
Trabalhadores
estrangeiros no Japão
ficarão mais protegidos com a medida |
(Foto: Kyodo)
A proposta
de novas regras para empresas que contratam empregados terceirizados (haken)
foi aprovada pelo gabinete ministerial no dia 19 de março em meio
a muitas dúvidas sobre se essa mudança na legislação
resultará em maior estabilidade para os trabalhadores com este
tipo de emprego ou no fim das empreiteiras (veja a repercussão
na comunidade brasileira no Japão, na página 3B). Caso seja
aprovada, as contratadoras de mão de obra, a partir de 2013, terão
de garantir o salário dos empregados mesmo quando não houver
trabalho. Mas elas protestam e dizem que isso vai tornar a atividade inviável.
O projeto segue para votação no Parlamento, onde o governo
tem maioria, ainda no primeiro semestre deste ano.
A reforma encabeçada
pelo PD (Partido Democrático ou Minshutoo), do primeiro-ministro
Yukio Hatoyama, proíbe o sistema chamado terceirização
por cadastro (tooroku-gata haken), em que os empregados são somente
cadastrados pela empreiteira e enviados às fábricas. Quando
não há mais trabalho, eles são dispensados e ficam
sem salários, como vem acontecendo com muitos brasileiros desde
o fim de 2008, diante da crise econômica. Para tornar as demissões
mais flexíveis, as empresas preferem contratos com prazos curtos
ou sem data de término específica.
Caso o projeto
seja aprovado, o sistema anterior se tornará ilegal no setor industrial
a partir de 2013, e as empreiteiras terão de adotar a chamada terceirização
regular (joyoo-gata haken). Por esse sistema, os trabalhadores não
são apenas cadastrados, mas contratados por elas. Assim, eles teriam
direito ao salário mesmo se dispensados das linhas de produção,
já que seriam funcionários das empresas.
O PD teve de
negociar um consenso com os membros da coalizão o PDS (Partido
Democrático Social ou Shamintoo) e o Novo Partido do Povo (Kokumin
Shintoo). Os aliados conseguiram incluir o item que proíbe as empresas
para onde os trabalhadores são enviados de escolhê-los por
meio de entrevistas. O Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-Estar
Social insistia em manter intacta a proposta original elaborada pelo Comitê
de Políticas Trabalhistas, um órgão consultor formado
por representantes da Keidanren (Federação das Organizações
Econômicas do Japão) e da Rengo (Confederação
Sindical do Japão), mas teve de voltar atrás.
Outras
mudanças
Segundo a
proposta, o envio de trabalhadores somente por um dia (hi yatoi haken)
fica proibido, com exceção daqueles especializados, como
tradutores. O item passa a valer dentro de seis meses a partir da publicação
no diário oficial japonês. O tooruku-gata haken continua
em outras áreas que não a industrial, mas somente quando
há contratos maiores que dois meses.
Outra mudança
é a introdução de um item que permite ao trabalhador
exigir os mesmos direitos de um empregado efetivo (seishain) quando for
enviado para um setor em que é proibida a contratação
via empreiteira ou estiver trabalhando sob falso contrato de terceirização
(gisoo ukeoi). A reforma prevê ainda regulamentar salários
e benefícios para criar igualdade entre efetivos e terceirizados.
Com exceção
do item que proibiu as entrevistas de contratação nas empresas
às quais o trabalhador é enviado, os demais tinham apoio
das grandes empresas, já que a Keidanren participou da elaboração
da proposta. Prevendo o endurecimento da reforma trabalhista, setores
como o automobilístico e de eletroeletrônicos começaram
a evitar a contratação de terceirizados. A Honda, por exemplo,
dispensou 4,5 mil trabalhadores de empreiteiras em abril de 2009 e não
voltou a contratar desde então, de acordo com informações
do jornal econômico Nihon Keizai. As vagas estão sendo complementadas
com o apoio de outras filiais e com o aumento das horas extras de funcionários
efetivos.
A elevação
de custos com mão de obra promete ser maior para as empreiteiras,
que terão de se adaptar em três anos, e para as pequenas
empresas, que usavam o sistema para flexibilizar a produção
e responder aos aumentos e quedas pontuais.
Por outro lado,
sindicatos e advogados trabalhistas apontam que há lacunas na proposta.
Eles foram os responsáveis por pressionar o PDS para proibir as
entrevistas de emprego, mas não tiveram todos os pontos atendidos.
O fato de a reforma não determinar um prazo para os contratos no
sistema joyoo-gata haken e de as empreiteiras terem ganho de três
a cinco anos para se adaptarem foram alvos de críticas. Já
o governo comemorou o resultado. Não significa que tudo está
resolvido, mas queríamos garantir uma lei executável por
meio do consenso entre empregados e empregadores. Vamos dar esse primeiro
passo, fazer pesquisas sobre a situação após a lei
entrar em vigor e complementá-la no que for insuficiente ou para
resolver os pontos problemáticos, explicou o ministro do
Trabalho, Saúde e Bem-Estar Social, Akira Nagatsuma, ao jornal
Mainichi.
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