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Conversando de RH

09 de dezembro de 2016
Diferenças que aproximam

O meu DNA de “nikkei” acaba sempre aflorando quando vejo na imprensa notícias que dizem respeito ao Brasil e ao Japão.

É o caso da taxa de homicídios, que saiu recentemente nos jornais. Segundo a ONU, o Brasil apresenta uma taxa de 29,1 homicídios por 100.000 habitantes, enquanto o Japão apresenta 0,73/100.000. Os baixos índices no Japão indicam uma sociedade estável, com pouca desigualdade social, além de reduzido nível de posse de armas. Enquanto que no Brasil ocorre o oposto. O grande desnível econômico e estrutural, o tráfico de drogas, a violência policial e as altas taxas de impunidade da Justiça são algumas explicações para as elevadas taxas do país. Tamanha contradição apresenta fatos curiosos: os policiais japoneses enfrentam problema da falta do que fazer, o que os levam a dedicarem-se mais a serviços de orientação e informação ao público do que a atividades mais penosas e perigosas. No Brasil, os problemas são tantos que nunca o contingente de policiais será suficiente para atender às necessidades, geralmente de combate a bandidagem.

Mas, por outro lado , outra contradição salta à vista: a taxa de suicídios entre os japoneses é alarmante, chegando a 18,5/100.000, fazendo com que esse seja uma das principais causas de morte no Japão. E, mais preocupante ainda porque envolve muitos jovens com menos de 18 anos. Acreditamos que, por ser o Japão uma sociedade muito regrada, os jovens são moldados para se encaixar em determinados nichos existentes. Eles não conseguem expressar ou extravasar seus verdadeiros sentimentos e, se são pressionados por seu superior, professor ou até pelos próprios pais, ou se deprimem ou acham que a única alternativa é morrer. Esses jovens não têm o jogo de cintura, a maleabilidade e o “savoir-faire” do brasileiro, refletindo a grande diferença de cultura existente entre os dois povos.

E, por ser o Japão considerado um país do primeiro mundo e extremamente desenvolvido na área da tecnologia, que seria um diferencial positivo, pode estar piorando essa situação, contribuindo para o isolamento dos jovens. No arquipélago nipônico, é comum se deparar com uma situação conhecida como “hikikomori”, um tipo de isolamento social grave provocado pelo alto grau de exigência da sociedade japonesa. O jovem nesta situação pode se fechar por completo ao mundo, permanecendo em um quarto por meses ou até mesmo por anos. Com maior ocorrência entre os homens, esta é apenas a forma mais extrema da perda de socialização, na qual o indivíduo evita ou tem receio de um contato “tête-à-tête” ou cara a cara com seus semelhantes.

A “síndrome do celibato” é outro comportamento que tem se manifestado entre os jovens quando se trata de relacionamento, nesse caso, com o sexo oposto. Segundo estudos da Associação de Planejamento Familiar do Japão, 20% dos homens com idade entre 25 e 29 anos tinham pouco ou nenhum interesse em relações amorosas, apontando como causas, a internet e a influência da pornografia sobre esse estado de coisa. Segundo um outro renomado professor de universidade, os jovens japoneses têm muito conhecimento, mas pouca experiência de vida. Não sabem como expressar suas emoções. Ao mesmo tempo que é um pouco reservado, tem uma disposição fenomenal para ajudar o próximo e sua comunidade.

Esses são apenas alguns aspectos das enormes diferenças culturais entre os dois povos, tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo. Países de contrastes, mas que buscam conviver de uma forma equilibrada e harmônica, embora, algumas diferenças causem algumas estranhezas e incômodos para as duas partes .


Não poderia deixar de consignar aqui a enorme comoção que se abateu sobre o país, com o desastre ocorrido como o time de futebol da Chapecoense. Diante da estupefação com o trágico acontecimento e com a dor dos familiares, as manifestações que se seguiram pelo mundo todo, de solidariedade, emocionaram de tal forma as pessoas que , mesmo as mortes traumáticas ocorridas com o nosso piloto Ayrton Senna e com o Presidente Kennedy não levaram a tamanha consternação. A demonstração de carinho por parte dos irmãos colombianos calou profundamente no coração dos brasileiros. Um gesto tão digno e nobre, que nos dá alento e esperança de um mundo melhor e mais solidário. No meio de tanta violência, maldade, ganância, insensibilidade, precisou-se de uma tragédia assim, para que um grito de esperança despontasse para dar um pouco de amor e altruísmo a corações e à uma sociedade empedernidas.

Na proximidade da passagem do ano, os meus agradecimentos aos queridos leitores e amigos, pela paciência, carinho e consideração.

A todos , um FELIZ NATAL e um ANO DE 2017 abençoado, com Saúde, Paz e muita LUZ!

KATSUO HIGUCHI



Katsuo Higuchi
Profissional de RH; como executivo e empresário , atua
na área há mais de 40 anos. Foi diretor da empresa AVANCE DO BRASIL.
e-mail: rk.higuchi@gmail.com

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