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Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017 - 15h21
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Especial
A nova imigração japonesa no Brasil
Se antes os nipônicos imigravam em busca de prosperidade na América, hoje os
motivos são variados, mas os casamentos com brasileiros são maioria dos casos
 

(Reportagem: Nosuke Fuse, especial para o NippoBrasil | Fotos: Arquivo NB e Divulgação)

Se, no longínquo 18 de junho de 1908, o navio Kasato-maru aportou em Santos com seus 781 imigrantes japoneses ávidos por encontrar trabalho e prosperar em um continente distante, hoje a imigração tomou uma forma completamente distinta. É verdade que muito dos nipônicos que aqui chegam atualmente continuam à procura de realização. A diferença é que o foco não é mais estritamente financeiro como outrora. Mas, porque encontraram em um brasileiro a pessoa com quem querem passar o resto de suas vidas.

A designer Hiroe Nagata Salim, 31, é um destes exemplos. A japonesa, natural de Fukuoka, protagoniza um romance sem fronteiras. Ela conheceu seu atual marido brasileiro na Itália, onde estudava. No entanto, pouco depois ele teve de voltar ao País e ela não pensou duas vezes. Largou tudo e veio ao Brasil atrás do então namorado e casou-se em seguida. Assim como a história do casal, a comunicação também é peculiar. As conversas domésticas acontecem em uma mistura de inglês, japonês e português.


Clima e qualidade de vida também atraíram japoneses

Primeiros japoneses que chegaram ao Brasil foram fundamentais para a adaptação dos novos imigrantes

Apesar de terem se adaptado ao Brasil e seus costumes e cultura, japoneses revelam que sentem falta da família no Japão e de coisas peculiares à cultura do arquipélago, como a culinária local e os banhos de ofurô

Hoje, já com dois filhos, Hiroe faz alguns trabalhos como freelancer e confessa que se surpreendeu com a intimidade das famílias brasileiras. A japonesa afirma que, no início, achava estranho os parentes telefonarem sempre – e o fato de ela própria ter de fazer ligações ocasionalmente. Além disso, ela lembra que os encontros e quantidades de festas familiares, como aniversários e batizados, diferem bastante de sua realidade no Japão.

“E também sinto saudades dos amigos que lá deixei e da comida japonesa, mas a vida no Brasil é muito interessante. Cria-se os filhos com mais liberdade, e os casais podem ter um tempo só para eles porque é fácil ter empregada ou chamar uma babá. É um tempo para relaxamento difícil de se ter no Japão”, fala ela sobre o Brasil.

Outra que viveu uma mudança drástica em sua vida foi Tomoko Obara, 39, natural de Tóquio. Há 15 anos, ela conheceu seu marido nissei no Japão. Pouco tempo depois ela veio para o Brasil para um trabalho de produção de TV e casaram-se em 2005. Hoje ela tem os dias ocupados cuidando dos dois filhos do casal.

Para facilitar sua adaptação ao Brasil, ela contou com uma improvável aliada, ao menos na cultura brasileira: a sogra. “A mãe do meu marido, que deve ter sofrido muito na juventude vivendo no Brasil, uma terra desconhecida, era uma pessoa que aceitava tudo que vinha, era alegre e me deu coragem para viver aqui”, afirma Tomoko.

A japonesa já se mostra adaptada ao País e, tirando o fato de não poder se encontrar com os pais, que moram no Japão, ela não lamenta ter deixado o arquipélago. E vê até vantagens nisso: como no Brasil as famílias cooperam muito na criação dos filhos, ela se sente segura mesmo longe dos pais, pois sempre há alguém para ajudá-la.

Já o vendedor Takashi Sato, 40, afirma que não sente grandes diferenças entre a vida que levava no Japão e a que leva no Brasil, exceto por um fator: o financeiro. O japonês, natural de Saitama, passou a viver no País por conta de assuntos familiares da esposa, que conheceu no Japão em 2009, e se diz impressionado com o baixo poder aquisitivo do trabalhador nacional médio. Apesar disso, Sato elogia muito o povo brasileiro, que, segundo ele, é muito gentil e cordial, apesar de suas dificuldades de se comunicar em português.

Caminho aberto

A história do editor Nobuyoshi Hirata, 45, teve um início diferente, mas tem um desfecho parecido com o da nova geração de imigrantes. Em 2005, ele veio fazer turismo no Brasil, a convite de um amigo. Tinha planos de ficar um mês. “Mas acabei gostando muito daqui e decidi imigrar”, diz ele. Atualmente, Hirata é casado com uma mulher não nikkei e tem um bebê de 1 ano.

E ele diz que não teve muitos problemas de adaptação. “Graças aos esforços dos primeiros imigrantes, os japoneses de hoje podem viver com segurança no Brasil. Sou muito agradecido a eles. Se volto ao Japão, é só para encontrar os pais e irmãos”, afirma o imigrante que, no entanto, não esconde que sente falta de pequenos detalhes do cotidiano japonês. “Sinto saudades do lámen e do ofurô”, fala ele, totalmente satisfeito com sua vida no Brasil.

Dos novos imigrantes do século 21, há também jovens com espírito que lembram aqueles que aqui desembarcaram no início do século 20. Takamasa Kurachi, 27, por exemplo, veio ao Brasil em 2004, em busca de um lugar onde pudesse ter mais qualidade de vida, pensando na terra e no clima da América do Sul. Cheio de energia, Kurachi tirou de letra as diferenças culturais e os desafios para se estabelecer profissionalmente no ramo de web marketing.

“Sinto que os novos imigrantes japoneses conseguem viver com tranquilidade no Brasil por causa dos que chegaram antes, cujos esforços deram resultado. Ao mesmo tempo que sinto gratidão, sinto que devo também deixar um bom ambiente para os que vêm depois de mim”, diz ele, que preocupa-se com os pais que ficaram no Japão e quer viver de maneira que possa viajar entre os dois países com frequência. Para isso, trabalha arduamente.

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