Alguns
projetos estão prontos, aguardando apenas interessados para
o atendimento
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(Reportagem:
Susy Murakami | Foto: Divulgação)
Motivados pelo
retorno em massa de dekasseguis ao País, em razão da crise
econômica global, grupos religiosos no Brasil estão tomando
iniciativas parecidas com aquelas realizadas no Japão. Lá,
pessoas ligadas a igrejas já prestam assistência espiritual
e social aos brasileiros desempregados. Por aqui, alguns projetos estão
sendo estruturados para ajudar os que retornam a se readaptar em sua terra
natal.
Reforço
didático
Um desses
projetos está voltado às crianças em idade escolar.
Recém-criado e encabeçado pelo pastor Joel Jun Konno, a
iniciativa oferecerá reforço didático aos filhos
de ex-dekasseguis na sede da Igreja Aliança e Missionária
Rudge Ramos em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo.
A estrutura, com salas e profissionais capacitados, aguarda apenas a inscrição
de pessoas interessadas para funcionar.
As aulas serão
gratuitas, sendo necessário apenas o pagamento de material, como
livros e cadernos. Ao todo, cinco salas, com capacidade para dez crianças
cada uma, estão disponíveis para o atendimento, que será
individualizado, respeitando as característica de cada aluno, considerando
seus históricos familiar e escolar.
A ênfase
do ensino será na língua portuguesa, mas o principal objetivo
é a inserção da criança na sociedade brasileira.
Não basta apenas repertoriá-las com palavras e expressões,
é necessário que elas conheçam brincadeiras, histórias,
jogos, parlendas, cantigas e gêneros literários que fazem
parte da cultura brasileira, diz o pastor. Quem quiser inscrever
crianças no projeto da Igreja Aliança e Missionária
Rudge Ramos pode fazer contato pelo telefone (0xx11) 4368-6392, ou pelo
e-mail: acmrr@iacmrr.org.
No geral, igrejas
de várias localidades estão se dispondo a ajudar pessoas
que retornam do Japão e estão passando por algum tipo de
dificuldade.
O Projeto Okaerinasai,
por exemplo, também criado por igrejas evangélicas, presta
auxílio espiritual aos dekasseguis. O e-mail de contato do projeto
é contato@okaerinasai.org. A Pastoral Nipo-Brasileira (Panib) também
tem sido procurada por pessoas necessitadas. O telefone para contato é
(0xx11) 3277-5866.
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Grupo
de Campinas espera atender dekasseguis
Em Campinas, o trabalho realizado pelo padre Issao Yamamoto
tinha o processo de localização de pessoas facilitado pela
ajuda de grupos voluntários atuantes no Japão. Entretanto,
atualmente, os atendimentos estão parados por falta de procura.
Durante cerca
de um ano, Yamamoto recebeu, na chácara de sua igreja, brasileiros
deportados da terra do Sol Nascente por cometerem delitos ou por estarem
em situação irregular no país. Eles eram indicados
por pessoas que visitavam centros de imigração no Japão.
Aqui, os nikkeis
eram acolhidos até suas famílias serem localizadas. Na
primeira semana, eu lhes fornecia toda a assistência. No entanto,
a partir da segunda semana, eu pedia que eles ajudassem, retribuindo com
trabalhos na chácara, diz. Assim que houver procura, o padre
diz que deverá retomar os atendimentos.
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O
voluntariado que age no Japão
As dificuldades, tanto emocionais como sociais, enfrentadas
pelos brasileiros no Japão têm sido amenizadas com a ajuda
de pessoas ligadas a entidades religiosas que trabalham voluntariamente
no arquipélago. Esse trabalho intensificou-se, principalmente com
o início da crise econômica, período que deixou muitos
brasileiros desempregados.
Antes de voltar
para o Brasil, no início do ano, o padre Evaristo Higa, conhecido
por sua forte atuação na comunidade brasileira, conseguiu
a doação de 180 cestas básicas para pessoas nessa
situação. A assistência material, no entanto, é
a parte menos complexa dos problemas enfrentados pelos que vivem do outro
lado do mundo. Os líderes religiosos estão preparados para
lidar com situações de depressão e desespero sofridas
pelos dekasseguis. Problemas como esses são desencadeados pela
pressão no trabalho, a solidão e o choque cultural. O padre
conta que recebia cartas de pessoas pedindo uma palavra amiga, uma Bíblia,
e até mesmo dinheiro. Muitos não estão preparados
para ir ao Japão. Eles têm que estar cientes da pressão
e das diferenças que vão enfrentar, diz o padre Higa,
hoje na paróquia do Guarujá, litoral do Estado de São
Paulo.
Kiyohiko Amakawa,
pastor da Igreja Metodista Livre de São Bernardo do Campo, também
conhece os problemas vividos por dekasseguis. Durante dez anos, ele foi
voluntário na ajuda à comunidade brasileira no Japão.
Muitas famílias sofrem com a pressão do dia a dia,
diz. O estresse e a falta de tempo para os familiares desencadeiam uma
série de conflitos. A tensão leva casais à
briga e à separação. Para o pastor, enfrentar
situações como as vividas no Japão requer muito controle
emocional.
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