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Quarta-feira, 28 de junho de 2017 - 2h12
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Especial
As noivas que atravessaram o Atlântico
Casais e viúvas do Cotia Seinen comemoram as bodas de ouro e relembram um
importante capítulo da história da imigração japonesa
 

Michiko Ashikawa

(Reportagem: Suzana Sakai e Yoko Fujino/NB)

Santos, 23 de abril de 1959. Doze moças japonesas preparam-se para desembarcar em terras brasileiras. Em comum, elas sentem o cansaço de uma longa viagem, a expectativa de uma nova vida e uma alegria a ponto de explodir. Ainda a bordo do navio America-maru, olhos brilhantes e esperançosos procuram por jovens japoneses em meio à multidão.

O episódio acima retrata a chegada das primeiras noivas-imigrantes que vieram ao Brasil com o intuito de se casar com os solitários trabalhadores do empreendimento Cotia Seinen. O fato, que marcou um dos capítulos da história da imigração japonesa, completou bodas de ouro em abril deste ano. Pensando nisso, o NippoBrasil decidiu mergulhar no passado e contar um pouco mais sobre essas noivas que deixaram o arquipélago em busca de um sonho no Brasil.

Casamento combinado

Ao contrário do que muitos imaginam, essas primeiras noivas não atravessaram o Atlântico sem nem sequer conhecer os seus futuros maridos. A maioria delas havia combinado o casamento antes da partida dos imigrantes. “Como no início não havia um meio oficial de procura das pretendentes, os jovens casavam-se com pessoas que já conheciam antes de vir ao Brasil”, explica o presidente da associação dos Cotia Seinen, Shizuka Niidome.

Michiko Ashikawa foi uma dessas noivas. Ela e o marido eram do mesmo seinen-kai e combinaram o casamento por correspondência. “O meu marido já estava no Brasil e ouviu falar nesse assunto. Falávamos da possibilidade de eu emigrar como noiva-imigrante”, conta Michiko.


Junko Kino

Conhecer o futuro marido dava mais segurança às primeiras noivas-imigrantes. “Eu não me senti insegura durante a viagem ao Brasil, porque conhecia bem com quem ia me casar. O nosso patrão também esperava a minha chegada. Ele havia se esforçado muito para que eu e meu marido tivéssemos a nossa casa”, relembra Junko Kino, uma das primeiras noivas.

No final da década de 60, entretanto, muitas moças vieram para o Brasil com o intuito de se casar, mas sem conhecer seus pretendentes. Do total de quase 500 noivas-imigrantes dos Cotia Seinen, calcula-se que cerca de 200 delas só tenham conhecido os maridos ao chegar no País.

As primeiras noivas encorajaram as demais. “Em 1968, enviamos a senhora Michiko Ashikawa e mais uma noiva-imigrante para fazer palestras no Japão e buscar jovens que estivessem interessadas em casar e viver no Brasil”, diz Shizuka.

Superando expectativas

As 12 moças desembarcaram do America-maru com muitas expectativas. Surpreendentemente, a nova vida superou os anseios de algumas delas. “Estava preparada para viver à luz de lampião. Por isso, foi uma surpresa agradável chegar à nossa casa e encontrá-la iluminada com lâmpada”, comenta Junko.

Como os maridos já viviam no Brasil, as noivas sentiram um pouco menos as privações da nova terra. “Como o meu marido ainda não era independente, moramos primeiro com o nosso patrão em Santo Amaro. Éramos empregados diaristas, mas era como se fôssemos da família do patrão”, recorda Michiko.

Apesar dos anseios nem sempre atendidos, os 12 casamentos deram certo. As noivas que desembarcaram no Brasil construíram casamentos felizes e duradouros. Neste ano, elas completaram bodas de ouro.“Quase a metade delas comemoraram a data junto ao esposo”, afirmou Hirofumi Bando, organizador da festa anual do grupo de tripulantes do America-maru.

 
Noivas em fuga

Os casamentos das 12 primeiras noivas-imigrantes deram certo. No entanto, nem todas as moças que imigraram para se casar tiveram a mesma sorte.

O trabalho na lavoura, longe da família e em ambiente estranho, levou algumas delas a retornar ao Japão. Na época, essas separações iam para as páginas dos jornais da colônia. “Esse tipo de problema dava material para os jornais e era comum manchetes como A noiva que fugiu”, escreveu Umaji Nishida, no informativo do Cotia Seinen em comemoração dos 25 anos dessa empreitada.


Situação do casamento dos Cotia-Seinen em 1985*
500 Casados com noivas imigrantes
400 Casados com nikkeis de nacionalidade japonesa
960 Casados com nikkeis
110 Casados com brasileiras não nikkeis
*Fonte: Pesquisa Cotia Seinen Renrakukai

Depoimento
Eiko Kinoshita Eiko Kinoshita
Apesar de as primeiras noivas conhecerem os futuros esposos, muitas delas tiveram uma surpresa quando chegaram ao Brasil. Eiko Kinoshita recorda bem o seu reencontro com o marido. “Nesse dia, eu estava vestida com uma blusa branca e uma saia azul esvoaçante. Dizem que eu parecia uma menina de 15 ou 16 anos, no máximo. De cima do navio, fiquei procurando o meu noivo, mas nada de encontrá-lo. Ele também me procurava. No final, só restava eu: ‘A única mulher que ainda resta é aquela criança. Onde será que está a minha noiva?’, esse foi o pensamento que ele teve e que me contou mais tarde. Eu também estava procurando por ele e percebi o único que ainda procurava alguém era aquele... negro. Por via das dúvidas, acenei com a mão levemente. Ele acenou de volta, com uma cara intrigada. Aí pensei que poderia ser ele e desembarquei do navio. Ele, que era branco no Japão, estava preto aqui no Brasil!”, recorda Eiko.
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