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Quarta-feira, 28 de junho de 2017 - 2h18
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Especial
Ensino de japonês abre horizonte para estudantes da rede pública
São dez centros espalhados pelo estado de São Paulo com aulas gratuitas de japonês
 

(Reportagem e Fotos: Karin Kimura)

Em São Paulo, escolas estaduais oferecem cursos gratuitos em centros de línguas para mais de 58 mil alunos. No total, são 97 unidades que oferecem aulas gratuitas de idiomas (inglês, espanhol, alemão, francês e italiano), sendo que dez incluem o curso de japonês, com 950 alunos matriculados.

Os Centros de Estudos de Línguas (CEL) de São Paulo foram criados em 1987 com o objetivo de democratizar o ensino da língua espanhola aos estudantes da rede estadual de ensino. Dois anos depois começaram a abrir turmas em língua japonesa também, para atender a demanda de estudantes nikkeis. “Em Assis, Registro e Carapicuíba havia uma participação grande da colônia japonesa. Como o centro expandiu a oferta de aulas para outras línguas e havia muita procura, surgiram as turmas de japonês”, explica Arlete Lima, da Coodenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CNEP).

Hoje a formação de turmas é estável. “Sempre há novos interessados em aprender a língua japonesa”, conta Arlete, “mas a principal dificuldade é encontrar professores. No total, são 12 professores de japonês em todo o estado de São Paulo”.

O curso é extracurricular e tem duração total de três anos – 480 horas divididas em dois níveis. Ao se matricular, o aluno pode escolher um dos seis idiomas e precisa estar entre a 6ª série do Ensino Fundamental e o 3º do Ensino Médio. Mesmo depois de terminar o colégio, o estudante tem a opção de continuar o curso de línguas para receber o certificado que é incluído no histórico escolar. “O intuito é proporcionar um enriquecimento curricular ao estudante”, explica a coordenadora da CNEP.

Na Escola Estadual Alexandre Gusmão, do bairro do Ipiranga, em São Paulo, o curso de japonês é o segundo mais procurado. São 160 alunos, dentre os quais apenas 10% têm ascendência nipônica. Nesta unidade da CEL, o curso de japonês foi incluído há 16 anos. “O diretor da época, Everaldo de Campos Pinheiro, preocupava-se com o plurilinguismo, por isso quis implementar o japonês e as outras cinco línguas disponíveis às CEL (inglês, espanhol, alemão, francês e italiano)”, explica a coordenadora do Centro de Línguas, Renata Guerra. Ela conta ainda que os Centros de Línguas trabalham em parceria com as associações de professores e também com a Fundação Japão para a formação continuada de mestres e ajuda pedagógica.

A professora Yoko Sakanoshita Ishida, por exemplo, já viajou três vezes ao Japão para fazer cursos de aperfeiçoamento no ensino da língua. Yoko dá aulas de japonês há mais de 20 anos e explica que ao longo dos anos a procura pelo curso aumentou entre os não descendentes. “Muitos vêm para as aulas porque gostam de animes e mangá”, diz. Mas a professora lembra que alguns alunos pensam no futuro profissional também. “Tenho alunos que querem fazer faculdade de letras e dar aulas de japonês, por exemplo. É muito gratificante”, revela Yoko.

Para as aulas, ela usa uma apostila baseada no material da Aliança Cultural Brasil-Japão, instituição onde também dá aulas. Em sala, ensina a escrita e conversação, evitando falar português. As incrições são abertas no final de cada semestre, em junho e em novembro. Para fazer a matícula, os interessados devem levar à escola: a declaração de matrícula da escola estadual em que estuda, duas fotos 3x4 e a cópia do RG. As turmas são divididas por nível, com duas aulas por semana de 1h40 cada.

 
“O mundo está em torno do Japão, da parte asiática.”
Ana Valquíria tem 12 anos e já pensa em seu futuro profissional. Ela diz que quer trabalhar com perícia em investigação criminal e que saber outra língua pode ser importante. “Ainda estou no nível básico mas pretendo chegar ao avançado. Vai me ajudar em muita coisa, na faculdade, no trabalho, porque geralmente pedem uma língua diferente”, conta Ana.
 
“Demoro mais ou menos uma hora e meia para chegar aqui, pego dois ônibus. Mas vale a pena.”
O estudante mora longe da escola, mas se esforça para continuar os estudos. Aluno do 2º ano do Ensino Médio, Marcelo de Santis Almeida diz que sempre gostou da cultura japonesa e admira a história e o comportamento do povo. E completa: “Agora estou aprendendo para poder ter uma profissão que envolva a língua japonesa. Quero seguir a área de tecnologia e o Japão é o centro desse setor.”
 
“Quero ser tradutor e até professor.”
O estudante João Pedro Silva Meira, 15, está cursando o 1º ano do Ensino Médio e começou o curso há cinco meses. “Comecei por influência do meu irmão que já fazia as aulas daqui e, às vezes, vinha falar em japonês comigo, mas eu não entendia nada. Aí que começou meu interesse em aprender também”, diz. E hoje ele já pensa em seguir uma profissão que envolva os estudos na língua japonesa.
 
“Nem parece que a aula tem 1h40, parece que passa em meia hora.”
O único nikkei da turma é Lucas Maeda Nagao, 13, neto de imigrantes japoneses. Ele já frequentou algumas aulas de japonês em escolas particulares, mas parou e encontrou no curso da escola a oportunidade de retomar os estudos. “Gosto de animes e quero aprender a língua para poder passear pelo Japão, conversar com as pessoas de lá. Quero conhecer um pouco de tudo, o Monte Fuji, por exemplo”, diz Lucas. O estudante diz que gosta do curso: “As aulas são legais, nem me preocupo muito com o tempo. E quando estou me divertindo, fazendo a lição, vou ver no relógio e já são 15h40”, brinca.
 
“É difícil encontrar um ensino bom e ainda mais gratuito.”
Fã de animes e mangás, Anne Kleir Gomes, 16, procura aliar a diversão com o aprendizado. “Gosto de assistir aos desenhos legendados, vou anotando as palavras que entendo e costumo escrever duas vezes para memorizar”, conta. Ela explica que tem interesse pela cultura oriental e que preferiu o curso de língua japonesa porque será um diferencial para seu currículo. “Achei uma oportunidade muito boa e gosto muito das aulas. A professora tem um método excelente.”
 


O curso de japonês é o
segundo mais procurado na
Escola Estadual Alexandre Gusmão

 

A professora Yoko Ishida dá aulas de
japonês na rede estadual há 16 anos

 
Diretoria de ensino / Municipio
Escola
Endereço
Início
Línguas
CENTRO-SUL
EE ALEXANDRE DE GUSMÃO Rua Cisplatina, 298 - Ipiranga/tel. 62154362/ 2195-8003 (CEL) 20/6/1989 Espanhol/ Frances/ Italiano/ Japonês/ Alemão
LESTE 3
EE FADLO HAIDAR Murmúrios da Tarde, 200 – Itaquera
tel. (11) 25210110/ 2521-5578 (CEL)
28/3/1989 Espanhol/ Frances/ Japonês/ Alemão
SUL 3
EE PROF. LAERTE RAMOS Rua Anibal dos Anjos Carvalho, 05 - Vila Sta. Maria
tel. (11) 5666-0866
20/11/1987 Espanhol/ Japonês/ Alemão
ASSIS
EE CARLOS ALBERTO DE OLIVEIRA Rua Dr. Luiz Pizza, 220 - Centro / tel. (18) 3325-1752 4/8/1988 Espanhol/ Frances/ Italiano/ Japonês/ Alemão
CARAPICUÍBA/COTIA
EE PROFº PEDRO CASIMIRO LEITE Av. Prof. José Barreto 2011 - Portão-Cotia/Carapicuíba
tel. 4614-0268/ 4616-7573 (CEL)
19/3/1987 Espanhol/ Frances/ Italiano/ Japonês/ Alemão
MARÍLIA
EE MONSENHOR BICUDO Av. Rio Branco, 803 - Salgado Filho
tel. (14) 3433-5163/3422-6071/ 3423-4738
17/2/1989 Espanhol/ Frances/ Italiano/ Alemão/ Japonês
OURINHOS
EE VIRGÍNIA RAMALHO Rua Gaspar Ricardo, 484/ Vila N. Sá / tel. (14) 3322-4531 fev/2008 Espanhol/ Frances/ Japonês
PRESIDENTE PRUDENTE
EE MONSENHOR SARRION Rua Marcondes Filho, 93 - Vila Roberto / tel. (18) 3223-1473 21/11/1987 Espanhol/ Alemão/ Japonês/ Frances/ Italiano
REGISTRO
EE DR. FÁBIO BARRETO Av. Clara Gianotti de Souza, 257 - Centro
tel. (13) 38210355 38214472
11/2/1989 Espanhol/ Japonês
SUZANO
EE RAUL BRASIL Rua Otávio Miguel da Silva, 52 - Jd. Imperador / tel. (11) 4748-1393 17/2/89 Espanhol/ Frances/ Italiano/ Japonês
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