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Terça-feira, 19 de setembro de 2017 - 23h05
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Ano-Novo no Japão só termina em meados de janeiro
Até o dia 15, japoneses realizam cerimônias tradicionais para saudar o ano que se inicia

Em Quioto, o jogo praticado por seis a oito homens, que mais parece uma partida de peteca com os pés, é realizado no dia 4 de janeiro para pedir boa safra no novo ano
 

O kagamimochi é dividido no dia 11 ou 14 de janeiro, dependendo da região, e distribuído entre membros da família

Deus do Ano-Novo aloja-se no kadomatsu, feito de galhos de pinheiro e bambu, e colocado na entrada principal da casa

(Reportagem: Yoko Fujino/NB | Fotos: Kyodo)

Após uma semana de recessso, em que quase todas as empresas param, exceto as do setor de serviço, os japoneses voltaram ao batente no dia 3 e o arquipélago retomou o ritmo frenético. Mas o Ano-Novo ainda não terminou, ao menos para aqueles que mantêm vivas as tradições.

Muitas atividades relacionadas ao início do novo ciclo acontecem depois do sanganichi, os três primeiros dias de janeiro, até o dia 15 de janeiro, período chamado de matsunouchi. O nome refere-se ao enfeite de Ano-Novo kadomatsu que deve ser mantido na casa até esta data. Não devem ser retirados antes, porque acredita-se que Toshigami, deus do novo ano, aloja-se no kadomatsu – que é feito com galhos de pinho, bambu e palha de arroz e colocado na entrada principal da casa para afastar os maus fluídos

No final da primeira quinzena celebra-se o fim do shougatsu. A data é conhecida como koshougatsu, ou “pequeno Ano-Novo”. Em algumas regiões o koshougatsu recebe o nome de onna-shougatsu, ou “Ano-Novo das mulheres”, porque elas só conseguem descançar depois de passadas as festividades tradicionais. Se os três primeiros dias do ano novo têm caráter público, a comemoração do dia 15 é mais familiar e intimista.

Nessa noite acontece o dondo-yaki ou sagichou. Os enfeites como kadomatsu, hamaya e shimekazari são reunidos pelas crianças ao longo do dia, e à noite são queimados numa fogueira. Ao incinerar estes objetos, o deus do Ano-Novo estaria sendo enviado de volta ao céu. Diz a tradição que comer mochi (bolinho de arroz) assado neste fogo santo é garante-se a boa saúde durante o ano todo.

De “futebol” a jogo de cartas

Nos dias de hoje o koshougatsu é pouco comemorado nas áreas urbanas, mas nas zonas rurais e cidades tradicionais como Quioto e Kanazawa a data é festejada por crianças e adultos. Muitas atividades de templos xintoístas concentram-se entre a segunda e a terceira semana de janeiro como resquício da época em que o Japão usava o calendário lunissolar, abolido no início da era Meiji, mais examente em 1872.

No templo xintoísta de Shimogamo, em Quioto, homens vestidos de nobres do período Heian (séc. 8 a 12) jogam bola com os pés no dia 4 de janeiro no kemari-hajime. A cerimônia é uma oferenda aos deuses para pedir fartura na produção de cerais. Numa quadra de 15m x 15m, de 6 a 8 homens brincam com uma bola feita com couro de veado ou de cavalo. O jogo se assemelha a uma partida de peteca ou bola ao alto com os pés, e quanto mais tempo ela ficar no ar, melhor.

Na província vizinha, Shiga, o jogo é de cartas. O templo xintoísta de Oumi promove no dia 8 de janeiro o torneio que elege o campeão de karuta. Neste jogo, também chamado de hyakunin-isshu, dois competidores sentam frente a frente, separados por 100 cartas ilustradas, que fazem par com cartas com poesias. Quando a poesia é lida, o jogador deve pegar a carta ilustrada equivalente. Ganha quem pegar o maior número de cartas. Como a parte ilustrada possui somente a segunda linha da poesia, é necessário boa memória para lembrar as 100 poesias, escritas entre o século 8 e século 14. No campeonato do templo de Oumi, os finalistas disputam vestidos a caráter como nobres do período Heian.

Há também o dezomeshiki, cerimônia do Corpo de Bombeiros na qual se faz demonstração de suas habilidade no trato com o fogo e prevenção do alastramento de incêndio. A atividade começou no Ano-Novo de 1659, quando quatro equipes de hikeshi (antiga denominação para bombeiros) lideradas por Masanori Inaba reuniram-se para elevar o espírito dos moradores de Edo (antiga Tóquio), destruído no ano anterior por um grande incêndio. O ponto alto do dezomeshiki é o hashigo nobori, em que o bombeiro faz malabarismo sobre uma escada, para demonstrar sua habilidade nas alturas.


Demonstração de equipes de bombeiros
remontam ao século 17

Entregadores dos correios vestidos à maneira antiga entregam cartões de Ano-Novo (nengajou) no dia 1º, em Tóquio

Mesmo com a economia estagnada, japoneses fazem fila para comprar os fukubukuro (“sacolas da sorte”), típicas do Ano-Novo

Novas tradições

Enquanto as cerimônias tradicionais são exibições públicas, os japoneses incorporam novos costumes, com participação direta – no bolso inclusive.

Antes do início das liquidações as lojas de departamento vendem o fukubukuro (sacola da sorte). Mesmo sem saber o conteúdo os consumidores fazem fila para adquiri-lo, já que os produtos contidos valem mais que o preço cobrado. Podem ser encontrados desde acessórios de inverno como cachecóis e luvas até eletrodomésticos e joias. Há também fukubukuro de lojas especializadas, como casas de chá e cafeterias, com exemplares de edições especiais e produtos de linha de luxo que saem mais em conta. Por causa da demanda dos consumidores, há lojas que colocam à venda fukubukuro com produtos pré-estabelecidos, como por tipo e tamanho.

As sacolas da sorte começam a ser vendidos no dia 2 nas grandes lojas. Nesta data é comum os compradores mais jovens se juntarem para trocar os produtos que não querem com os colegas. Algumas casas comerciais oferecem serviço de entrega para aqueles que compraram demais e não conseguem carregar todas as sacolas.

Pessoas que não tiveram tempo de enviar cartão de Ano-Novo também aproveitam este período para atualizar a correspondência. Os correios fazem entrega especial do nengajou (cartão de Ano-Novo) a partir do dia 1º de janeiro, e contratação carteiros temporários para atender a demanda.

Os cartões de Ano-Novo são recebidos com alegria, pois além de notícias de pessoas queridas traz algo a mais: os cartões oficiais dos correios possuem um número da sorte. O sorteio é realizado dia 23 de janeiro, e os prêmios vão desde selos até viagens e eletrônicos como TV LED e bicicleta elétrica.

Alimentação

A alimentação é um dos ítens que mais persistem entre as antigas tradições. Um dos mais populares é o nanakusa-gayu, um mingau de arroz com sete ervas, que é servido no dia 7. O mingau vem com seri (erva parecida com salsinha), nazuna (bolsa-de-pastor), gogyou (também conhecido como hahakogusa), hakobera (stellaria), hotoke-no-za (erva semelhante a dente-de-leão), suzuna (rabanete) e suzushiro (nabo). Come-se o mingau para desejar saúde para a família, mas na prática tornou-se uma maneira de dar trégua ao organismo, combalido com os excessos do Ano-Novo. De fato, a bolsa-de-pastor tem função diurética, e o rabanete e o nabo são ricos em diastase, que ajuda na digestão. Como a maioria dos japoneses mora longe de locais onde há estas ervas, muitos supermercados vendem o kit completo.

No dia 11 ou dia 15, dependendo da região, acontece o kagamibiraki, ou o ato de “abrir” o kagamimochi, enfeite preparado com dois mochis de forma arredondada. O bolinho de arroz é separado sem uso de faca, porque é oferenda a deuses e objetos cortantes lembram a morte. Na região de Kansai este mochi é comido no dia 15, assado na fogueira do dondo-yaki. Dizem que ao comer este mochi a pessoa recebe a sorte trazida pelo deus do Ano-Novo e terá saúde o ano todo.

O mochi também pode ser comido com o azukigayu, um mingau de arroz com feijão azuki. Acredita-se que a cor avermelhada do feijão espanta os maus espíritos, dando proteção à saúde e à vida em família durante o ano. Este mingau também é oferecido aos deuses nos templos xintoístas como Kamigamo e Shimokamo, em Quioto. Em templos como Kumano e Suwa lê-se a sorte usando o mingau, neste mesmo dia (15). Independente do resultado, no dia 16 a vida volta à normalidade para os que mantêm a tradição, quase duas semanas depois do Japão contemporâneo.

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