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Desabrigados de Hamamatsu
são acolhidos em igreja evangélica
Desempregados ou sem-teto recebem conforto espiritual e comida
 

Após o culto, desabrigados recebem um prato de arroz com curry, roupas e podem conversar sobre seus problemas
O que é Mãos em Ação
O Mãos em Ação é o setor da Praise Church responsável pelas atividades de assistência social. Foi criado em novembro de 2008, no início da crise econômica mundial. Em 2009, a ação arrecadou e distribuiu alimentos a famílias afetadas pela recessão. Às sextas-feiras à noite, durante visitas semanais à estação de Hamamatsu para procurar brasileiros desabrigados, a equipe passou a oferecer alimentos aos sem-teto. Ainda hoje serve cerca de 70 refeições por semana.

(Reportagem e Foto: Osny Arashiro/IPC)

Na noite do dia 21 de maio, os fiéis da igreja evangélica pentecostal Praise Church reuniram-se na sede inaugurada duas semanas antes, no distrito de Minami, em Hamamatsu (Shizuoka), para o culto semanal. A pastora brasileira Aleixa Gotto leu em voz alta a Bíblia com tradução simultânea para o japonês feita por um intérprete. Quase todos os 19 presentes são nipônicos, muitos deles sem moradia ou desempregados. Outros não conseguem mais trabalhar por causa da idade avançada.

Ao término do culto, eles receberam um prato de arroz com curry e roupas. Os necessitados ainda permaneceram na igreja e conversaram sobre seus problemas. Assim, não se sentiram tão abandonados.

Esse é o objetivo do projeto Mãos em Ação, que nasceu com o início da crise, em 2008. “Foi quando começamos a sentir os primeiros reflexos das demissões em massa e a ouvir comentários sobre brasileiros desabrigados dormindo nas imediações da estação de Hamamatsu”, conta Aleixa. “Evangélicos residentes em Kosai e Arai, que participavam de estudos bíblicos, passaram a ir encontrar esses brasileiros. Levamos sopa e, durante um período, cuidamos deles”, explica o evangélico Carlos Eduardo Vilaronga. “Os moradores de rua japoneses vivem uma realidade diferente, se comparado aos brasileiros”, afirma ele. “Apesar de não entendermos por que escolhem ficar na rua, tendo família e benefícios do governo, quero ajudá-los, oferecendo alimentos e a palavra de Deus. Então passamos a fazer cultos na passagem subterrânea do terminal de ônibus de Hamamatsu. As pessoas sentavam no chão, e fazíamos a leitura da Bíblia. Mas os policiais aconselharam a encontrar outro local, porque atrapalhava a passagem pública, embora a distribuição de alimentos fosse autorizada”, completa.

No dia 16 de maio, a unidade em Hamamatsu da Igreja Praise Church foi inaugurada com um culto para japoneses seguido de distribuição de alimentos. A igreja está também em outras duas localidades, Iwata (Shizuoka) e Okazaki (Aichi).

Três mil ienes por mês

O japonês S. tem 67 anos, 30 dos quais viveu como sem-teto. “Moro debaixo do pontilhão da linha do trem”, revela. Ele alega ser perseguido pela polícia e por outros desabrigados. Diz que já foi ameaçado de morte várias vezes. “Consigo passar o mês com 3 mil ienes (R$ 62,55). Sabe por quê? Porque, para mim, 100 ienes (R$ 2,08) são como se fossem 10 mil ienes (R$ 208)”, diz o idoso.

O paranaense H. H. era o único brasileiro entre os necessitados que compareceram ao culto do dia 21. No Japão desde 1991, ele está desempregado há um ano e diz que quase precisou dormir na rua. Mas o seguro-desemprego o ajudou a sobreviver durante oito meses. Após esse período, conseguiu o empréstimo da agência pública de emprego (Hello Work), mas a última parcela a receber venceria em maio. “Fui três vezes na prefeitura pedir o Seikatsu Hogo (auxílio-subsistência), mas me recusaram porque tenho carro”, conta. “Também vou sempre na Hello Work procurar uma vaga, mas exigem conhecimento de 80% do idioma japonês e dizem que não tem emprego, apesar de eu ter experiência em várias áreas”, lamenta.

 
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