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Quarta-feira, 28 de junho de 2017 - 2h11
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Especial
Escolas em São Paulo ajudam a preservar cultura japonesa no País
Instituições de alto padrão de ensino têm atividades sobre vários aspectos das tradições do Japão
 

Alunos do Pioneiro fazem origami (dobradura de papel): atividade faz parte do currículo extracurricular do curso de língua japonesa

Dona Michie Akama (já falecida), fundadora do Pioneiro

(Fotos: Centro Educacional Pioneiro/Cedida, Colégio Harmonia/Cedida e Colégio Oshiman/Cedida)

A cultura japonesa recebe um reforço especial para sua preservação e difusão no Brasil. Esse apoio é dado por escolas que, além do ensino normal de alto padrão, incluem em suas atividades, curriculares ou extracurriculares, aulas sobre língua, arte tradicionais e diversas manifestações culturais do Japão. Em São Paulo, três instituições seguem esta proposta, oferecendo o contato com as tradições japonesas desde o ensino Maternal.

A mais antiga delas é o Instituto Educacional Dona Michie Akama, que mantém o atual Centro Educacional Pioneiro, no bairro Vila Clementino. Fundada em 1933 como Casa de Ensino Corte e Costura, a escola surgiu com um pilar estruturado na ética japonesa. Apesar do nome, era um internato que oferecia às nikkeis brasileiras a mesma formação que uma mulher tinha no Japão e que lhe era exigida pela sociedade do país. Assim, recebiam aulas de afazeres domésticos, como corte e costura, culinária e bordado e de formação educacional, que incluía língua japonesa, música, ikebana (arranjo floral), etiqueta social, educação artística e arte. A partir de 1941, a escola incluiu os ensinos primário, médio e de especialização equivalentes aos do Japão.

Com a diminuição da procura pelos cursos femininos, a instituição passou a se dedicar à educação formal, mas mantendo os princípios de preservação da cultura japonesa. Hoje, o Pioneiro oferece cursos de Educação Infantil (crianças a partir dos 3 anos de idade), Ensino Fundamental e Médio e continua com atividades que mantêm seus alunos conectados ao Japão.

A língua japonesa é ensinada como atividade extracurricular a partir do 2º ano do Ensino Fundamental 1 (7 a 8 anos). O curso é composto por oito níveis (um a cada ano letivo), ao final do qual o aluno está apto a prestar o exame de proficiência (noryoku shiken) de nível 2. “Nos dois primeiros níveis, as aulas são com material elaborado pela própria escola e depois usamos os livros da Jica”, explica a professora Julieta Ito, coordenadora do curso. “Além do ensino do idioma, procuramos valorizar a cultura japonesa, com a realização de diversas atividades como a comemoração do Hinamatsuri (Dia das Meninas) e Kodomo-no-Hi (Dia dos Meninos) e realização do Festival Tanabata”, diz Julieta.

O curso de japonês ocupa quatro horas por semana. Como apoio, a escola dispõe ainda de uma biblioteca de livros japoneses com 400 volumes. Quem frequenta as aulas tem se beneficiado. Este ano, quatro alunos do Pioneiro ganharam bolsas de viagem da Jica e da Fundação Japão para um mês de intercâmbio no Japão. Os laços da instituição com a cultura japonesa não param por aí. A escola oferece, também como curso extracurricular, aulas de ikebana, soroban (ábaco) e de cerâmica e de artes marciais (judô e kendo). A ligação com o arquipélago deve até mesmo ficar mais forte. No momento, o Centro Educacional Pioneiro negocia o estabelecimento de um acordo de intercâmbio com a Tokai Daigaku, universidade de Tóquio focada no ensino de Ciências e de Engenharia.

 

Tênis de mesa no Colégio Harmonia: esporte é destaque desde a época em que era Casa de Estudantes
 

A casa dos primeiros nikkeis


Lápide com a inscrição Yaku Shin (“Daqui partiremos”): marco e filosofia do Harmonia

A educação da primeira geração dos filhos dos japoneses no Brasil também foi a preocupação do grupo de imigrantes que formou a Sociedade Amigo dos Estudantes de São Paulo (Saesp) e fundou a Casa de Estudante Harmonia, em 1953, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A ideia era oferecer ao nisseis principalmente do interior, um local onde pudessem morar com a mesma tranquilidade como se estivessem com suas famílias e continuar seus estudos na Capital, onde estavam as universidades, ao mesmo tempo em que se integravam definitivamente à vida brasileira.

Por este papel fundamental na inserção social dos primeiros descendentes, o Harmonia é considerado um marco da imigração japonesa no Brasil. Por ali passaram personalidades nikkeis que hoje são destaques no País entre eles o desembargador Kazuo Watanabe. “Encontrei na Harmonia um ambiente tranquilo, necessário aos meus estudos, o companheirismo dos internos e o tratamento familiar dispensado pelo casal Maria Shigueko e Hideto Futatsugui (diretor)”, lembrou Watanabe, hoje presidente do Conselho Deliberativo.

Porém, com a própria integração dos descendentes, a Harmonia seguiu um curso natural e, em 1993, criou o Centro Educacional Harmonia, atual Colégio Harmonia, que iniciou suas atividades como uma escola não só para a comunidade, mas para toda a sociedade. A mudança de papel, no entanto, não a tirou do rumo de preservar e difundir a cultura japonesa no Brasil, que está na raiz da instituição.

Desde a fundação da Sociedade Amigos dos Estudantes de São Paulo, hoje denominada Associação Harmonia de Educação e Cultura, estudantes do Japão são recebidos no Brasil por meio do programa de intercâmbio cultural. Mas foi na década de 1980 que a Harmonia se tornou parceiro da Associação Nippaku Koryu Kyokai, que reúne jovens japoneses para estagiar no Brasil durante um ano. Como parte do programa, promove cursos intensivos sobre o idioma e a cultura brasileira. Essa integração de duas mãos já beneficiou mais de 1.200 estudantes japoneses e brasileiros desde seu início.

O colégio, mantido pela Associação Harmonia de Educação e Cultura, oferece cursos do Infantil 3 (antigo Maternal), para crianças a partir de 2 anos de idade, aos Ensinos Fundamental e Médio. Em qualquer uma destas fases, o aluno está em contato a cultura japonesa. Fazem parte do currículo o curso de japonês – do Infantil 3 ao 5º ano, são duas aulas semanais e do 6º ao 9º ano, três aulas por semana – e o taiko (tambor japonês), com aulas do 1º ao 5º ano, duas vezes por semana.

O Harmonia, por sinal, possui um grupo de taiko que se apresenta com destaque nos principais eventos da comunidade. Já o judô entra como atividade extra e é oferecido aos alunos duas vezes por semana, após as aulas normais. Além disso, a instituição é palco constante de eventos de cultura japonesa e promove comemorações típicas como o Hinamatsuri (Dia das Meninas) e o Undookai (gincana poliesportiva).

Mesmo sem perceber, os alunos vivem num ambiente com forte influência da cultura nipônica. A escola segue o programa de qualidade japonês chamado de 5S – seiton (ordenação), seisoo (limpeza), seiketsu (saúde), shitsuke (disciplina) e seiri (senso de utilização).

Já no campo educacional essa ligação é bem mais visível. Este ano, a instituição iniciou um novo projeto de intercâmbio que levou para o Japão um grupo de jovens que passou 22 dias naquele país. O objetivo da viagem é promover a aproximação dos alunos com a cultura japonesa, tanto a tradicional quanto a moderna. Anteriormente, o Harmonia realizou um outro programa que levou ao Japão alunos das equipes de futsal e ginástica. Além das competições esportivas, os intercambistas puderam vivenciar a cultura japonesa sob variadas formas.

Por sua importância histórica, em 2008, a Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil acolheu a construção de novas instalações do Harmonia específicas para a Educação Infantil e o Ensino Médio. A ampliação, inaugurada em 2009, faz parte da primeira etapa do projeto Shin-Harmonia Gakuen, que pretende fortalecer ainda mais o ensino da língua e da cultura japonesas, com o objetivo de criar bases mais sólidas para o intercâmbio Brasil-Japão, intensificado por conta do Centenário.

Cultura japonesa no currículo obrigatório


Alunos do Oshiman em atividades
típicas japonesas no Dia dos Meninos

Dona Mariko Kawamura, fundadora,
e a filha Mayumi, diretora do Colégio Oshiman: currículo mantém os alunos o dia todo na escola

Depois de viver as experiências da Segunda Guerra Mundial, Mariko Kawamura tinha dúvida se queria ser médica para salvar vidas ou educadora para passar a mensagem de respeito ao ser humano. Nascida em Botucatu (SP), ela foi para o Japão aos 12 anos para estudar seis meses, mas ficou mais de dez. Não pôde regressar ao País por causa do início do conflito. Lá, precisou trabalhar em fábricas de peças para aviões de guerra e até como enfermeira para atender as vítimas dos bombardeios norte-americanos.

Mariko, uma sobrevivente de guerra, optou pela Pedagogia, pois sua mensagem de paz e compreensão entre as pessoas poderia se multiplicar por meio de cada um de seus alunos. Formada no Japão, voltou ao Brasil e, em 1952, fundou o Shohaku, uma escola de línguas, e que hoje é o Colégio Oshiman, com cursos do Maternal ao Ensino Fundamental. A instituição tem em seu currículo normal várias atividades que ajudam a preservar e a difundir a cultura japonesa no Brasil. “A cultura oriental é milenar e tem muitos valores, ao passo que a cultura ocidental é mais recente. Então, a pessoa que tem as duas é mais completa. Por isso, procuramos trazer para a escola a cultura oriental e coincide de ser a japonesa, por causa da nossa ascendência. É uma cultura que acrescenta coisas positivas para quem está em formação”, explica a professora Mayumi Kawamura Madueño Silva, diretora da Oshiman.

A escola, de ensino brasileiro, inclui aulas de três línguas estrangeiras, dadas três vezes por semana – inglês e japonês (que são ensinados a partir do Maternal) e espanhol (a partir da quinta série). Em todas elas chega-se ao nível avançado quando o aluno estiver na oitava série. “Cerca de 70% dos pais descendentes não falam mais o japonês, mas os filhos estudam. É uma forma de proporcionar às crianças o que deixaram de fazer e viram que era importante”, ressalta Mayumi. “No mercado de trabalho, é preciso ter algo a mais, e o japonês, hoje, pode ser este diferencial. Mais que um idioma, acredito que os pais buscam a formação humanística para seus filhos”, diz a diretora.

As aulas de japonês são dadas pela professora Mariko que faz questão de ser rigorosa com seus alunos. “O pouco conhecimento da língua japonesa não serve para nada. Costumo dizer a eles que se ficarem apenas no nível básico, vai servir apenas para venderem limão na feira. Para isso é só falar: “yasui desu yo!, Obasan, obasan!” Mas se a pessoa quiser usar a língua para sua vida profissional, deve se esforçar”, diz a professora Mariko.

Além do ensino do japonês a escola procura levar aos alunos a cultura japonesa como um todo, incluindo no currículo obrigatório aulas de sado (cerimônia do chá), dadas em sala especialmente montada para a arte, o chashitsu; shodo (caligrafia) e ikebana (arranjo floral), a partir dos seis anos aos 15 anos, dadas uma vez por mês em sistema de rodízio. Com o sado, a criança aprende desde cedo a harmonia espiritual, o shodo é um dos muitos caminhos para o ensinamento do equilíbrio, da tranquilidade, serenidade e segurança e o ikebana transmite a harmonia entre a terra, o céu e o homem. “Mais do que a preservação da cultura, queremos com isso que a criança tenha uma formação completa”, diz Mayumi. “Quanto mais informação a pessoa teve na idade escolar, mais ampla será sua visão e isso será muito importante para sua profissão, independente de qual seja”, completa a diretora.

Em relação aos vínculos de uma instituição de ensino com o Japão, a professora Mariko Kawamura foi uma das pioneiras. Há 35 anos ela iniciou um intercâmbio entre alunos, ainda na época do Shohaku, com uma escola pública de Obitsu, em Kimitsu, província de Chiba. A ideia, com a ida de alunos brasileiros para o arquipélago e a vinda de japoneses para o Brasil, era mostrar às crianças que existem povos que pensam e agem de maneira diferentes, têm culturais distintas, mas que merecem respeito. Esse intercâmbio existe ainda hoje e, pelo lado japonês, é tão importante que é mantido com recursos da prefeitura de Obitsu. Além dos alunos de Chiba, a Oshiman recebe também estudantes de Tóquio, que ficam no Brasil durante dez dias.

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