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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Todos
os dias, escrevia os meus desgostos e canseiras. Alguns anos depois, ao
relembrar as minhas amarguras passadas, reli, sorrindo, o que escrevera,
chorando. A preocupação é a mais popular das formas
do suicídio. Os deuses que adoramos gravam-nos nos rostos o seu
nome.
Uma vez, um
mago teve tanta pena de um ratinho sempre apavorado com a idéia
de cair nas garras do gato que o transformou em gato.
Mas o novo
gato começou a ter medo do cão e o feiticeiro mudou-o em
cão. O cão tornou-se medroso do tigre, e o mago em tigre
o transformou ainda. Mas as preocupações não findaram.
Agora, o tigre temia constantemente o caçador. Aborrecido, o mago
fez voltar a ratinho e disse-lhe:
Já
que você tem nervos de rato, para mim é impossível
lhe auxiliar com a forma de um animal mais nobre.
Abundam as
pessoas incapazes de se libertar de terrores o espírito.
Quando pobres,
imaginam que a riqueza e a saúde os libertariam de receios e preocupações;
julgam que, se tivessem isto ou aquilo, se o seu meio fosse diferente,
podiam se livrar da inquietação e de toda a sua família
de vampiros; mas, quando obtêm o que desejavam, o mesmo velho inimigo
os persegue sempre, embora sob forma diferente.
Os maiores inimigos da felicidade são o temor e a preocupação.
Em toda a parte
e sempre, é uma maldição verdadeira. Sem aqueles
dois destruidores de alegria, poderíamos vencer melhor as dificuldades
que encontramos na vida, suportar melhor os infortúnios ou os desastres
que nos acontecem.
O temor é
bem um velho inimigo e o seu detestado cúmplice é a preocupação.
O temor tem existido sempre, mas a preocupação é
uma doença do nosso tempo.
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