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(Reportagem:
Marcello Sudoh e Helena Saito/IPC)
O governo japonês
planeja dar maior estabilidade aos trabalhadores nikkeis e seus cônjuges
ao garantir que sejam contratados de forma adequada e tenham acesso ao
ensino da língua japonesa. Estas e outras medidas constam em um
documento divulgado no final de agosto pelo Conselho para Promoção
de Medidas aos Nikkeis, do gabinete do governo japonês, que traça
as diretrizes políticas para os descendentes residentes no Japão.
O relatório,
intitulado Diretrizes Básicas para os Nikkeis que Vivem no Japão,
sugere que o governo leve a estas pessoas sejam crianças
ou adultos medidas para que melhorem a compreensão da língua
japonesa. O domínio do idioma é considerado uma das chaves
para sanar uma série de problemas enfrentados por esses trabalhadores.
Além
disso, o governo propõe medidas para que os nikkeis tenham maior
estabilidade no mercado e estejam protegidos pela lei trabalhista do país.
Segundo o documento, o desemprego provocado pela crise gerou evasão
escolar entre os filhos dos imigrantes, entre vários outros problemas
para essa comunidade.
No relatório,
o conselho afirma, ainda, ser necessário adotar medidas para qualificar
os trabalhadores nikkeis para que tenham condições de buscar
novas oportunidades de emprego. As consultas trabalhistas em português
também precisariam ser ampliadas para que os imigrantes tenham
uma contratação adequada. O governo quer que NPOs e empregadores
colaborem nesses pontos.
O relatório
traz um diagnóstico da situação pós-crise.
O documento leva em consideração a queda no número
de nikkeis no arquipélago e o impacto que a crise econômica
provocou nessa população para propor as medidas mencionadas,
que foram divididas em cinco temas principais: ensino do idioma japonês,
educação infantil, estabilidade no trabalho, problemas na
vida cotidiana e respeito a outras culturas. Cada um desses temas é
acompanhado de propostas baseadas em experiências de governos provinciais
e municipais. Eles perceberam a necessidade de uma política nacional
unificada para os nik-keis e pressionaram o governo central para que este
se definisse sobre o assunto.
Medidas
revolucionárias
O governo
admite que o Japão não estava preparado para receber os
imigrantes e que a atual situação deles se deve a esse despreparo.
Para reverter os problemas relacionados a educação, emprego,
moradia e convívio social, o órgão afirma ser necessário
aceitar os estrangeiros com ascendência japonesa sem conhecimento
suficiente da língua japonesa como integrantes da nossa sociedade
e não exclui-los dela.
O documento
sugere, ainda, medidas a serem implementadas junto à população
japonesa para que ela entenda quem são os nikkeis. Para Hidenori
Sakanaka, ex-diretor do Departamento de Imigração em Tóquio
e Nagoia e idealizador da reforma na Lei de Imigração de
1990, a entrada dos descendentes para trabalhar no arquipélago,
possibilitada pela mudança feita há 20 anos, foi correta.
Ele considera as diretrizes divulgadas agora revolucionárias.
De acordo com Sakanaka, as medidas governamentais voltadas aos nikkeis
servirão de base para uma nova política nacional para todos
os imigrantes que queiram viver no Japão.
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