PORTAL NIPPOBRASIL ONLINE - 19 ANOS
-
Fale conosco: adm@nippo.com.br   
Terça-feira, 19 de setembro de 2017 - 23h05
DESTAQUES:
Especial
Editoras japonesas buscam formas de atrair mais leitores
Empresas e governo promovem iniciativas para reforçar hábito de leitura na população
 

Apesar da queda das vendas, nove entre
dez japoneses adultos leem jornais

Livrarias abrem espaço para diversificar
produtos e atrair clientes

1Q84, de Haruki Murakami, vendeu
mais de 3 milhões de exemplares

(Reportagem: Yoko Fujino | Fotos: Kyodo)

Pesquisa realizada pela Associação Japonesa de Editoras de Jornais, divulgada no início de junho, revelou que nove entre dez japoneses em idade adulta leem jornal. A organização consultou 6.000 pessoas entre 15 e 69 anos em todo o Japão, entre os dias 8 de outubro e

1º de novembro sobre hábito em relação a cinco meios de comunicação: TV, jornais, revistas, rádio e internet. Das 3.683 pessoas que responderam às perguntas, 91,3% liam jornais e 77,4% liam revistas. A frequência de leitura foi de 5,2 dias por semana para jornais e 1,3 dias para revistas.

A pesquisa é realizada a cada dois anos. Na versão de 2007, foi apontado que 92,3% dos japoneses liam jornais. Apesar da ligeira queda, a maioria dos japoneses têm o hábito da leitura: na pesquisa deste ano, 62,7% das pessoas disseram que leem jornais todos os dias.

Num país onde o índice de analfabetismo é de 0,2%, a leitura seria um hábito e editores teriam poucos motivos para se preocupar. Mas não é o que acontece. A concorrência com TV e internet, além do aumento do número de sebos que vendem livros seminovos, levam os japoneses a gastar cada vez menos na compra de livros, revistas e jornais: em 1999, a tiragem dos jornais japoneses era de 53,7 milhões de exemplares por dia, em média, mas 10 anos depois este número ficou pouco acima de 50 milhões. Os domicílios japoneses adquiriam em média 1,15 jornais em 1999, mas em 2009 não chegou a um jornal. A venda de livros e revistas, que totalizavam 2 trilhões de ienes (R$ 1,125 bilhão) por ano desde 1989, podia ficar abaixo deste valor, apesar de um só autor, Haruki Murakami, ter vendido sozinho mais de 3 milhões de livros dos três volumes da sua mais recente obra, 1Q84.

Desde o final da década de 1990, várias editoras de livros e revistas fecharam suas portas, e outras foram adquiridas por editoras maiores ou por empresas de diferentes ramos. A Chuo Kouron-sha, tradicional editora de revistas com mais de 120 anos de história, foi comprada pelo jornal Yomiuri. A Fujin Gahou-sha, que publica a revista Fujin Gahou desde 1905 foi adquirida pela francesa Achette. A editora especializada em livros de arte Kyoto Shoin faliu em 1999, assim como a Shakai Shiso-sha, que pediu falência em 2002. A Ondori-sha, uma das maiores editoras especializadas em artes manuais, com diversos livros sobre tricô, crochê, culinária e outros, pediu concordata em 2009.

A situação das livrarias não é menos difícil. De acordo com o Sindicato de Livreiros, de 2007 a 2008 encerraram atividades 461 livrarias. O número de associados que em 2008 era 5.869, em 2009, ficou em 5502. Mesmo as grandes redes encontram dificuldades: a rede Aoyama Book Center, que tinha sete lojas em Tóquio e conhecida por trabalhar com obras sobre arte e arquitetura, além de livros importados, pediu concordata em 2004, surpreendendo o mercado. Sua operação foi assumida pelo Nihon Yousho Hanbai, mas esta empresa também pediu concordata quatro anos depois. Hoje, a rede de livraria está sob comando da Book Off Corporation, que cresceu com venda de livros seminovos. As livrarias enfrentam concorrência da livrarias on-line, como a Amazon, e de serviços de encomenda de livros da rede de loja de conveniência Seven Eleven. O lançamento do iPad despertou interesse de editoras pelos livros e revistas eletrônicos, aumentando ainda mais o temor dos livreiros.

Incentivo à leitura

A constatação não é apenas do mercado editorial. O Ministério da Educação realizou pesquisa em 2008 sobre os japoneses e a língua, e apurou-se que quase metade dos jovens de 16 a 19 anos consultados não liam livros. Entre as pessoas da faixa dos 20, 30, 40 e 50 anos, mais da metade lia ao menos um livro por mês.

A preocupação com o afastamento do hábito da leitura levou o governo a intitular 2010 o Ano da Leitura no Japão. Diversas iniciativas estão sendo promovidas pelo país até o final do ano para incentivar as pessoas a frequentarem bibliotecas e voltarem a ter interesse por livros. A Organização para Promoção da Cultura das Letras vem usando outras mídias como jornais e TV para despertar o interesse dos japoneses.

Em meio a diversas iniciativas chama a atenção o trabalho da escola Daiichi Chooyoo, de Tsuruoka, Yamagata: nela, estudantes de shoogakkoo leem em média mais de 120 livros por ano. Em 1994, este número era de 51 livros anuais por aluno. A média entre estudantes japoneses da mesma faixa etária é de 7,5 livros anuais. A história começou a mudar em 1995, quando a escola, professores e bibliotecários começaram a fazer ações para familiarizar as crianças com os livros.

Uma das propostas foi a inclusão de visitas à biblioteca. As crianças são apresentadas à bibiloteca no primeiro trimestre, aprendendo a usar seus recursos. No trimestre seguinte, são empregados jogos em que as respostas devem ser buscadas nos livros. Os educadores também criam listas com livros úteis para as aulas, de acordo com a série e matéria. Para que todos os alunos tenham acesso ao material de pesquisa, os professores tomam o cuidado de dividir os temas e, no caso de precisar de mais livros, avisar a biblioteca que haverá mais demanda.

Tanto estudantes, como pais e familiares participam dos esforços para tornar a leitura atraente: voluntários participam das aulas como contadores de histórias para alunos de todas as séries da escola. Mas a tarefa não se resume apenas a isso: os voluntários explicam onde as crianças podem encontrar o livro lido, e informam sobre obras relacionadas à história contada. Ao se formar, alunos da 6ª série fazem fichas relatando quais livros acharam mais interessantes, deixando aos mais novos pistas para novas descobertas.

Mais velhos, menos livros

Depois que a história desta escola da província de Yamagata se tornou notícia, o ministério da Educação fez um levantamento com 5.882 estudantes e 5.882 pais em 20 cidades japonesas. Foram consultados estudantes da 2ª e da 5ª séries do shoogakkoo, 2ª série do chuugakkoo e 2º ano do kookoo, além de seus pais. O resultado mostra que o trabalho do governo, editores e livreiros não é fácil: à medida que envelhecem, os estudantes tendem a ler menos livros. Entre as crianças da 2ª série, apenas 2% não leram um livro sequer em um mês, enquanto 20,8% haviam lido de 10 a 20 livros no mesmo intervalo. Mas entre estudantes da 5ª série 5,9% não haviam lido nenhum livro; entre jovens do 2º ano do kookoo a porcentagem chegou a 25,2%, e entre os pais deles, 27,4% não haviam lido livros em um mês. Entre as justificativas dadas por aqueles que não leram nenhum livro, estava a falta de tempo em primeiro lugar e, em seguida, o fato de não gostarem de ler. Mas havia também aqueles que não encontraram um livro que gostariam de ler. A maioria dos pais que não leram livros diziam que não tinham tempo por causa do trabalho ou tarefas da casa, mas havia também quem queria fazer outras coisas além de leitura.

Outro estudo do governo mostra que os adultos leem menos porque trabalham ou usam o tempo para outras coisas. O departamento de Difusão da Língua Japonesa do Ministério da Educação e Cultura realizou, em 2009, pesquisa com cerca de 2.000 japoneses acima dos 16 anos sobre como eles se relacionam com a língua. Os resultados não são animadores: 64,4% dos consultados revelaram que estão lendo menos do que antes. Entre os motivos citados estão a falta de tempo por causa de trabalho e o uso do tempo para jogar games, falar ao celular ou navegar na internet. Principalmente entre os jovens de 16 a 19 anos e na faixa dos 20 anos, o livro sofre concorrência acirrada com novos meios: 38,7% e 32,1%, respectivamente, preferem usar o tempo livre para ver sites ou jogar.

Do virtual para o papel

Conscientes dos hábitos dos japoneses de hoje, editores buscam meios de integrar o rival: romances que tornaram sucessos em sites para telefonia celular viram livros, como o Deep Love, do autor Yoshi. A obra saiu do mundo virtual para o papel e chegou a 2,5 milhões de exemplares publicados nos quatro volumes, entre 2002 e 2004. Sites para acesso por celular como Mahou no I Land abrem espaço para pessoas divulgarem seus trabalhos. A empresa, uma subsidiária da editora Kadokawa, transforma os trabalhos mais acessados em livros. Foi o que aconteceu com o romance Koi Sora, da autora que se identifica como Miki. Os dois volumes chegaram à tiragem de 1,4 milhão de exemplares.

No entanto, a conquista ou a manutenção da fidelidade dos leitores mais velhos parece ser mais difícil. Outro fator que precisa ser solucionado é o envelhecimento da população e suas consequências. Dados apontam que mais de 55% das pessoas acima de 60 anos não chegam a ler um livro por mês. Nesta faixa etária, o motivo não é a falta de tempo por causa do trabalho ou competição com internet: a maioria simplesmente deixou de ler por motivos de saúde como problemas de visão. Apesar de alguns lançamentos de audiolivros, ainda não se vê grandes novidades para o público da terceira idade. Num país onde a população envelhece rapidamente, ignorar estes público sim é erro de leitura.

 
Tiragem de jornal para cada grupo de mil pessoas adultas*, por país, em 2008
(*Tiragem de jornais dividida por total de população adulta. Fonte: Pressnet – Associação Japonesa de Jornais)
 Busca
 Especial
Especial - Nippo-Brasil
• Mês de julho tem Festival das Estrelas
Especial - Nippo-Brasil
• Festa de celebração do Ano do galo 2017 em São Paulo e previsões
Especial - Nippo-Brasil
• + 10 Provérbios Japoneses
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 311
• Gairaigo: as palavras estrangeiras na língua japonesa
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 304
• Provérbios do Japão:
sabedoria através dos tempos
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 302
• Hanami, uma bela tradição japonesa
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 301
• Simbologia japonesa: os animais
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 300
• Simbologia japonesa:
as flores e as árvores
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 281
• Você sabe o que significa seu sobrenome?
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 279
• Oriente-se para fazer ginástica!
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 271
• Bonsai, a natureza em miniatura
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 253
• Desvendando os
seres da mitologia japonesa
Especial - Nippo-Brasil
• Kaburimono (literalmente, aquilo que se põe na cabeça)
Especial - Nippo-Brasil
• Conheça alguns amuletos e preces orientais
Especial - Nippo-Brasil
• Shichifukujin, as sete divindades
Especial - Nippo-Brasil
• Daruma: sinônimo de sucesso
Especial - Nippo-Brasil
• A história da Hello Kitty
Especial - Nippo-Brasil
• A história e a tradição do Maneki Nekô no Japão
Especial - Nippo-Brasil
• Escrevendo seu nome brasileiro em caracteres japoneses
Especial - Nippo-Brasil
• 10 Provérbios Japoneses
Arquivo Nippo-Brasil - Edição 27
• Crueldade marca início
do bairro da Liberdade
Arquivo Nippo-Brasil - Edição 26
• Liberdade: um pedacinho
do Japão em São Paulo
• Nomes japoneses mais populares de 2013
• Aprender chinês não é tão difícil assim
• Homens donos de casa
• Executivos japoneses no Brasil convivem com diferenças culturais no País
• Japão ainda dificulta a carreira de mulheres
• Japão estimula funcionários a tirarem licença-paternidade
• Ano-Novo no Japão só
termina em meados de janeiro
• Marcos da imigração no Vale do Ribeira viram patrimônios históricos
• Natal à japonesa: sem feriado, ceia, missa e nem panetone
• Mulheres aderem à moda do plastimodelismo
• Editoras japonesas buscam formas de atrair mais leitores
• Ensino de japonês abre horizonte para estudantes da rede pública
• A nova imigração japonesa no Brasil
• Escolas em São Paulo ajudam a preservar cultura japonesa no País
• Mulheres casadas preferem ficar em casa do que trabalhar fora
• Japão oferece facilidades aos portadores de necessidades especiais
• Suicídios afetam 35 mil trens por ano
• Divórcios no Japão e Brasil:
Quando o amor acaba
• Maternidade torna-se problema social no Japão
• Helper: Os cuidadores de idosos
• Taikô à brasileira
• Como escolher o nome em Japonês

© Copyright 1992 - 2016 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante.
Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

Sobre o Portal NippoBrasil | Fale com o Nippo