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WICCA
Por uma nova potência, sem tantas diferenças sociais
Há quase cem anos, chegavam
os primeiros 773 imigrantes ao Brasil

(Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Minha avó, a quem, nós, os netos, aprendemos a chamar, carinhosamente, de Okan (mãe), era uma autêntica lavradora, ao contrário do vovô, que freqüentou uma universidade e se graduou médico. Ao escrever um artigo sobre o centenário da imigração japonesa, em 2008, lembrei-me, com saudades, deles.

Se vovô resolveu imigrar para o Brasil, foi porque não via perspectivas no Japão da Era Taisho (1912 a 1926). Oficialmente, a imigração japonesa para outros países começou com a queda do xogunato Tokugawa e a ascensão do imperador Meiji (1868). Os primeiros imigrantes foram para a Havaí, a Austrália e a região de Nova Caledônia. Quando as ilhas do Havaí se tornaram território dos Estados Unidos, houve a proibição de entrada de imigrantes naquele arquipélago. Eles foram encaminhados aos Estados Unidos, ao Canadá e à Austrália.

Porém, por questões raciais, a Austrália cerrou as suas portas, no início do século XX, para a imigração japonesa. Então, os japoneses procuraram novas oportunidades: e a América do Sul apareceu como uma ótima opção. Assim, a 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru ancorou, no Porto de Santos, Brasil, com os primeiros 773 imigrantes da terra das cerejeiras.

Que os primeiros imigrantes sofreram, não resta dúvida. Afinal, não era nada daquilo que os panfletos diziam. O ouro não aflorava da terra, a árvore que dava dinheiro – o café dava dinheiro, sim, mas para os seus respectivos donos.

Hoje, os nikkeis são o orgulho da nação. O Japão virou uma potência econômica, necessitando cada vez mais de mão-de-obra, fazendo com que os descendentes de imigrantes japoneses, por sua vez, trilhem o caminho inverso, à procura de uma perspectiva melhor na terra do Monte Fuji.

Muita coisa mudou nestes cem anos e, no próximo centenário, provavelmente o Brasil, este gigante adormecido, será, de fato, uma potência onde não haja tanta diferença social.


*Minami Keizi
Natural de Getulina, interior paulista, é formado em Jornalismo e em Desenho. Começou escrevendo em 62 para o Jornal Juvenil. Foi o primeiro desenhista a desenhar no estilo mangá, publicando tiras diárias no Diário Popular (65) e revista própria (Tupãzinho) de 66 a 72. Faz previsões astrológicas para vários semanários do interior. Escreve também para diversas revistas, inclusive no exterior. Tem mais de 800 livros publicados. E-mail: mkeizi@terra.com.br

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