PORTAL NIPPOBRASIL ONLINE - 19 ANOS
-
Fale conosco: adm@nippo.com.br   
Sábado, 29 de abril de 2017 - 12h34
DESTAQUES:
Especial
Executivos japoneses no Brasil convivem com diferenças culturais
 

(Reportagem: Yoko Fujino/NB | Fotos: Kyodo)

É comum nos dias de hoje um executivo talentoso receber uma oferta para trabalhar por algumas temporadas fora de seu país. O convite, na maioria das vezes, significa que ele está bem cotado na empresa e que essa pode ser a oportunidade que ele tanto esperava para sua carreira deslanchar. Mas como será a vida em um país estranho? Muitos nem se preocupam com isso antes de embarcar; afinal, planilhas de balanço, dados sobre a lucratividade ou produtividade de uma determinada empresa são iguais em qualquer lugar do mundo. O problema é que a cultura nos negócios e os hábitos do dia a dia são muito diferentes de país para país e eles só se dão conta disso quando já estão na nova pátria. Os executivos japoneses que vieram parar no Brasil sabem bem o que é isso. Eles se surpreendem com quase tudo por aqui. Desde a compra de um grampeador até a hora do parto.

Curiosamente, a alimentação, menos adocicada que no Japão, não causa tantos problemas. “O que sinto vontade de comer quando volto ao Japão é ovo cru, algo que evito no Brasil (devido ao perigo da salmonela). Aqui, fico com vontade de comer arroz com ovo cru, mas não como”, diz Rei Oiwa, diretor de pesquisa da Jetro, agência japonesa que tem a finalidade de promover os investimentos e o comércio exterior do arquipélago. Já Hiroyuki Morita, que trabalha numa empresa automobilística japonesa e mora em Campinas (SP), tem outros desejos, mas não tão fortes a ponto de deixar seu posto no Brasil: “Sinto no máximo falta de lámen, mas dá para me contentar com o servido na Liberdade”. Se a comida não é problema, o valor gasto nas refeições é motivo de reclamação. Eles lembram, por exemplo, dos bentôs e gyudons, que custam no Japão de 200 (R$ 4,13) a 300 ienes (R$ 6,19), uma ninharia para os padrões japoneses, e afirmam que é mais caro comer fora no Brasil.

Na hora do parto

As mulheres japonesas que vêm juntas com os maridos e passam a viver o mesmo cotidiano no estrangeiro deparam-se com diferenças culturais específicas femininas. “Fiquei assustada com o grande número de brasileiras que optam pela cesariana na hora do parto”, revela Rika Azuma, representante de uma agência de publicidade nipônica no País. Ela conta que já foi aconselhada por pessoas desconhecidas a não fazer a cesárea porque “ouviu falar que dói muito”. Este método no Japão é o último recurso para o nascimento de uma criança. No arquipélago, as japonesas estão habituadas ao parto normal e farão todo o possível para que seja dessa forma na hora de ter o seu filho.

Rika, que cria seu filho no Brasil, também sente que, mesmo sem má intenção, as pessoas interferem muito na criação das crianças. Ela lembra já ter ouvido alguém lhe indagando se o menino não estaria sentindo frio vestindo-se de determinada maneira. Apesar da invasão de privacidade, Rika elogia o tratamento que é dado no País às mães com filhos pequenos, que, ao contrário do Japão, é exemplar. No aeroporto, por exemplo, não foi apenas uma vez que teve prioridade no embarque porque estava com uma criança.

 
Brasil dos extremos

Se o cotidiano não lhes é tão difícil e nem sentem tanta saudade das coisas do Japão, é no ambiente de trabalho que os executivos enfrentam as maiores dificuldades. Como é comum em cargo mais elevados, os colegas de trabalho, muitos vindos de diversas partes do mundo, adotam o inglês como linguagem comum entre eles. Em princípio, isso eliminaria qualquer problema de comunicação entre os funcionários. Isso, na teoria, já que na prática a realidade é outra. Com diferenças de sotaques característicos de cada idioma materno, japoneses e brasileiros têm problemas em se entender. Por um lado, os nipônicos têm clara dificuldade em diferenciar a pronúncia do “r” e do “l”. Já os brasileiros não escondem a influência da língua latina na hora de falar inglês.

“A verdade é que no Brasil, tanto as coisas boas como as ruins são extremas. Por exemplo, se de um lado há pessoas que têm dificuldade com conversação básica em inglês, há muitas pessoas da elite que se formaram em universidades fora do País, e não são poucas as que se comunicam em inglês melhor que os japoneses. Porém, há poucas pessoas que têm nível médio de conversação (em inglês)”, observa Oiwa, da Jetro.

O executivo, por sinal, fala que esses extremos do Brasil não se resumem à bagagem cultural de seus habitantes nativos. “O mesmo acontece com produtos. De um lado, há artigos de luxo, de altíssima qualidade, e, de outro, produtos baratos, que são uma porcaria. Não há produtos de qualidade mediana por um preço mediano”, reclama. Oiwa chega até mesmo a sugerir aos compatriotas que vierem ao Brasil uma lista de pequenos produtos que devem trazer para o País. Ele relaciona: grampeador, caneta esferográfica, fita adesiva e porta-cartão de visitas.

A opinião, no entanto, não é unânime. Mais conciliador, Morita prefere comprar tudo por aqui. “No geral, o custo é alto, mas é possível, sim, comprar no Brasil”, afirma ele, funcionário de uma montadora, que diz não ter dificuldades nem para encontrar os grampos para os grampeadores do tamanho 10 usados no Japão – no Brasil é comum o 26/6, um pouco maior. (Kenji Miyo, especial para o NippoBrasil)

 Busca
 Especial
Especial - Nippo-Brasil
• Festa de celebração do Ano do galo 2017 em São Paulo e previsões
Especial - Nippo-Brasil
• + 10 Provérbios Japoneses
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 311
• Gairaigo: as palavras estrangeiras na língua japonesa
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 304
• Provérbios do Japão:
sabedoria através dos tempos
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 302
• Hanami, uma bela tradição japonesa
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 301
• Simbologia japonesa: os animais
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 300
• Simbologia japonesa:
as flores e as árvores
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 281
• Você sabe o que significa seu sobrenome?
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 279
• Oriente-se para fazer ginástica!
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 271
• Bonsai, a natureza em miniatura
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 253
• Desvendando os
seres da mitologia japonesa
Especial - Nippo-Brasil
• Kaburimono (literalmente, aquilo que se põe na cabeça)
Especial - Nippo-Brasil
• Conheça alguns amuletos e preces orientais
Especial - Nippo-Brasil
• Shichifukujin, as sete divindades
Especial - Nippo-Brasil
• Daruma: sinônimo de sucesso
Especial - Nippo-Brasil
• A história da Hello Kitty
Especial - Nippo-Brasil
• A história e a tradição do Maneki Nekô no Japão
Especial - Nippo-Brasil
• Escrevendo seu nome brasileiro em caracteres japoneses
Especial - Nippo-Brasil
• 10 Provérbios Japoneses
Arquivo Nippo-Brasil - Edição 27
• Crueldade marca início
do bairro da Liberdade
Arquivo Nippo-Brasil - Edição 26
• Liberdade: um pedacinho
do Japão em São Paulo
• Nomes japoneses mais populares de 2013
• Aprender chinês não é tão difícil assim
• Homens donos de casa
• Executivos japoneses no Brasil convivem com diferenças culturais no País
• Japão ainda dificulta a carreira de mulheres
• Japão estimula funcionários a tirarem licença-paternidade
• Ano-Novo no Japão só
termina em meados de janeiro
• Marcos da imigração no Vale do Ribeira viram patrimônios históricos
• Natal à japonesa: sem feriado, ceia, missa e nem panetone
• Mulheres aderem à moda do plastimodelismo
• Editoras japonesas buscam formas de atrair mais leitores
• Ensino de japonês abre horizonte para estudantes da rede pública
• A nova imigração japonesa no Brasil
• Escolas em São Paulo ajudam a preservar cultura japonesa no País
• Mulheres casadas preferem ficar em casa do que trabalhar fora
• Japão oferece facilidades aos portadores de necessidades especiais
• Suicídios afetam 35 mil trens por ano
• Divórcios no Japão e Brasil:
Quando o amor acaba
• Maternidade torna-se problema social no Japão
• Helper: Os cuidadores de idosos
• Taikô à brasileira
• Como escolher o nome em Japonês
• As noivas que atravessaram o Atlântico
• Yosakoi Soran: Uma dança, muitas culturas
• Pontos comerciais guardam a história do bairro da Liberdade

© Copyright 1992 - 2016 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante.
Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

Sobre o Portal NippoBrasil | Fale com o Nippo