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Quarta-feira, 28 de junho de 2017 - 2h16
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Natal à japonesa: sem feriado, ceia, missa e nem panetone
Japoneses inventam várias formas de comemorar a data, rebatizam Papai Noel
e renovam o cardápio. E preservam a essência da data à sua maneira


Cidades recebem decoração e crianças ganham presentes, mas dia 25 não é feriado no país

(Fotos: Kyodo)

Pode não ser verdade, mas conta-se que um turista estrangeiro ficou chocado ao entrar em uma loja de Quioto, às vésperas de um Natal dos anos 1950 ou 1960, e se deparar com o Papai Noel pregado à cruz que os cristãos usam como símbolo de sua igreja. Não era nenhuma afronta religiosa ou coisa do tipo, mas o fato é que, para a esmagadora maioria dos japoneses daquela época, a data não fazia o menor sentido e uma pequena falha de comunicação podia ter levado a mal entendidos do tipo. Hoje, em um mundo globalizado, com internet, estrangeiros fluentes em japonês e nipônicos poliglotas, confusões dessas não acontecem mais. Pode até ser, mas é difícil fazer os japoneses entenderem o real significado do Natal. Após crucificarem o bom velhinho, os nipônicos vivem dando significados diferentes ao nascimento de Jesus Cristo.

Nos anos 1980, por exemplo, começou a moda de se comemorar o dia 24 de dezembro a dois, de preferência em um lugar bem romântico e com hora marcada, pois todos trabalham no dia 25. Não se sabe como a véspera da data mais sagrada do Ocidente acabou virando uma espécie de Dia dos Namorados para os japoneses no arquipélago, até porque os casais têm ocasião específica para comemorar: 14 de fevereiro, o Valentine’s Day. Mas o fato é que hotéis e restaurantes costumam ficar com suas reservas esgotadas com várias semanas de antecedência no dia 24 de dezembro. Para não perder o toque natalino, os casais trocam presentes entre si.

Embora essa versão romântica do Natal ainda seja unanimidade entre os mais jovens, no passado, as famílias que tinham por hábito comemorar a data, passaram a ser influenciadas por filmes, canções e histórias natalinas, e começaram a fazer algo bem parecido ao da versão ocidental: uma festinha bem informal em que os participantes trocam presentes entre si e se deliciam com um jantar diferenciado – que, no entanto, é servido apenas no dia 25. Na mesa, em vez do tradicional peru, o kara-age (pedaço de frango desossado e frito). E no lugar do panetone, o kurisumasu keeki (bolo branco de Natal, feito com pão-de-ló, coberto com morangos e chantili).

Os comerciantes do arquipélago não deixaram por menos. Aproveitando a grande publicidade vinda do Ocidente – e o fato de os trabalhadores costumarem receber seus bônus, que chegam a três vezes o salário de um mês –, transformaram as cidades japonesas em um verdadeiro espetáculo de luzes e magia. Metrópoles como Tóquio e Yokohama (Kanagawa), por exemplo, se enchem de decoração típica natalina, com milhares de “Papais Noéis” vagando pelas lojas de departamento e, além disso, pipocam promoções de todos os tipos pelo país. Ou seja, uma versão bem próxima ao Natal celebrado do lado de cá do globo.

No entanto, para não ficar tão genérico assim, alguns japoneses decidiram rebatizar o Papai Noel. Em vez de reverenciar a tradicional figura de São Nicolau (Santa Claus), o inspirador do bom velhinho no Ocidente, prestaram uma homenagem a Jizo, a mais querida divindade do budismo no Japão e que é tido como o guardião das almas das crianças que morrem antes de seus pais. A moda não pegou como se esperava, mas, ao menos, a popularidade do monge budista continua intacta.

Manjedoura

O dado curioso é que em meio a tudo isso, muitas crianças japonesas ouvem pela primeira vez sobre o nascimento de Jesus Cristo, data comemorada no mundo todo com o Natal. E se encantam com a história. Menos pelos milagres realizados ou pela própria divindade de Cristo e mais por um detalhe que passa despercebido para a maioria dos cristãos: a manjedoura em que Jesus nasceu. Como se sabe, a maioria das crianças pequenas do arquipélago costuma dormir no futon ao lado dos pais, sendo que algumas delas jamais tiveram contato com um berço.

E assim, pouco a pouco, os japoneses vão criando sua própria maneira de comemorar o Natal, uma data que, se ainda não tem nada de sagrado para eles – menos de 2% da população do país é cristã –, ao menos já se popularizou como uma época de lembrar de boas ações e bons momentos, além de reunir amigos, familiares e amores para um dia de confraternização e alegria. Em suma, apesar das falhas na tradução e dos mal-entendidos pelo caminho, não há dúvidas de que o espírito natalino e a essência da data foram preservados.

 

Apesar de não comemorar o dia 25 de dezembro,
que, aliás, nem é feriado, vários pontos do Japão entram em clima de Natal e criam enfeites tão bonitos e pomposos quanto os dos países ocidentais. Em sentido horário:


Árvore de 27m de altura é iluminada por 100 mil lâmpadas, em complexo de diversão em Shin Umeda, Osaka.

O Grand Prince Hotel Akasaka, em Tóquio, iluminado com uma gigantesca árvore multicolorida.

“Santa Helper”, vestida de Mamãe Noel, abre a vitrine para a moça pegar seu presente durante um evento em que pessoas desconhecidas deixavam um presente e escolhiam outro para si, em Fukuoka.

Árvores iluminadas próximas ao Roppongi Hills, um dos locais de compras mais elegantes de Tóquio.
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