PORTAL NIPPOBRASIL ONLINE - 13 ANOS
-
Fale conosco: adm@nippo.com.br   
Quinta-feira, 17 de maio de 2012 - 3h16
DESTAQUES:
Especial - Zashi
Projeto em Londrina usa sumô para ajudar população carente
Praticantes, inclusive mulheres, têm entre 3 e 72 anos e moram nas favelas e na periferia

Integrantes do projeto: esforço e criatividade para seguir em frente
 

(Reportagem: Susy Murakami | Foto: Arquivo Pessoal)

Em pleno centro de Londrina, segunda maior cidade do Paraná, praticantes de sumô treinam quatro vezes por semana em uma arena montada na Associação Kaiko. Graças à família Gomes, mantenedora da entidade, o esporte tem ganhado cada vez mais adeptos na região, principalmente entre não nikkeis. A associação atende atletas que pagam mensalidade para treinar e aqueles integrantes do projeto social “Lutando para Ensinar”, voltado para pessoas carentes de favelas e da periferia do município. Todos treinam juntos. São mais de 80 lutadores de 3 a 72 anos. Entre eles, estão cerca de 30 mulheres.

O projeto foi criado por Cassiano Joaquim Gomes seis anos atrás. Ele é funcionário público e foi adotado por uma família de imigrantes japoneses. Há 26 anos, mantém uma academia de artes marciais.

Os dois filhos de Gomes também treinam sumô e, junto com outros praticantes da associação, já alcançaram importantes conquistas no âmbito nacional e internacional.

Os atletas aprendem não só a lutar, mas também toda a disciplina e a filosofia que envolvem a modalidade. Também são ministradas aulas teóricas sobre a história do esporte nipônico. A associação oferece também outros cursos e atividades, como boxe, aikidô, tai chi chuan, e oficinas de mangá e ikebana, das quais os atletas do projeto podem participar, desde que tenham o sumô como principal atividade.

Quando há alguma competição nacional, a escolha da equipe a ser enviada é feita por votação entre atletas, técnicos e pais. O critério levado em conta não é o técnico, mas o disciplinar. Os mais votados são aqueles que apresentaram bom comportamento em casa, tiraram boas notas na escola, ou conseguiram um emprego.

Criatividade para driblar a falta de recursos

Manter o projeto social ao longo de todo esse tempo tem sido “uma grande aventura”, como define Gomes. Seu trabalho inclui orientação às famílias, além de alimentação e transporte para os atletas. A permanente falta de recursos financeiros tem sido vencida com muito esforço e criatividade, o que vem acontecendo desde o início.

Logo depois de montar o time, há seis anos, Gomes entrou em contato com a Confederação Brasileira de Sumô (CBS) e pediu autorização para assistir a um torneio que seria disputado em São Paulo. A CBS buscou informações sobre o grupo e deu a resposta: em vez de apenas assistir, a equipe poderia competir. A reação foi um misto de alegria e nervosismo. “Deu uma tremedeira”, lembra Gomes. “Não tínhamos nem uniforme”. No sumô, o “uniforme” usado é o mawashi, uma longa faixa de tecido grosso enrolada em volta da cintura do lutador, passando entre as pernas, e que serve tanto para proteger as partes íntimas quanto para ser agarrada pelo oponente no momento de aplicar os golpes. Mas, além do mawashi, os atletas iriam precisar de dinheiro para o transporte, a estadia, a alimentação e o pagamento das taxas de inscrição.

Foram, então, organizados bingos, jantares e rifas com objetos doados. O dinheiro foi conseguido, mas, para reduzir os custos, a equipe levou um fogão no ônibus para cozinhar a própria comida, recurso utilizado até hoje. Quanto ao “uniforme”, o jeito foi procurar, em postos de caminhões, algumas lonas velhas que, cortadas em faixas e costuradas à mão, renderam excelentes mawashis. Também esse recurso é usado até hoje

Atualmente, o projeto vive um momento de crise e de expectativa: o único auxílio financeiro, que vem da prefeitura, foi suspenso há seis meses e pode ser cancelado. O prefeito eleito em 2008 teve o registro da candidatura cassado e, com a mudança de administração, ainda não houve acordo para a retomada da ajuda de R$ 10 mil anuais. Mesmo assim, Gomes não pensa em desistir. Ao contrário, matriculou-se em cursos que ensinam como elaborar projetos que possam ser contemplados com verbas públicas. “Quando o pessoal está desanimado, eu lembro a eles que, no sumô, você pode cair 10 vezes, mas vai levantar 12”, diz. Para ele, o importante é usar a tradição japonesa como ferramenta para melhorar a vida de pessoas carentes: “Aquilo que os imigrantes trouxeram para o Brasil tem servido de exemplo e lição para os brasileiros”. Ele defende que também as tradições do sumô, transmitidas ao longo de séculos, têm de ser mantidas. Mas apenas com uma linguagem nova é que o esporte conseguirá atrair mais praticantes e patrocínio. Por isso, aos 52 anos, Gomes está passando o bastão: “Estou trocando a minha diretoria por um pessoal mais jovem”.

 
 Busca
 Especial
• Executivos japoneses no Brasil convivem com diferenças culturais no País
• Japão ainda dificulta a carreira de mulheres
• Japão estimula funcionários a tirarem licença-paternidade
• Ano-Novo no Japão só
termina em meados de janeiro
• Marcos da imigração no Vale do Ribeira viram patrimônios históricos
• Natal à japonesa: sem feriado, ceia, missa e nem panetone
• Mulheres aderem à moda do plastimodelismo
• Editoras japonesas buscam formas de atrair mais leitores
• Ensino de japonês abre horizonte para estudantes da rede pública
• A nova imigração japonesa no Brasil
• Escolas em São Paulo ajudam a preservar cultura japonesa no País
• Mulheres casadas preferem ficar em casa do que trabalhar fora
• Japão oferece facilidades aos portadores de necessidades especiais
• Suicídios afetam 35 mil trens por ano
• Divórcios no Japão e Brasil:
Quando o amor acaba
• Japoneses dão nota 6,5 a sua felicidade
• Maternidade torna-se problema social no Japão
• Helper: Os cuidadores de idosos
• Excessos levam sociedade japonesa a discutir pornografia em manga
• Taikô à brasileira
• Na pequena e europeia Ivoti (RS), um museu da imigração japonesa
• Projeto em Londrina usa sumô para ajudar população carente
• Como escolher o nome em Japonês
• As noivas que atravessaram o Atlântico
• Yosakoi Soran: Uma dança, muitas culturas
• Culinária: Sabores do Inverno
• Pontos comerciais guardam a história do bairro da Liberdade
• Conheça o novo Enkyo
• Surge uma nova geração de Artistas nipo-brasileiros
• Você fala o japonês do Japão ou o do Brasil?
  © Copyright 1992 - 2011 - Jornal NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br