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Sábado, 29 de abril de 2017 - 12h36
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Yosakoi Soran: Uma dança, muitas culturas
Fora o Japão, Brasil é o único país que celebra oficialmente o Yosakoi Soran

(Reportagem: Suzana Sakai e Helena Saito)


Dança atrai também não nikkeis, o que enriquece a manifestação cultural

Dança e música para exaltar a luta contra o mar e o heroísmo dos pescadores em busca de sustento. Foi com esse intuito que, há mais de 16 anos, o festival Yosakoi Soran foi criado em Hokkaido, no Japão.

Considerada como uma versão mais ágil e movimentada das coreografias tradicionais do arquipélago, esse estilo de dança tem sido utilizado como elemento para a preservação e a difusão da cultura japonesa. Mais do que isso, ele funciona como uma forma de identificação cultural dos povos, em especial, dos nipo-brasileiros.

No Brasil

O Yosakoi Soran começou a ser organizado pelos brasileiros em 2003, com o intuito de preservar e difundir a cultura japonesa no País. Atualmente, o Brasil é o único país além do Japão que celebra o festival oficialmente.

As duas primeiras edições do Yosokai Soran em território nacional aconteceram em São Paulo, ao ar livre, no bairro da Liberdade e no Parque Ibirapuera, respectivamente. A partir da terceira edição, o festival passou a ser realizado na casa de eventos Via Funchal, também em São Paulo. Neste ano, o Festival Yosakoi Soran completou sua 8ª edição no País.

Segundo a doutoranda e pesquisadora de etnicidade e migração Tamaki Watarai, para os jovens nipo-brasileiros, dançar o Yosakoi Soran tornou-se um meio de expressão da identidade. “Ao mesmo tempo em que introduzem novos elementos da cultura local, eles querem preservar a tradição recebida dos pais e dos avós”, afirma Tamaki.

Além disso, a pesquisadora afirma que quando praticada em grupo, a dança atrai também não nikkeis, o que enriquece ainda mais a manifestação cultural. Saiba mais sobre a difusão do Yosakoi Soran no Brasil na entrevista de Tamaki ao NippoBrasil.

 
Entrevista: Tamaki Watarai

O intercâmbio cultural proporcionado pela dança e por suas consequências para a comunidade nipo-brasileira tornaram-se objetos de estudo acadêmico. A doutoranda e pesquisadora de etnicidade e migração Tamaki Watarai, formada em Língua Portuguesa e Estudos Brasileiros pela Universidade Sofia, morou três anos no Brasil para estudar a difusão do Yosakoi Soran entre os jovens.

NippoBrasil: Como começou o seu interesse pela cultura brasileira?
Tamaki Watarai:
Ao me formar em Língua Portuguesa, fiz uma pesquisa relacionada ao Brasil, apesar de, na época, conhecer pouco sobre o País. Quando cursava o 3º ano, fiquei por um ano na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (RS) como intercambista. Mas muitas pessoas me disseram: “Aqui não é o Brasil, é a Europa”. Percebi, então, que a cidade tinha semelhanças com a Europa. E me perguntei então: “o que é o Brasil?” e “qual é a identidade dos brasileiros?”. Então, por acaso, conheci o Yosakoi Soran apresentado pelos brasileiros e pensei que ali poderia estar uma parte da minha resposta. Observando o desempenho dos nik-keis nas apresentações da dança, percebi que se tratava de um meio de eles expressarem sua identidade e também o que pretendem fazer no futuro.

Nippo: O Yosakoi Soran do Brasil é diferente do original?
Tamaki:
O do Brasil tem uma diversidade de grupos étnicos. Na criação da coreografia, eles buscam algo próprio, introduzindo características brasileiras com a ajuda dos não descendentes. Aí se expressam também a cultura japonesa moderna e a busca pela tradicional. A identidade deles é a junção de tudo isso. Mas os japoneses parecem criar mais livremente em cima do Yosakoi Soran. Eles introduzem elementos de reggae, de samba. Já os brasileiros tentam se prender mais à forma original, por isso se surpreendem quando digo que não existe nenhuma exigência específica. Como já participei de um grupo de Yosakoi Soran no Japão, pude entender o forte sentimento dos nikkeis pela preservação da tradição japonesa, principalmente, é evidente, nas apresentações de seus grupos.

Nippo: Como é a dança original?
Tamaki:
É uma mistura de Yosakoi, canção orginária da província de Kochi, em Shikoku, com Sooran-bushi, uma música folclórica de Hokkaido que retrata o costume dos pescadores. As duas únicas regras para a sua difusão são usar o naruko – instrumento de percussão feito de madeira – e introduzir na letra parte do Sooran-bushi. Hoje, há festivais realizados em mais de cem locais em todo o arquipélago.

Nippo: Por que estudar o Yosakoi Soran no Rio Grande do Sul?
Tamaki:
A princípio, o meu estudo era sobre a imigração para o Sul do Brasil e a identidade local. Depois, eu me voltei para o Yosakoi Soran e a identidade dos nikkeis. Ao comparar ambos, percebi que a formação do primeiro se deu de maneira tradicional, com a transmissão da cultura das gerações antigas para as mais novas. Já o segundo ocorreu na era da informação: os jovens nipo-brasileiros obtiveram as informações diretamente do Japão, por meio da internet ou de estudantes que moraram no país. Tanto que, em geral, os praticantes são sanseis e yonseis na faixa de 15 a 30 anos que não falam japonês.

Nippo: Por que o Yosakoi Soran atrai tanto os nikkeis quanto os não nikkeis?
Tamaki:
Ambos veem essa dança como algo próximo de sua cultura. Todos me dizem que têm vontade de participar por se sentirem atraídos pelos movimentos rápidos e dinâmicos. Outro ponto: no Japão, a apresentação é feita nas ruas, o que se assemelha ao carnaval brasileiro. Existem muitos sanseis e yonseis, além de não descendentes, que gostam da cultura japonesa.

Nippo: O Yosakoi Soran também é praticado pela comunidade brasileira no Japão. Há alguma diferença?
Tamaki:
No Japão, os grupos de brasileiros não optam pela originalidade e é comum a participação das crianças – e não dos jovens, como no Brasil.

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