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Quinta-feira, 22 de junho de 2017 - 17h22
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Especial
Marcos da imigração no Vale do Ribeira viram patrimônios históricos
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional aprovou o tombamento de
14 bens culturais que marcam a colonização dos japoneses no litoral paulista

Antiga sede da Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK), empresa
que promoveu a colonização dos japoneses em Registro (SP)
 

Residência da família Fukasawa: construção será preservada pela iniciativa do Iphan

(Fotos: Bunkyo Registro/Cedida e Iphan/Divulgação)

O chão da sala é de tatami e as camas têm futon (coberta). A estrutura do imóvel é toda de madeira, mas não há nenhum prego ou parafuso, as vigas se conectam por sambladuras, ou encaixes. Até os telhados das igrejas têm as linhas arquitetônicas dos tradicionais templos orientais. Do lado de fora, a paisagem é dominada por plantações de chá.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai atuar na preservação desse cenário, encontrado nos municípios de Iguape e Registro, no litoral sul do Estado de São Paulo. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural foi unânime na aprovação do tombamento dos 14 bens culturais que são representações características da colonização japonesa em território brasileiro, encontrados no Vale do Ribeira (SP).

O dossiê de tombamento desses bens históricos complementa o trabalho em desenvolvimento no Iphan, que tem como temática central a Imigração no Brasil. De acordo com o censo do IBGE de 1940, 91,7% dos imigrantes no Brasil estavam no Estado de São Paulo.

Cultura de pai para filho

Rubens Shimizu, morador de Registro, membro da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Registro, que preserva a cultura deixada por seus antepassados, revela sua satisfação com a preservação do patrimônio: “Era um sonho da associação ter algum patrimônio tombado. Conseguimos o reconhecimento oficial na data de 18 de junho como marco da colonização japonesa no Brasil, mas precisávamos de bens preservados que representassem essa história. Esse título do Iphan é como um presente, não só para a associação, como também para toda a comunidade descendente dos imigrantes. Uma das casas tombadas foi onde eu nasci. Para mim é um orgulho muito grande”.

Shimizu conta que seu avô, que era agricultor, chegou ao Brasil em 1918, onde decidiu se estabelecer definitivamente. Na região onde vive, restam muitos aspectos das tradições e dos costumes trazidos do Japão. Algumas atividades, como a gincana poliesportiva undokai, disseminaram-se por toda a comunidade de Registro. A educação e a disciplina são as características da cultura que ele mais preza, aspectos do comportamento pessoal que são ensinados às crianças, em ambiente de muito respeito. Às gerações, são transmitidas algumas atividades tradicionais do Japão, como a prática de ginástica matinal, judô, danças típicas e a arte do taiko (tambor). A comunidade de Registro realiza anualmente a Festa do Sushi, o Obon (finados) e o Tooro Nagashi (celebração em homenagem à alma dos antepassados e entes queridos).

Flávia Nascimento, uma das técnicas do Iphan que conduziram o estudo da cultura transmitida por imigrantes japoneses no Vale do Ribeira, explica a importância de preservação dessa paisagem: “Esses bens tombados representam o esforço do imigrante japonês na adaptação ao território nacional. Sua arquitetura é uma mistura das técnicas construtivas brasileiras e orientais, um encontro de duas culturas. O tombamento desses bens do Vale do Ribeira significa o reconhecimento da cultura desses imigrantes como parte da expressão nacional”.

A chegada dos japoneses ao Vale do Ribeira

O primeiro passo para viabilizar a constituição das colônias japonesas no Estado paulista foi dado em 1912, com um acordo firmado entre o Governo de São Paulo e o Sindicato de Tokyo. O compromisso era de doação de vasta extensão de terras na região, além de concessão de recursos financeiros e de isenção de impostos. Em contrapartida, a instituição japonesa deveria introduzir duas mil famílias na região, num período de quatro anos. O contrato foi repassado pelo sindicato para a Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (KKKK, também chamada de Kaiko), que então conduziria toda a colonização japonesa no Vale do Ribeira.

A grande maioria dos imigrantes era de lavradores, que deram uma grande contribuição à agricultura nacional, introduzindo produtos que eram parte de seu cotidiano, como é o caso do arroz. Foram responsáveis, também, pela diversificação da produção agrícola nacional, principalmente em relação às frutas e hortaliças, trazendo o morango, a poncã, o caqui, a abóbora japonesa, o pepino e a acelga, só para citar alguns exemplos.

As colinas suaves do município de Registro, abrigadas das cheias, ofereceram boas condições para o plantio de chá na região, onde a mata foi substituída pelos chazais, marcando a paisagem do local. Outro produto típico que os japoneses exploraram nas várzeas foi o junco, usado para produzir as famosas esteiras e chinelos de fibra natural.

O domínio da carpintaria era habilidade de muitos imigrantes. Ao chegarem ao Brasil, empregaram estes conhecimentos e seu instrumental específico na construção das edificações. Os ambientes internos de suas casas eram simples, sem muitas divisórias e poucos móveis, com destaque para estrutura de madeira aparente.

 
Primeiras mudas de chá Assam
O plantio do chá preto no País teve início em 1935, quando Torazo Okamoto, imigrante japonês estabelecido na colônia de Registro, introduziu em suas terras a variedade assam, de origem indiana, que apresenta folhas mais largas sendo, portanto, mais produtiva e de maior qualidade. Espalhadas pelo município, as plantações fizeram dele o principal produtor e exportador de chá preto do Brasil.

Dispostas em cinco fileiras acompanhando o declive do terreno, em colina suave situada próxima à Fábrica de Chá Ribeira, as 65 mudas de chá trazidas por Okamoto foram preservadas pela sua família até hoje. São testemunhos da origem e trajetória de vida e de trabalho do imigrante japonês em terras brasileiras, em seu esforço de adaptação e criação de raízes em novo terreno.

 
Bens que serão preservados como patrimônios históricos nacionais
Edificações Fabris e Administrativas

1. Sede da Kaigai Kabushiki Kaisha – KKKK (Registro – Colônia Registro)
2. Fábrica de Chá Shimabukuro (Registro – Colônia Registro)
3. Fábrica de Chá Amaya (Registro – Colônia Registro)
4. Fábrica de Chá Kawagiri (Registro – Colônia Registro)
5. Fábrica de Chá e Residência Shimizu (Registro – Colônia Registro)
6. Engenho, Sede Social e Residência Colônia Katsura (Iguape – Colônia Katsura)

Edificações Residenciais

7. Residência Fukasawa (Registro – Colônia Registro)
8. Residência Gozo Okiyama (Registro – Colônia Registro)
9. Residência Sra. Susu Okiyama (Registro – Colônia Registro)
10. Residência Família Hokugawa (Registro – Colônia Registro)
11. Residência Família Amaya (Registro – Colônia Registro)

Edificações Religiosas

12. Igreja Episcopal Anglicana (Registro – Colônia Registro)
13. Igreja de São Francisco Xavier (Registro – Colônia Registro)

Patrimônio Paisagístico

14. Primeiras Mudas de Chá da Variedade Assam (Registro – Colônia Registro)


Residência da família Amaya: arquitetura mistura técnicas construtivas brasileiras e orientais de carpintaria

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Formado por 22 conselheiros, especialistas em diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia, é presidido pelo presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida. Ao Conselho Consultivo compete examinar, apreciar e decidir sobre questões relacionadas ao tombamento, ao registro de bens culturais de natureza imaterial e à autorização de saída temporária do País de patrimônio cultural protegido por legislação federal e opinar acerca de outras questões relevantes do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
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