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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Museu Histórico da Imigração
Japonesa)
Neste
ano, 2008, comemoram-se cem anos da imigração japonesa.
Lembro-me dos meus avós, principalmente da minha avó, sempre
externando a saudade que sentia do Japão.
Papai casou-se
com minha mãe quando seu marido, meu tio, faleceu em conseqüência
de um câncer no estômago, deixando quatro filhos, o mais novo
com seis meses de idade. De acordo com o costume da família, viúva,
minha mãe teria que regressar para a família original, com
os filhos. Vovô não queria se separar dos netos e resolveu
casar papai com a cunhada dele, para dar continuidade à família.
Foi um golpe
duro para papai. Jovem e bonito, por certo papai deve ter vivido um dilema.
Claro que já tinha a sua eleita. Todavia, o amor pelos sobrinhos
suplantou tudo isso e papai se casou com a minha mãe.
Eu sou o segundo
filho nascido dessa união. Meus pais tiveram quatro filhos. As
duas irmãs moram no Japão, onde foram como dekasseguis.
Gostaram e ficaram por lá mesmo.
Porém,
meus pais comemoraram bodas de ouro e foram muito felizes. Meu pai foi
para o andar de cima em 1992. Dez anos depois, mamãe o seguiu.
Ele sempre
dizia que a convivência faz o amor. O amor verdadeiro transforma-se
em eterna amizade. Somente assim o casamento perdura.
Eu nunca vi
papai e mamãe brigarem. Eles sempre viveram na mais completa harmonia.
Os imigrantes
japoneses viveram com suor e lágrimas as histórias pessoais
de cada um deles, e ajudaram a construir os alicerces desta forte nação
que é o Brasil.
O japonês
é um povo festivo. Não importa as condições:
a comemoração não pode faltar. No ano-novo, antes
de o sol nascer, os homens reuniam-se no clube da comunidade, enquanto
as mulheres ficavam em suas casas, preparando guloseimas para a comemoração.
Meio sonolento,
lá estava eu, criança, em fila, esperando o sol nascer.
Assim que os primeiros raios matinais nos atingiam, cantávamos
o hino nacional japonês, hasteando a bandeira. Depois do hino, reverenciávamos
e saudávamos o imperador. Por fim, os jovens cantavam o hino nacional
brasileiro, enquanto a bandeira brasileira se elevava no mastro.
Mais tarde,
os grupos divididos em meninos, adolescentes, solteiros e casados iam
de casa em casa saudar o ano-novo. A família visitada oferecia
sushis e guloseimas com guaraná da Antarctica ou Bhrama (não
existiam outras marcas). Quando chegava grupo de casados, a maioria preferia
cerveja. E cerveja quente, porque não tinha geladeira. Não
sei como eles tomavam cerveja quente tão avidamente!
Essa visitação
de casa em casa durava três dias. No dia 4 de janeiro, tudo voltava
à normalidade. Significava volta ao trabalho.
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