PORTAL NIPPOBRASIL ONLINE - 11 ANOS
-
Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5575-0699  
(Horário de Atendimento das 9:00h às 18:00h de segunda a sexta)  
Quarta-feira, 10 de março de 2010 - 2h55
DESTAQUES:

  Busca
 
  NippoBrasil
   Edição Atual
   Editorial e Opinião
   Circuito
   Últimas Notícias
-
  Variedades
   Agenda
   Aula de Japonês
   Automóveis
   Artesanato
   Beleza
   Bichos
   Cultura-Tradicional
   Culinária
   Dekassegui
   Dinheiro
   Ensaio NB
   Entrevistas
   Especial
   Especial - Esportes
   Giro da Semana
   Haicai
   História do Japão
   História da Imigração
   Horóscopo
   Karaokê
   Lendas do Japão
   Mangá
   Personalidades
   Pesca
   Saúde
   TV NHK (Japão)
   Turismo-Brasil
   Turismo-Japão
-
  Esportes
   Especial - Esportes
   J.League 2010
   Copa do Mundo 2010
-
  Especiais 2009
   Ikebana
   Bomba de Hiroshima
   Campeonato de Sumô 2009
   Festival do Japão
   Mundial de Kendô
-
  Autoajuda e Religião
   Budismo
     Milênio
   Roberto Shinyashiki
   Reflexão
-
  Empregos no JP


-
  Classificados
   Econômicos
   Empregos no Brasil
   Guia Profissionais
   Imóveis
   Oportunidades
   Ponto de Encontro
-
  Interatividade
   Fale com a Redação
-
  Correspondência
   Trabalhe conosco
   Anuncie no site
   O Jornal Nippo-Brasil
   Contatos
   Quem somos
Caderno Entrevista

“Os japoneses desconhecem sua própria história”

Takahashi: desconhecimento dos japoneses sobre o Brasil é o mesmo de 30 anos atrás

Quem é
Nascido em Saitama, em 1950, o escritor Yukiharu Takahashi é formado em Sociologia pela Universidade de Waseda. Em 1975, esteve no Brasil para conhecer a comunidade japonesa. Ficou três anos no País, trabalhando como repórter do Jornal Paulista (atual Jornal do Nikkey), quando conheceu a esposa, Madalena.

(Reportagem e Foto: Helena Saito / ipcdigital.com)

A história dos japoneses no Brasil e dos brasileiros no Japão são temas recorrentes nas obras do escritor Yukiharu Takahashi. Autor de 30 livros, ele viaja ao Brasil a cada dois anos para rever amigos que fez quando descobriu sua fonte de inspiração inesgostável, além de visitar parentes de sua esposa Madalena, brasileira neta de japoneses, família cuja história também virou material para um obra.

Takahashi sempre se interessou por histórias humanas. O que ouve, investiga e pesquisa ele transforma em obras de não-ficção. Entre 1975 e 1978, trabalhou como jornalista em São Paulo, e sempre se encantava com as histórias que ouvia de seus entrevistados. Não se contentava em resumir tudo em um artigo de jornal. Esmiuçava tanto, que o relato virava matéria-prima de literatura. De volta ao Japão, Takahashi continua atrás de histórias. Seu livro mais recente, Nikkeijin no Rekishi wo Shiroo (Vamos conhecer a história dos nikkeis, em tradução livre), foi lançado há dois meses.

 
Entrevista

International Press: Por que resolveu escrever livros sobre a imigração?
Yukiharu Takahashi:
Minha intenção é ajudar os japoneses a conhecer a história dos imigrantes no Brasil e dar instrumentos para compreenderem os brasileiros que vieram para cá trabalhar.

IP: Como começou essa sua preocupação?
YT:
Minha mulher é brasileira. Com o movimento dekassegui, alguns parentes dela também acabaram indo para o Japão, para a região de Aichi. Quando soube que seus filhos tinham deixado de freqüentar as aulas por causa de maus-tratos, resolvi conversar com os professores. Aí, descobri que eles desconheciam a história da emigração japonesa. É lamentável! Esses professores me explicaram que, no livro didático para o chuugakkoo, há apenas uma página que trata do assunto.

IP: O que os japoneses sabem sobre imigração?
YT:
Deve haver muita gente que nem sabe que outros japoneses emigraram para o Brasil, os Estados Unidos... E, por desconhecerem essa parte da História, são incapazes de compreender os sofrimentos e as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes.

IP: Que imagem os japoneses têm dos brasileiros?
YT:
Os japoneses ainda acham que o Brasil é um país subdesenvolvido. Chegaram a perguntar a meus parentes se eles já usavam roupas antes de virem trabalhar no Japão! Não sabem que, em São Paulo, circulam carros, que muitos moram em grandes apartamentos, levando uma vida até melhor do que a deles.

IP: Desde que o senhor começou a escrever até hoje, a sociedade japonesa mudou?
YT:
Apesar dos avanços tecnológicos, do surgimento da internet e de a informação fluir mais rápido, a situação não mudou em relação há 30 anos. Lembro-me de um caso ocorrido em 1970, em que um coreano foi aprovado no teste de admissão da Hitachi, mas a empresa lhe pediu para recusar a vaga. O caso foi parar no Tribunal como discriminação racial e foi muito noticiado. Nessa época, os coreanos enfrentavam dificuldades, como não conseguir alugar apartamentos, problema semelhante ao que brasileiros enfrentam hoje. Por esse exemplo, vemos que os japoneses, no fundo, não mudaram em nada em 30 anos.

IP: Casos de maus-tratos também são comuns entres os japoneses. Por que isso ocorre?
YT:
O japonês está sempre à procura de alguém para maltratar. Dá a impressão de que, para se sentir tranqüilo, precisa de um alvo. Os coreanos foram os primeiros, mas os alvos podem ser brasileiros, ou mesmo japoneses portadores de deficiência, considerados mais fracos.

IP: Como acabar com a discriminação?
YT:
Apesar de existirem grupos de minoria étnica, como coreanos e ainus, o Japão é considerado um país formado apenas por japoneses, é um povo de raça única. Além disso, os japoneses se consideram um povo de 1ª classe (Ittoo koku). De 2ª classe dizem que são os coreanos; e o de 3ª, os chineses. Com esse tipo de raciocínio, o preconceito racial em relação a ainus, coreanos e outros estrangeiros se mantém. Pensando em como acabar com essa situação é que decidi escrever o livro Sooboo no Daichi (1991), que retrata a história da família de minha mulher.Há um provérbio japonês que diz “Hito no fukoo wa mitsu no aji”. Quer dizer: “na infelicidade dos homens, há um sabor de mel”. No Brasil, um repórter perguntou a uma japonesa idosa o que a deixaria mais feliz e ela respondeu: “Quando o armazém do vizinho for incendiado”. Esse sentimento de ter sempre alguém por baixo para se sentir tranqüilo é também um ato de discriminação.

IP: O que o senhor quis mostrar no capítulo “Independência e dekassegui”?
YT:
Mesmo com as limitações, os imigrantes acharam importante seus filhos estudarem o português, além de japonês, o que lhe possibilitou uma ascensão na sociedade brasileira. Outro ponto que enfatizo é o significado do kanji “majiru” (misturar-se). As palavras compostas por esse ideograma, como “konzatsu” (tumulto) e “konton” (caos) possuem conotação negativa. Enquanto em palavras como “junshu” (raça pura), com o ideograma de “não se misturar”, também presente em “junsui” (pureza) e “junjyo” (ingenuidade), têm conotação boa.
Na prática, vemos que os imigrantes japoneses no Brasil tentaram não se misturar com os nativos para preservar o que achavam ser uma coisa boa. Consideravam os brasileiros gaijin (a pessoa de fora), apesar de eles serem os estrangeiros no Brasil.

IP: Dá para transformar o Japão em um país de imigrantes?
YT:
Para isso acontecer, é preciso garantir aos estrangeiros os mesmos direitos dos japoneses. Além de assegurar-lhes o emprego, é necessário dar-lhe treinamento profissional. Esse é o momento de o país abrir suas portas para culturas diversas. Tal como escreveu Tatsuzo Ishikawa (escritor, autor do livro Sooboo): “Se o Japão continuar como está, ficará órfão do mundo”, ou seja, o país estará isolado do resto do mundo.

 Arquivo - Entrevistas
• Haru Sugiyama
Falta de orgulho é problema
• Takaharu Hayashi
“Brasileiros precisam tomar uma atitude mais dinâmica”
• Kotaro Horisaka
Uma das maiores autoridades japonesas em economia brasileira
• Péricles Chamusca
Desde 2005 na J.League, o treinador baiano, que tem o respeito dos nipônicos
• Kenko Minami
Japonesa em defesa dos índios
• Yukiharu Takahashi
Escritor
• Masaru Hayakawa
Prefeito de Toyohashi
• Shigehiro Ikegami
Pesquisador
• Embaixador André Amado
“Tenho orgulho de minha gente”
• Ruth Cardoso
Respeito pelos imigrantes japoneses.
• Michiyo Hata
Consagrada coreógrafa japonesa
• Letícia Sekito
Dançarina da nova geração
• Ricardo Oshiro
Ator da nova geração
• Takako Nakayama
Artista plástica
• Yumi Inoue
Cantora criada pela "colônia"
• Shirotama Hitsujiya
Diretora artística
• Lorena Hollander
Vocalista da banda Diafanes
• Anna Saeki
Cantora japonesa
• Amélie Nothomb
A mais japonesa das não japonesas
• Maia Hirasawa
Novo talentos do meio musical.
• Leonardo Sakamoto
Defensor dos direitos humanos.
• Marcos Tumura
Ator, cantor e bailarino.
• Kyoko Suzuki
História de mãe que inspirou um filme
• Marcelo Katsuki
Arquiteto, cozinheiro, artista e jornalista.
• Cristina Rocha
Estudiosa do budismo e do zen
• Sonia Ushiyama
Estilista
• Ricardo Takahashi
Fisioterapeuta
• DJ Wander Yukio
Conhecido por sua irreverência
• Chef Carlos Ribeiro
É um dos fenômenos da culinária
• Débora Tavares
Haicaísta
• Fabiana Shizue
Ilustradora
• Fabio Namatame
Figura importante nos bastidores
• Sérgio Yamasaki
Envolvido em produções de sucesso
• Marly Yajima Fagliari
Farmacêutica e empresária
• Adam Sun
Jornalista e tradutor
• Kikuko Nishibayashi
Consulesa fala do Brasil e comunidade
• Yumiko Ouchi
Yumi: a próxima estrela nikkei
• Carlos Nakao
Participante de "O Aprendiz"
• Roger Cruz
Desenhista de super-heróis
  © Copyright 1992-2010 - Jornal NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br