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(Foto:
Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Minha avó, a quem, nós, os netos, aprendemos a chamar,
carinhosamente, de Okan (mãe), era uma autêntica lavradora,
ao contrário do vovô, que freqüentou uma universidade
e se graduou médico. Ao escrever um artigo sobre o centenário
da imigração japonesa, em 2008, lembrei-me, com saudades,
deles.
Se vovô resolveu imigrar para o Brasil, foi porque não via
perspectivas no Japão da Era Taisho (1912 a 1926). Oficialmente,
a imigração japonesa para outros países começou
com a queda do xogunato Tokugawa e a ascensão do imperador Meiji
(1868). Os primeiros imigrantes foram para a Havaí, a Austrália
e a região de Nova Caledônia. Quando as ilhas do Havaí
se tornaram território dos Estados Unidos, houve a proibição
de entrada de imigrantes naquele arquipélago. Eles foram encaminhados
aos Estados Unidos, ao Canadá e à Austrália.
Porém, por questões raciais, a Austrália cerrou
as suas portas, no início do século XX, para a imigração
japonesa. Então, os japoneses procuraram novas oportunidades: e
a América do Sul apareceu como uma ótima opção.
Assim, a 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru ancorou, no Porto de
Santos, Brasil, com os primeiros 773 imigrantes da terra das cerejeiras.
Que os primeiros imigrantes sofreram, não resta dúvida.
Afinal, não era nada daquilo que os panfletos diziam. O ouro não
aflorava da terra, a árvore que dava dinheiro o café
dava dinheiro, sim, mas para os seus respectivos donos.
Hoje, os nikkeis são o orgulho da nação. O Japão
virou uma potência econômica, necessitando cada vez mais de
mão-de-obra, fazendo com que os descendentes de imigrantes japoneses,
por sua vez, trilhem o caminho inverso, à procura de uma perspectiva
melhor na terra do Monte Fuji.
Muita coisa mudou nestes cem anos e, no próximo centenário,
provavelmente o Brasil, este gigante adormecido, será, de fato,
uma potência onde não haja tanta diferença social.
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