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Sexta-feira, 31 de outubro de 2014 - 6h55
DESTAQUES:
Especial
Taikô à brasileira
Os tambores japoneses conquistam jovens de todo Brasil; hoje já são
cerca de 150 grupos de músicos espalhados por todo País

 

“Amor à primeira vista”
“Sempre gostei da cultura japonesa e o taikô surgiu como uma grande oportunidade de aprofundar-me nos conhecimentos desse país”, diz a estudante Carolina Pompéia Fraga de Almeida. Foi amor à primeira vista, como ela mesmo revela. “Fiquei encantada com as batidas, o som e os movimentos”. Carolina treina há quatro anos, todos os sábados, com os demais companheiros da equipe do Clube Cultural Nipo-Brasileiro de Bauru. Entre os integrantes está sua prima, Laura de Almeida Meyer, 14 anos, que também se entregou ao taikô em 2008.

(Reportagem: Helder Horikawa | Foto: Divulgação)

A estudante Carolina Pompéia Fraga de Almeida, 19 anos, é paulista de Bauru, interior de São Paulo. A enfermeira Daniela Almeida, 25, é baiana de Salvador (BA). Em comum, a paixão pelo taikô. Elas fazem parte do universo de brasileiros que se apaixonaram pelos tambores japoneses, instrumentos que vem ganhando popularidade no País há quase uma década.

Até 2002, o taikô estava praticamente restrito à comunidade japonesa. De lá para cá, o cenário mudou. Hoje, há cerca de 150 grupos, não oficialmente contabilizados, totalizando algo em torno de 6 mil praticantes em todo Brasil. Municípios como Mossoró (RN) e Valença (RJ) estão na lista. Pelas estimativas do presidente da Associação Brasileira de Taikô (ABT), Pedro Yano, entre 10% e 15% deles são não nikkeis. “O taikô mexe com o coração das pessoas. Essa vibração conquista os brasileiros”, acredita Yano.

Há praticantes dos 7 aos 70 anos, 60% deles mulheres. “Eles incorporaram a cultura, atraídos também pela disciplina e seriedade dos japoneses”, explica Izumo Honda, coordenador do V Festival Kawasuji de Taikô, o maior evento do gênero no País ao lado do próprio Campeonato Brasileiro.

O Festival Kawasuji de Taikô, nos dias 24 e 25 de janeiro em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foi uma prova do sucesso dos tambores japoneses no Brasil. Há cinco anos, quando foi realizado pela primeira vez, reuniu 18 grupos. Desta vez, foram 21. Se contabilizados os participantes do workshop, o número sobe para 30 grupos, com cerca de 600 praticantes das mais diferentes localidades do Brasil e também da Argentina.

Divulgação da cultura

De acordo com Akimassa Aoyama, presidente da Kawasuji do Brasil, a propagação do taikô entre os brasileiros só tende a crescer. As comemorações do centenário, em 2008, foram também fundamentais nesse processo de divulgação. “Não importa a etnia dos praticantes. O que vale é que estamos resgatando e divulgando os valores da cultura japonesa”, defende ele.


Hoje são 150 grupos de taikô espalhados pelas mais diversas localidades do País, como Rio Grande do Norte e Santa Catarina

Em alguns grupos, os brasileiros formam um número representativo. Na Associação Nipo-Catarinense, de Florianópolis, por exemplo, eles são 50% dos praticantes. Na Associação Nipo-Brasileira de Salvador (Anisa), na Bahia, essa estatística é ainda mais impressionante. Por lá, praticamente 100% dos tocadores são não nikkeis. “Santa Catarina não tem muitos nikkeis. Assim, sempre que nos apresentamos surgem interessados”, explica o presidente da Nipo-Catarinense, Elídeo Sinzato, onde o grupo de taikô foi formado em 2005, com apenas 6 pessoas. Hoje, reúne 20 integrantes, sendo 90% deles universitários.

Entre os jovens nikkeis, o taikô surgiu como uma alternativa. “Há dez anos, os mais novos tinham poucas opções na comunidade, como o beisebol, softbol e as danças folclóricas. O som e o movimento dos tambores japoneses os conquistaram. O taikô veio para ficar”, argumenta Aoyama.

Exemplo dessa entrega de jovens nikkeis vem da Associação Nipo-Brasileira de Goiás, em Goiânia. O primeiro grupo surgiu em 2005. No workshop inicial, realizado pelo Ishin Daiko, de Londrina (PR), 50 pessoas inscreveram-se. “Na época, tínhamos um único instrumento. Atualmente temos 30”, recorda o ex-presidente Mário Yoshihide Kuwae, hoje coordenador do Departamento de Taikô da entidade, que reúne 40 tocadores nas categorias infantil e juvenil, 100% deles nikkeis.

 
“Nunca duvidei de que o taikô faria sucesso entre os brasileiros”

O grande responsável pelo boom do taikô por aqui é o professor Yukihisa Oda. Ele esteve no Brasil, pela primeira vez em 2002, como enviado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) para ensinar aos brasileiros os segredos dos tambores japoneses. “Nunca duvidei de que o taikô faria esse sucesso entre os brasileiros, que são os reis dos instrumentos de percussão. O futebol é um esporte inglês, mas o brasileiro é reconhecidamente o melhor do mundo. O taikô é japonês, mas dentro de pouco tempo, o Brasil vai ensinar o mundo a tocar esse instrumento”, afirma categoricamente.

Em sua quarta passagem pelo Brasil, há duas semanas, o professor Oda foi reverenciado pelos seus milhares de discípulos em São Caetano do Sul. “Ensinei os pais, que hoje ensinam seus filhos a arte do taikô. Isso me deixa extremamente emocionado. Já tinha esperança de que nikkeis e não nikkeis pudessem se integrar ainda mais tocando juntos o taikô. Fico muito feliz com essa harmonia”, enaltece.

Professor Oda: “o taikô é japonês,
mas dentro de pouco tempo, o Brasil
vai ensinar o mundo a tocar esse instrumento”

Na terra do Olodum e da timbalada, tambores japoneses fazem sucesso
O primeiro contato dos baianos com o taikô ocorreu em 15 de janeiro de 2009 em um workshop dado pelo grupo londrinense Ishin Daiko, em um festival japonês em 2008. Na época, a Associação Nipo-Brasileira de Salvador (Anisa) ganhou seis instrumentos. Hoje, até fabricam seus próprios taikôs. “Para nós, conhecer o taikô foi fantástico. As pessoas, até hoje, se surpreendem quando nos veem tocando”, diz o advogado Leonardo Raposo, vice-coordenador do Grupo Cultural Wado de Salvador. Dos 23 integrantes adultos do grupo, 21 são não nikkeis. Essa supremacia não ocorre na categoria infantil. Das 11 crianças, oito são nipo-brasileiras, oriundas do curso de língua japonesa da Anisa. Para Daniela Almeida, a paixão pelo taikô foi arrebatadora. “Na primeira vez que vi uma apresentação, o som tocou meu coração. Pensei: ‘um dia ainda vou aprender isso aí’. O taikô foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida”, argumenta ela, que já tinha experiência em teclado e piano.
 
Por dentro da história
O taikô já foi utilizado em cerimônias religiosas e para anunciar guerras e intimidar adversários, mas hoje reflete a música tradicional japonesa para o mundo. No Japão feudal, eram usados para motivar as tropas, auxiliar a marcar o passo na marcha e para anunciar comandos e ou ordens marciais. Os camponeses também usavam os taikôs, mas com objetivos diferentes. Os instrumentos faziam parte de festivais e rituais para rezar e agradecer pelas boas colheitas. Após a Segunda Guerra, sua função teve uma mudança radical, e o taikô passou a fazer parte apenas das apresentações artísticas.
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