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Especial
- Japão
Japão oferece facilidades aos portadores de necessidades especiais
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Cidades
japonesas estão mais adaptadas às pessoas com deficiência,
mas discriminação ainda não é crime
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(Reportagem:
Yoko Fujino/NB | Foto: Kyodo e Sergio Rocha)
O Conselho
de Reforma do Sistema para Pessoa com Deficiência do Japão
divulgou no dia 24 de maio suas diretrizes. O conselho, composto por membros
do governo e pessoas com deficiência física, sugere a inclusão
do item direito à mobilidade na Lei Básica de
Trânsito, que deve ser enviada à Dieta em 2011, tendo em
vista o atraso de adaptação de prédios e acessos.
Quem hoje anda
pelas ruas das cidades japonesas percebe a grande quantidade de piso tátil
nas calçadas, semáforos sonoros, rampas junto às
escadas e banheiros adaptados. De acordo com o Ministério dos Transportes,
em 2008, 78% das estações de trem de grande movimento (com
mais de 5.000 usuários/dia) tinham piso nivelado e em 41% dos vagões
haviam adaptações para facilitar a mobilidade, ou seja,
estavam aptos a receber usuários de cadeiras de rodas ou deficientes
visuais.
De acordo com
o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social, existem
3,483 milhões de pessoa com alguma deficiência física
no país (dado de 2006). É pouco mais que 2% da população
total do Japão, mas o assunto é tratado com seriedade, já
que ambientes de fácil acesso e uso de deficientes também
servem idosos, doentes e mães com bebês.
O conceito
de acessibilidade ainda é recente na história do Japão.
Em 1949, pouco após a Segunda Guerra Mundial, com o retorno de
milhares de soldados feridos ou mutilados, o governo japonês criou
uma lei de assistência a deficientes físicos, que auxiliava
os que tinham deficiência leve e moderada até encontrarem
um emprego.
O primeiro
estudo sobre acessibilidade de deficientes físicos só apareceu
em 1972. Dois anos depois, a prefeitura de Machida, Kanagawa, divulgou
as diretrizes para a chamada cidade do bem-estar. Em 1975,
o centro para atendimento a deficientes de Tóquio criou o departamento
de Adaptação de Moradia, tendo à frente o professor
Kan Nomura, da faculdade de Arquitetura da Universidade Nihon. Desde meados
da década de 1970, ministérios e empresas de transporte
público começaram a promover estudos sobre acessibilidade,
e uma empresa de casas pré-fabricadas criou um showroom para usuários
de cadeira de rodas.
Mas a mobilidade
universal levou um longo tempo para ser reconhecida como direito de todos.
Somente em 2000 foi criada a Lei de Acessibilidade de Idosos e Deficientes
Físicos em Meios de Transporte Público. Ela foi revista
em 2006, e diz que prédios públicos como hospitais, mercados,
shoppings centers, cinemas, hotéis, asilos, e aqueles usados por
grande número de pessoas, como escolas, escritórios, fábricas
e apartamentos, devem ter adaptação para facilitar a circulação
de idosos e deficientes na entrada e saída, corredores, escadas
e banheiros. As adaptações devem ser feitas pelo proprietário
na construção, reforma do prédio, ou quando se muda
seu uso. Os prédios adaptados estão sinalizados com o adesivo
Heart Build. O conceito de design também universal
tem ganho espaço na sociedade japonesa. A ideia tem como objetivo
facilitar acessos e usos mais fáceis para qualquer um, não
restringindo seu público a deficientes físicos.
Se, de um lado,
prédios públicos têm se adaptado a pessoas com necessidades
especiais, e o mercado tem lançado produtos que facilitam a vida
de qualquer pessoa com ou sem deficiência, ainda é difícil
dizer que a sociedade japonesa saiba respeitar essa cultura. Nas calçadas
próximas a estações e estabelecimentos comerciais
ainda é muito comum ver bicicletas estacionadas sobre o piso tátil,
colocando em risco os deficientes visuais, que caminham se guiando por
esses sinais. Apesar dos esforços de polícia, prefeituras
e funcionários de estações, é difícil
impedir as pessoas de pararem sobre as sinalizações.
Em 2006, por
exemplo, a rede de hotéis Toyoko Inn passou por inspeção
rigorosa em todas as 120 unidades após denúncia de que o
estacionamento destinado a deficientes físicos de uma unidade de
Yokohama foi desativado depois da inspeção do governo local.
Após receber licença de funcionamento, o hotel foi reformado
e a vaga para deficientes deu lugar a um lobby e fumódromo. O presidente
da empresa, Norimasa Nishida, reconheceu que a remoção das
vagas violava a lei. Investigações revelaram que a rede
de hotéis fez reformas ilegais
em mais de 70 unidades. As oito unidades de Yokohama tinham alterações
que não respeitavam a legislação. O caso acordou
a sociedade japonesa para os problemas enfrentados pelos deficientes e
culminou na revisão da Lei de Acessibilidade. As associações
de pessoas com deficiência pedem a criação de uma
lei que torne a discriminação crime, mas o Conselho de Reforma
do Sistema para Pessoa com Deficiência adiou a discussão,
dando o prazo até 2012 para se chegar a uma conclusão.
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Pela
lei, os prédios devem ter
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Entrada/saída
Largura mínima de 80 cm, com porta que permita movimento
fácil de cadeirantes, com área plana na frente e atrás.
Corredor
Largura de pelo menos 120 cm, com área que permita
a rotação de cadeiras de rodas a cada 50 m. No caso de haver
portas, deve ter área plana na frente e atrás.
Área
de inclinação
Largura de pelo menos 120 cm. Na área de conexão
com escadas pode ter 90 cm. A inclinação não deve
ser maior que proporção de 1 para 12, entre a parte mais
baixa e a mais alta. A cada mudança de 75 cm de altura deve haver
área de descanso de pelo menos 150 cm.
Elevador
e hall
A entrada deve ter pelo menos 80 cm de largura. O elevador
deve ter comprimento mínimo de 135 cm, botão de abertura
no interior ou no hall, com indicação dos andares e direção
da saída. O hall deve ter área mínima de 150 cm².
Em caso de prédio de uso público ou quando há muitos
deficientes visuais entre usuários, o elevador deve ter aviso sonoro
de abertura/fechamento das portas e indicação do andar,
além de botões com escrita em braile.
Corredor
de área externa
O chão deve ser de material não escorregadio
e, quando houver degraus, deve ser de fácil percepção.
Instalação de corrimão é obrigatória.
As inclinações também devem ter corrimão.
Estacionamento
Deve haver ao menos uma vaga para cadeirantes, com largura
mínima de 350 cm, em local mais próximo da entrada.
Banheiro
Ao menos 2% dos sanitários devem ser adaptados para
uso de cadeirantes, com corrimão, área suficiente para uso
de cadeiras de rodas. Sua entrada deve ter no mínimo 80 cm de largura.
Cada andar do prédio deve ter banheiro para uso de pessoas com
bolsa coletora intestinal.
Além
dos ítens citados acima, deve haver piso tátil para guiar
o deficiente visual até o interior do prédio.
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Brasil:
muitos deficientes, pouca estrutura
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Os números
são imprecisos. Enquanto o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) avalia que cerca de 24,5 milhões de brasileiros
possuam algum tipo de deficiência, há quem aponte que o total
passe de 30 milhões. Independentemente da exatidão das cifras,
o fato é que esse contingente é maior que a população
de vários países do mundo. Só para ilustrar, na Austrália,
por exemplo, vivem 21 milhões de pessoas. Apesar dos altos números,
o Brasil não é referência quando se fala do trato
com deficientes físicos.
Os problemas
são dos mais variados. Se a escassez de transporte público
já complica a vida de pessoas sem nenhum problema de locomoção,
usar ônibus ou trens em uma cadeira de rodas torna-se algo bastante
complexo. E não é só isso. Uma mesa de bar em cima
de um piso tátil (usado para orientar deficientes visuais quanto
ao caminho a ser seguido), por exemplo, pode transformar uma simples caminhada
vespertina em uma visita ao hospital.
A paraplégica
Julie Nakayama, 23, sabe bem o que é isso. Desde o ano passado,
ela, que é assessora parlamentar da vereadora Mara Gabrilli (PSDB-SP)
também deficiente , realiza o trabalho de fiscalização
da avenida Paulista. Lá, Julie, conhecida como Guardiã
da Paulista, enumera todos os problemas encontrados na região
e os encaminha à gerência da via. Com experiência nos
relatos das questões encaradas pelos deficientes, Julie listou
quais são as cinco maiores dificuldades enfrentadas por pessoas
com dificuldades de locomoção, visual e auditiva.
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Palavra de especialista
Julie Nakayama,
assessora parlamentar da vereadora Mara Grabrilli (PSDB-SP), mantém
um blog sobre o trabalho de fiscalização que ela realiza
na avenida Paulista desde o ano passado acerca das leis sobre acessibilidade
(http://guardiadapaulista.ning.com/).
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Falta
de respeito no uso de vagas reservadas para pessoas com deficiência
e idosos
Funciona da mesma maneira que os banheiros. A vaga reservada
tem um espaço maior, para transferência do carro para a cadeira
de rodas, e é mais perto, para diminuir a distância para quem
tem mobilidade reduzida. Isso deve ser respeitado. Vale também para
as vagas para os idosos. Eu acredito que um cadeirante não pode parar
em uma vaga de idoso e vice- versa. Respeito também entre os usuários. |
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Falta
de transportes públicos adaptados
Há
uma porcentagem muito pequena ainda de ônibus e metrôs acessíveis.
No caso dos ônibus, nos que são acessíveis, muitas vezes
falta preparo por parte dos motoristas em ajudar. No Brasil, facilita muito
se o cadeirante tem carro, porque depender de transporte público
é bastante complicado. |
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Falta
de acesso nas ruas
A Liberdade por exemplo, não é um exemplo
bom em acessibilidade, o que é até irônico, por ser
um local que apresenta um número grande de idosos e pessoas com mobilidade
reduzida. Mas não é só lá que este problema
existe. Em praticamente toda a extensão de São Paulo, infelizmente,
ainda é difícil transitar com cadeira de rodas. É complicado,
porque mesmo se o local é acessível, corremos o sério
risco de não conseguirmos chegar até nosso destino, porque
as calçadas são muito instáveis. |
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Locais
públicos não acessíveis
Eu gosto muito de sair, conhecer lugares novos, mas,
para mim, chegar a um lugar onde não há acesso é como
se eu não fosse bem-vinda lá. Acho que o maior problema é
a educação do brasileiro, que é muito receptivo, de
bom humor, quer sempre ajudar, mas não respeita o próximo.
Em outros países essas coisas simplesmente não acontecem. |
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Falta
de respeito no uso de banheiros adaptados
Este é um problema cultural, na minha opinião. Até
existem banheiros acessíveis, mas não são respeitados.
São usados como almoxarifado e vestiário de funcionários.
Isso quando não são usados por pessoas que não precisam
daquele espaço. As pessoas precisam entender que o banheiro adaptado
não é maior por acaso. Geralmente, há um acessível
e vários não acessíveis. Então por que
ocupar o único banheiro que podemos usar? |
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