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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
No meu tempo
de criança, bastava o homem saber manejar uma enxada e ele tinha
o emprego garantido em muitas fazendas de café. Corria a década
de 50. Logo de manhã, um condutor e uma charrete aguardavam a professora
na beira da estrada de terra onde passava o ônibus. A professora
descia do ônibus, tomava a charrete e percorria mais alguns quilômetros
até chegar à escolinha da fazenda, onde a criançada
já a aguardava.
Ela dava aula
ao primeiro ano, segundo ano e terceiro ano do curso primário na
mesma classe. Mas o ensino era bem melhor que o de hoje. A criançada
sabia respeitar a mestra e aprendia. A escola pública tinha o seu
devido valor, só estava na escola privada quem não tinha
muita capacidade, segundo diziam. Atualmente, o ensino público
decaiu e, freqüentemente, certos alunos estão batendo nos
professores e até os ameaçando de morte.
Então,
começou-se a exigir o estudo até o 4º ano primário
para se ter um emprego na cidade. E, aos poucos, o comércio e a
indústria começaram a exigir pelo menos o ginásio.
Hoje em dia, o candidato a um bom emprego precisa de mais que o ensino
fundamental, um curso profissionalizante ou um diploma na faculdade.
Na década
de 50, os vereadores não recebiam nada; simplesmente davam sua
contribuição à comunidade, ao município. Hoje,
virou profissão, um meio de ganhar dinheiro de todas as maneiras.
O caminho ideal para a corrupção.
Lembro que,
no meu tempo de primário, a gente hasteava a bandeira nacional
e cantava o hino brasileiro, despontando a civilidade e o amor à
pátria desde a mais tenra idade. Não existia jardim nem
pré naquela época.
A maioria dos
profissionais eram rábulas. Bons tempos aqueles; e o tempo não
regride.
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