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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Funeral
é sempre melancólico. Por mais que a gente não queira,
o coração sente, embora faça 22 anos que houve a
nossa separação. Estávamos casados há sete
anos, quando ela conheceu outro homem, aliás, um rapaz de 19 anos.
Ela não levou em conta os nossos três filhos pequenos; preferiu
seguir esse arrebatamento. Com uma mão na frente e outra atrás,
eu e meus filhos tivemos que deixar a nossa confortável casa.
Começar
do zero. Um amigo me emprestou a sua casa de campo, onde acomodei meus
filhos. Trabalhei em três empregos até que comprei uma nova
casa. No entanto, nunca, em tempo algum, briguei com a minha ex-esposa.
Mantive uma convivência pacífica. Ela, sempre que podia,
visitava os filhos, passava os dias festivos conosco, juntamente com o
companheiro.
Ela contraiu
uma doença grave trazida pelo companheiro. Perdeu o bom emprego
e nunca mais arrumou outro, sobrevivendo de biscates. Os bens que ficaram
com ela, aos poucos ela os vilipendiou, chegando à miséria
absoluta.
Então,
em fevereiro de 2008, ela foi internada em estado terminal. Os filhos
a visitavam todos os dias. Duas semanas depois, ela foi para o andar de
cima. Neste ano, ela completaria 50 anos. Que Deus a tenha.
Nunca mais
me casei. Vivo feliz, hoje mais ainda, com o calor de meus quatro netinhos.
Os filhos são queridos, mas o amor que a gente sente pelos netos
é diferente. Os netos fazem dos vovôs gato e sapato e nos
tornam felizes.
No fundo, embora
eu não aprove o comportamento, sinto certa admiração.
Ela teve coragem de abandonar tudo por um novo amor.
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