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Quinta-feira, 17 de maio de 2012 - 3h16
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Especial
Surge uma nova geração de artistas nipo-brasileiros
Influência da cultura japonesa pode ser observada nas produções artísticas dos nikkeis
 

Obra de Marcelo Tanaka: técnica exaustivamente pesquisada no exterior

Percurso histórico
A história da arte nipo-brasileira começa em 1935, com o surgimento do grupo Seibi, formado por artistas plásticos de São Paulo. Tratava-se de um grupo de artistas japoneses que se reunia para discutir o aprimoramento técnico e a divulgação de suas obras. Entre os fundadores, estavam Hajime Higaki, Shigeto Tanaka, Tomoo Handa, entre outros.

Com a Segunda Guerra Mundial, o grupo teve suas atividades interrompidas e se dispersou. Na década de 40, o grupo retomou suas atividades com o apoio de novos integrantes que se tornariam ícones das artes no Brasil. Entre os novos integrantes, estavam nomes como Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi e Flávio Shiró.

Na década de 50, surgiu o Salão do Grupo Seibi, com a realização de 14 edições até a década de 70, o que fez do salão um grande espaço de projeção dos artistas nipo-brasileiros no meio artístico nacional. Até então, o estilo adotado por eles era o figurativo.

Alguns desses artistas do Seibi estrearam a primeira edição da Bienal de Artes em 1951. A partir dessa data, muitos deles passaram a ter novas inspirações para suas obras, que deixaram de ter predominância figurativa. Esse foi o caso de dois ícones do mundo das artes nipo-brasileiras: Manabu Mabe (1924–1969) e Tomie Ohtake (1913). Mabe partiu para o estilo abstracionista. Tomie, por sua vez, mistura formas e cores em suas composições, que vão da pintura à escultura.

(Reportagem: Cinthia Yumi)

Com um visual despojado, simples e moderno, a nova geração de artistas nipo-brasileiros mostra que está antenada com as tendências das artes visuais e não economiza no uso de materiais diversificados e até inusitados em suas criações. A influência da cultura japonesa ainda pode ser observada no trabalho de alguns deles, no entanto, em uma escala bem mais modesta, se comparada à sua proporção na geração dos artistas nisseis.

Se a primeira geração de artistas nipo-brasileiros – com sua expressão máxima no Grupo Seibi (1935–1972) – prezava pela pintura figurativa, hoje, os artistas nipo-brasileiros seguem a tendência das artes visuais, com ênfase na execução de instalações e no uso de vários tipos de mídia em sua composição. “Hoje, a tendência nas artes é mesclar mídia em instalação. Os novos artistas estão atentos a isso”, explica o professor de design e arquitetura da FAU–USP, Takashi Fukushima, 59.

Com a experiência de quem nasceu e cresceu no mundo das artes, Fukushima aponta três gerações de artistas nipo-brasileiros: a primeira, a do Grupo Seibi, com tendência à pintura figurativa; uma segunda geração de transição, com preferência pela pintura abstrata; e a atual, formada por jovens talentos da arte contemporânea.

Na visão de Fukushima, a nova geração também está ciente da dificuldade de se viver de arte no Brasil: “Não acredito que eles estejam fechados e que só queiram trabalhar com criação de obras de arte. Muitos deles exercem atividades paralelas para pagar as contas. E esse é o caminho natural, já que a consagração no mundo das artes depende de uma série de fatores, como estar bem assessorado, conquistar a simpatia da crítica, etc.”.


De Bragança Paulista para o Louvre


Tanaka: projeção internacional com obra exposta no Museu do Louvre

Natural da cidade de Bragança Paulista, em São Paulo, o sansei Marcelo Tanaka, 43, sempre se dedicou à arte. Após se formar em Comunicação Social, Tanaka viajou ao Japão para estudar história da arte em Tóquio e foi em 2006 que o artista ganhou projeção internacional, já que a obra Sonhos Angelique foi selecionada para uma exposição no Museu do Louvre, em Paris.

A pintura em questão foi feita com o uso de uma técnica peculiar, a encáustica, que se utiliza de cera de abelha, vernizes e pigmentos minerais. “É uma técnica milenar, originária da Grécia. Realizei pesquisas por mais de dez anos em apiários de várias regiões do Brasil, mas foi em um apiário em Bauru que encontrei a cera que me proporcionou o resultado de um dos meus trabalhos preferidos, o Emariginatus, conta o nikkei.

Depois da participação no Louvre, surgiram convites para Tanaka expor seus trabalhos em outros museus europeus, entre eles, o Museu da Pomézia, na Itália. No Brasil, a última mostra do artista foi durante as comemorações dos 75 anos da Universidade de São Paulo. Entre os planos de Tanaka, estão mostras em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em nível internacional, há um convite para uma exposição em Dublin, na Irlanda. “Tenho muito o que estudar, pois a busca é incessante para o artista”, diz.


Inspiração tecnológica para arte


Alice: arte com modernidade e tecnologia, influenciada por seu trabalho na área de Engenharia de Computação

Nos trabalhos Atari Series de 2008 e Quimera, de 2007, da paulistana Alice Shintani, 38, fica evidente um “quê” de modernidade e tecnologia, resultado dos anos de dedicação à Engenharia de Computação. A mudança na vida da artista aconteceu há nove anos, quando ela passou a frequentar cursos na área.

Alice prefere não definir seu estilo de arte. “Prefiro pensar que são poéticas mais nômades, que poderiam estar transitando em qualquer parte do mundo”, diz a artista, que soma cerca de 20 coletivas em sua carreira.

No momento, ela prepara trabalhos para uma exposição individual na Galeria Virgílio, prevista para o mês de agosto.


Dedicação a temas ambientais


Graciela: preferência pela técnica milenar japonesa do nihongá

Mostrando a pintura de um casal de guarás-vermelhos, a gaúcha Graciela Wakizaka, 43, fala do tema preferido de suas criações: o meio ambiente. “Acredito que seja uma tendência para nós, artistas, porque é um tema importante e que interessa a todos”, diz.

Contadora de formação e profissão, Graciela foi autodidata no mundo das artes, desenvolvendo habilidade especial para a pintura em aquarela e preferência pela técnica milenar japonesa nihongá, que se caracteriza pela utilização de pigmento mineral em pó importado do Japão e uma preparação especial do papel de arroz (washi) para que a pintura não seja absorvida por ele.

Os trabalhos de Graciela já foram expostos em vários museus e galerias, com destaque para a Grande Exposição de Arte do Bunkyo em 2007. No momento, ela idealiza uma exposição com temas ambientais.


Arte impactante nas principais capitais do mundo


Obra de Komatsu propõe o questionamento do papel do homem no mundo

Aos 30 anos, o paulistano André Komatsu já expôs sua arte em importantes cidades no circuito das artes visuais, como Tóquio e Paris. No momento, o nikkei pensa em duas instalações para expor na Itália no próximo mês de outubro.

A carreira de Komatsu começou em 2002, quando ele se formou em Artes Plásticas pela FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado. “Utilizo diversas mídias para realizar uma ideia ou um conceito. Entre essas mídias, estão desenhos, videos, instalações, objetos e até ações. Por meio do meu trabalho, questiono as diferentes formas de atuação do homem no mundo, a maneira como lidamos com o espaço urbano e os poderes estabelecidos”, explica.

Apesar da pouca idade, Komatsu mostra uma postura madura em relação ao mercado das artes. “É um artigo de luxo, direcionado a um público específico. Por isso, é difícil viver somente de arte”, diz.

 
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