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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Entre
os sonhos diferentes que brotam de cada mente humana, aparece um punhado
em que se apresenta a quase todos os sonhadores. Sonhos nos quais se cai,
ou é perseguido, ou se eleva pelos ares, ou perde a mobilidade,
parecem ser manifestações comuns de uma experiência
humana compartilhada. Aparentemente, nosso sonhador nunca perdeu de vista
uma verdade elementar: apesar das múltiplas formas em que a humanidade
se fragmentou através da história, seguimos sendo integrantes
de uma única espécie.
Alguns sonhos
são típicos de uma determinada cultura. A fantasia na qual
o sonhador está prestando um exame, e fixa a vista sem compreender
o papel posto diante de si, é uma expressão de ansiedade
muito comum nas sociedades industrializadas. Porém, o sonho de
se sentir perseguido atravessa as fronteiras culturais. Um ianomâmi
pode sonhar que é acossado por um animal; um carioca, por um homem
com uma arma; mas o temor de se sentir atacado é um sentimento
tão elementar, que esses sonhos aparecem em todas as sociedades.
Apesar de tudo, inclusive os sonhos comuns têm significados ligeiramente
diferentes para cada sonhador.
Para interpretar
um sonho alheio, é condição indispensável
que o sujeito aceda a comunicar as idéias inconscientes, que se
concedem detrás de seu conteúdo manifesto. Sem dúvida
e em contraposição com a geral liberdade de que todos nós
gozamos para conformar nossa vida onírica, segundo nossas personalíssimas
peculiaridades, fazendo-as, assim, incompreensíveis às demais,
existe certo número de sonhos que quase todos sonhamos em idêntica
forma e sobre os quais supomos terem, para todo indivíduo, igual
significado.
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