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Quinta-feira, 17 de maio de 2012 - 3h17
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Especial - Japão
Suicídios afetam 35 mil trens por ano
Atrasos causados por pessoas que se matam nos trilhos dobram em quatro anos
 

Suicídio é a segunda maior causa de atrasos ou paradas de trens no país, atrás dos desastres naturais

(Foto: Kyodo)

Quem anda de trem em Tóquio e arredores está acostumado a ouvir o termo jinshin jiko (acidente envolvendo vítimas humanas), usado pelos condutores ao explicar o motivo dos atrasos ou das paradas por longo tempo nas estações. A palavra na verdade é um eufemismo de “suicídio” e não um simples acidente.

Dados do governo confirmam o fato. O suicídio é a segunda maior causa de atrasos ou parada de trens depois dos desastres naturais, segundo o Ministério do Território, Infraestrutura, Transporte e Turismo. Conforme o levantamento feito em 197 companhias ferroviárias, houve cerca de 48,6 mil casos de trens que tiveram atrasos maiores de 30 minutos por causa de tempestades, terremoto e outros fenômenos naturais no período de abril de 2008 a março de 2009. Já os acidentes provocados por pessoas que se jogaram nos trilhos resultaram em 35,3 mil casos. Desse total, 647 pessoas morreram.

O número de atrasos em decorrência de suicídios, que aumentou pelo quarto ano consecutivo, é quase o dobro do que o registrado entre abril de 2004 e março de 2005. Das 353 mil ocorrências, 211 aconteceram na região metropolitana de Tóquio, que inclui as províncias de Kanagawa, Saitama e Chiba. As linhas que registraram maiores números de suicídios foram Chuo, Keihin Tohoku e Yamanote.

Os atrasos causados por tentativas de suicídios ocorrem quase todos os dias em algum lugar do país. Só na primeira semana de maio, vários casos do gênero foram noticiados pela imprensa. Na manhã do dia 10, por exemplo, um homem se jogou na linha Chuo da Japan Railway e foi atropelado pelo trem que estava chegando à estação de Shinjuku, uma das mais movimentadas de Tóquio. Diante do acidente, a operação da linha foi suspensa durante 45 minutos, afetando cerca de 35 mil passageiros.

Em Hyogo, na manhã do dia 7, uma jovem invadiu a linha da Sanyo Dentetsu na estação de Iho, em Takasago, passando por uma cancela, e morreu atropelada pelo trem expresso que se dirigia para Umeda (Osaka). Cerca de 24 mil passageiros foram afetados pelo acidente que paralisou o funcionamento dos trens por mais de uma hora.

Medidas preventivas

As companhias ferroviárias têm tomado medidas preventivas para reduzir suicídios nas linhas de trem. O método mais eficaz para impedir a queda de pessoas nas linhas é fechar a plataforma com portas e estruturas de vidro, que se abrem e fecham juntamente com as dos trens.

Mas há poucos locais no Japão que têm esse sistema por causa dos altos custos e da dificuldade de instalação em estações já existentes. Apenas algumas linhas novas, como o metrô Nanboku, de Tóquio, o metrô Tozai, de Quioto, e a linha Nanko Port Town, de Osaka, possuem portas na plataforma. São mais comuns barreiras menores, com 1,3 metro de altura, instaladas em estações de várias linhas, como Mita e Marunouchi, do metrô de Tóquio, Tokyu Toyoko, Tsukuba Express, metrô de Yokohama (Kanagawa) e Sendai (Miyagi).

A linha Yamanote, uma das mais movimentadas da capital, deve adotar o sistema de portas em duas das 29 estações. Em Ebisu, as barreiras começarão a funcionar em 26 de junho, e em Meguro, a partir de 28 de agosto. A JR Higashi Nihon, que administra a linha, planeja instalar proteção nas plataformas de todas as outras 27 estações até 2017.

 
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