus, dizem.

A palavra buyou é formada de dois ideogramas Mai e Odori, e ambos têm o mesmo significado: dançar. Mas, segundo o estudioso da língua japonesa Shinobu Origuchi, Mai tem o significado de “vagar”, de vaguear, pisando o chão num espaço determinado. Já odori está mais para pular, representando os movimentos de demônios e espíritos. O kabuki, mais apreciado pela plebe, começou a popularizar-se no século 17 (Era Edo) e foi baseado no teatro Nô, mais voltado à classe aristocrática, da Era Média. E ainda há o Mai, uma dança simplificada dos dois estilos anteriores praticada principalmente na região de Kyoto e Osaka.

Comparando-se a dança ocidental com a japonesa observa-se que a segunda centra-se principalmente na expressão corporal, enquanto o estilo ocidental privilegia os pés, os passos de dança. Cada expressão corporal tem significado próprio e está relacionado com as vozes, a letra da música e a literatura. Transformar as palavras em movimento, essa é a ordem da dança japonesa. Já no estilo ocidental, não há significado próprio em cada passo, que se relaciona com a melodia. Os movimentos são abertos. Infla-se o peito, os braços e as pernas são estendidos ao limite, distanciando-se do corpo, gira-se, cruza-se os ares, expandindo tanto o corpo quanto a alma. A dança japonesa é mais contida. Os braços e pernas são mantidos próximos ao corpo e dança-se na mesma posição. Corpo e alma são ocultos dentro de si. Uma outra característica é o uso de pequenos objetos, como leques e toalhas de rosto. Já na dança do Minyou (canção folclórica) o tempo da dança é ajustado aos movimentos do cotidiano, músicas de pescadores têm o ritmo do movimento de puxar uma rede de pesca, as de agricultores têm o ritmo dos trabalhos da plantação.

Alguns estudiosos chegam a dividir em dois estilos: o estilo aberto, relacionado aos povos nômades e o estilo contido, aos povos agrícolas.

Após a Restauração Meiji houve um declínio do buyou, mas hoje há mais de 100 tipos de escolas. Algumas com muitos discípulos como o Hanayagi-ha, Fujima-ha, Nishakawa-ha. A princesa Sayanomiya é uma excelente dançarina. No Brasil, entre os membros da colônia japonesa há muitos simpatizantes do buyou, mas o kimono (vestimenta japonesa), peruca, acessórios e apetrechos de palco são trazidos do Japão, o gasto é bem significativo. Os mestres japoneses dessa arte têm-se esforçado para sua continuidade, dedicando-se arduamente à transmissão do buyou.

 

*Esta página foi elaborada pelos professores da Aliança Cultural Brasil-Japão,
especialmente para o NIPPO-BRASIL.
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