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Sábado, 29 de abril de 2017 - 12h37
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Japão ainda dificulta a carreira de mulheres
Passados 25 anos desde a implementação da lei que prega a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, japonesas ainda são minoria em cargos de liderança
 

Mais da metade das japonesas são funcionárias não efetivas, ou seja, está empregada em atividades de meio período

(Reportagem: Yoko Fujino/NB | Fotos: Kyodo)

A primeira lei japonesa que prega a igualdade entre os sexos no trabalho data de 1º de junho de 1985. Mas o que realmente mudou nestes últimos 25 anos? De acordo com um estudo feito por pesquisadores britânicos, muito pouco na verdade. Eles chegaram à conclusão que a sociedade local ainda impõe barreiras ao sucesso profissional das mulheres. Prova disso é que mais da metade das japonesas que trabalham no arquipélago são funcionárias nãoefetivas – a maioria tem emprego de meio período.

Segundo o estudo, grande parte delas voltou ao mercado de trabalho após o nascimento de seus filhos, assim como acontece em vários países da Europa. No entanto, as vagas de meio período no Japão são bem restritas no que se refere à quantidade de horas trabalhadas e à posição das mulheres dentro das empresas.

O ponto interessante levantado pelos pesquisadores é que essa situação é, indiretamente, alimentada pelo governo. Os homens podem incluir suas mulheres como dependentes na declaração de imposto de renda, desde que o salário delas não ultrapasse um milhão e 3 mil ienes (R$ 20.210) ao ano, se elas trabalharem em empregos de meio período. Assim, além de as mulheres não recolherem tributos, aliviam a taxação em cima do marido. Desta forma, o sistema tributário japonês encoraja não só elas e a família a permanecerem nessa situação como as empresas a pagarem menos às suas funcionárias.

Problema cultural

Para os pesquisadores, embora a questão financeira colabore, o cerne é mesmo cultural. Eles citam as corporações que ainda são adeptas da filosofia de que cabe aos homens o papel de chefe de família e provedor do lar enquanto para as mulheres basta um emprego para complementar a renda, geralmente em vagas para recepcionistas ou de atendimento ao cliente, sem grandes chances de promoção. E uma prova de que o problema está arraigado na sociedade nipônica é que essa “segmentação de gêneros” é bastante aceita em pesquisas de opinião.

“É necessário mudar a mentalidade das pessoas. Se isso não for feito, nada vai acontecer”, afirma Helen Macnaughtan, pesquisadora da Universidade de Londres. Helen diz ainda que é preocupante o fato de que as mulheres que possuem formação universitária – e que teriam mais chances de conquistar cargos de liderança dentro de uma empresa – são ainda menos propensas a trabalhar do que aquelas que possuem cursos técnicos ou não frequentaram a universidade.

Esse cenário se deve, em parte, à estrutura de trabalho das empresas japonesas. Em uma cultura em que é comum as longas jornadas de trabalho, ainda mais para aqueles funcionários essenciais na organização da companhia, fica impossível para as mulheres conciliarem carreira e família, principalmente para aquelas que têm filhos pequenos.

Estatísticas do governo japonês mostram que muitas das pessoas do sexo feminino que alcançam cargos estratégicos dentro das empresas acabam abandonando suas carreiras no auge, por volta dos 30 anos, idade em que se casam ou têm seus primeiros filhos. “Caso se depare com uma carga horária de 15 horas diárias, a maioria das mulheres desiste”, justifica Kuniko Inoguchi, ex-ministra de Igualdade Entre os Gêneros e Assuntos Sociais. O problema é tão grave que o Japão foi apontado em 2008 como o 54º país do mundo no ranking da Organização das Nações Unidas que analisa a igualdade entre homens e mulheres na sociedade.

Pior do que isso, é que mesmo aquelas que conseguem vagas em empresas estrangeiras, que tradicionalmente proporcionam um ambiente mais propício para a conciliação de carreira e família, sentem-se incomodadas com o próprio sucesso profissional. De acordo com o estudo, é muito comum as japonesas pedirem demissão por se sentirem desconfortáveis com suas promoções e suas raras funções de liderança em uma sociedade que não se mostra preparada para isso.

 
Exemplo que vem de cima

Gemba pede contratação de, ao menos, 30% de mulheres nos gabinetes do governo

O ministro da Reforma do Serviço Civil, Koichiro Gemba, defendeu recentemente que as mulheres respondam por, ao menos, 30% das contratações para postos nos gabinetes públicos até março de 2011. E não só ele prega essa ideia. Seu colega, Yoshito Sengoku, secretário-chefe do gabinete, afirmou que chegou a hora de oferecer condições iguais para candidatos de ambos os sexos. “Sinto que as agências do governo dão uma certa preferência para os homens mesmo quando as mulheres se mostram mais preparadas nos exames de seleção”, afirmou.

O comentário de Sengoku segue a política do primeiro-ministro Naoto Kan que já disse ser a favor de um maior número de pessoas do sexo feminino em posições estratégicas do governo. O ministro das Relações Exteriores, Katsuya Okada, no entanto, reiterou que as mulheres, às vezes, são obrigadas a abandonar seus cargos devido ao exigente sistema de trabalho japonês. Ele defendeu uma jornada que permita que elas possam trabalhar com cargas horárias reduzidas em funções públicas, quando necessário.

De acordo com dados do governo, 1.314 candidatos, incluindo 272 mulheres, foram aprovados no exame para ingresso na carreira pública. Destes, 531 pessoas serão contratadas após entrevistas nos próprios ministérios e agências.

1,3 milhão de vagas

E as medidas não param por aí. Um documento do governo prevê que sejam abertas mais de 1,3 milhão de vagas na iniciativa privada apenas com a criação de um ambiente de trabalho que permita às mulheres casadas e com filhos conciliarem agenda profissional e familiar. A pesquisa governamental diz que a volta delas ao mercado de trabalho é essencial para a recuperação da economia japonesa em um momento em que o país começa a sentir os efeitos do envelhecimento crônico de sua população.

 
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