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(Texto:
Minami Keizi | Foto: Divulgação)
Conta uma
lenda oriental que um gênio poderoso prometeu a uma donzela um presente
de raro valor, se ela atravessasse um milharal e, sem parar, nem retroceder,
nem se desviar para qualquer dos lados, colhesse a espiga maior e mais
madura; o prêmio seria proporcional ao tamanho e à beleza
da espiga.
A donzela atravessou
o campo encontrando, a cada passo, espigas dignas de serem colhidas, mas
continuava a procurar, esperando sempre encontrar uma espiga maior e mais
bela. Chegou, enfim, àquela parte do trigal em que as espigas eram
menores e preferiu não colher nenhuma.
Essa fabulazinha
é a pintura fiel da vida de muitos que vão desprezando as
coisas boas que encontram ao seu alcance pelo caminho, sempre na esperança
vã de encontrar uma felicidade maior.
Quando é
noite escura e o sítio perigoso, vale mais uma lanterna na mão
do que uma dúzia de estrelas.
Só é
feliz, pois, aquele que aprendeu a extrair a felicidade, não de
condições ideais, mas das condições de vida
vulgar.
O homem que
possui esse segredo não esperará mudanças maravilhosas,
nem reservará o gozo da felicidade para quando for rico e puder
viajar pelo estrangeiro e rodear-se de obras-primas, mas tirará
o melhor partido possível da sua situação presente.
Vovô,
por ter formação universitária, além de ser
bonzo budista, todas as semanas, com toda a família reunida, celebrava
uma missa e, logo após, pregava o seu sermão. Lembro-me
da referida fábula citada num de seus sermões. Na época,
eu achava chato ficar sentado durante horas, mas foram muito úteis
os seus ensinamentos no transcorrer da minha vida.
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