|
(Reportagem:
Cinthia Yumi | Foto: Divulgação)
Cercada pelo
clima ameno das serras, a cidade de Ivoti, a 55 km de Porto Alegre (RS)
mantém as características típicas do Estado, com
colonização predominantemente germânica. No entanto,
entre chimarrão e chucrute, há um pouco de sushi. O município
de 18 mil habitantes, que também é conhecido como cidade
das flores, tem o título de abrigar a maior comunidade nipo-brasileira
do Rio Grande do Sul.
Daí,
segundo a prefeitura da cidade, surgiu a necessidade de se criar um espaço
para resguardar a história dos imigrantes japoneses, que começaram
sua saga no município em 1966, mais de um século depois
dos alemães. No ano passado, comemoramos o centenário
da imigração japonesa no Brasil. Muitos turistas visitaram
a nossa cidade e ficaram curiosos em saber mais sobre os imigrantes japoneses
daqui. Então, decidimos que era hora de criar um local para preservar
e difundir essa memória histórica para as gerações
futuras, diz Gabriela Dilly, diretora do Departamento de Cultura
da prefeitura de Ivoti.
Com o início
das obras previsto para o primeiro semestre de 2010 e orçamento
de R$ 160 mil, o Memorial da Colônia Japonesa de Ivoti abrigará
objetos da Cooperativa Hortifrutigranjeira Mista de Ivoti, um jardim japonês
e um monumento alusivo aos imigrantes, numa área de 900 m²,
na região rural da cidade.
O prédio
desativado, cuja área construída é de 200m²,
será reformado seguindo os padrões da arquitetura japonesa
e abrigará o acervo do Memorial. Vamos trocar o telhado,
colocar madeiras nas paredes e janelas e fazer outras alterações
significativas. O jardim é outra parte importante do projeto. Por
isso, pretendemos contar com a colaboração de profissionais
do Japão, diz a arquiteta responsável pelo projeto,
Madalena Fuke. Ainda não temos data exata para o início
e o término das obras, mas elas foram planejadas para serem executadas
em quatro meses no próximo ano, diz Fabiano Hironaka, do
setor de Engenharia da prefeitura de Ivoti.
Segundo Gabriela,
a expectativa é de que o Memorial seja inaugurado em outubro de
2010, mês de aniversário do município. A diretora
acrescenta que a reforma andará junto com a coleta de material
para o acervo, que deverá ser composto por roupas, utensílios
domésticos, ferramentas agrícolas, cartas, fotografias e
outros documentos que ilustrem como era a vida dos imigrantes. Já
fizemos cinco reuniões com a comunidade nipo-brasileira, tanto
para a aprovação do projeto quanto para pedir colaboração
para o acervo, completa Gabriela.
O presidente
da Associação Cultural Nipo-brasileira da Colônia
de Ivoti, Edílio Kamiura, garante que a comunidade nipônica
irá colaborar com o projeto e ressalta a sua importância:
Daqui a uma ou duas gerações, a comunidade nipo-brasileira
será predominantemente mestiça. Com o Memorial, essas novas
gerações terão informações sobre a
história de seus ascendentes e a importância que tiveram
no processo da formação da colônia japonesa de Ivoti.
|