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Nikkeis investem no mercado japonês
Dekasseguis ignoram crise e inauguram filial de franquia brasileira na província de Gifu
 

Daniel Kitabatake, sócio da loja da Fábrica di Chocolate no Aeon de Ogaki

(Reportagem e Foto: Thassia Ohphata/ipcdigital.com)

Enquanto muitos empresários brasileiros sentem na pele os impactos da crise econômica, Daniel Mendes Kitabatake, 30, segue em direção oposta. Em abril, ele e mais dois sócios brasileiros inauguraram a primeira loja da franquia Fábrica di Chocolate no shopping center Aeon de Ogaki (Gifu).

Mesmo em meio à turbulência econômica, eles planejam abrir, até o final do ano, mais duas filiais, uma em Nagoia (província de Aichi) e outra em Hamamatsu (província de Shizuoka), também em unidades da rede de varejo japonesa. Para o próximo ano, serão mais cinco lojas da marca no mercado nipônico.

A ideia de levar um negócio do Brasil para o Japão surgiu há três anos, quando Kitabatake ainda trabalhava em uma fábrica de peças de eletrônicos em Ogaki. “Estava insatisfeito, mas a dúvida era saber o que fazer”, lembra ele, que trabalhou por nove meses na empresa.

Após muitas pesquisas, o brasileiro, que está há quase quatro anos no arquipélago, chegou até a franquia da empresa de chocolates de Joinville (Santa Catarina), que possui 47 lojas espalhadas por Brasil, Espanha, Inglaterra, México e, agora, o Japão. “Os japoneses apreciam muito o chocolate, ainda mais com frutas frescas, que é o nosso negócio”, justifica Kitabatake. Da licença da marca até a abertura do primeiro estabelecimento, no shopping center em Ogaki, foram três anos de pesquisas de mercado e negociações.

Na sociedade, também está outro brasileiro, Yasuhiro Yanagita, 50, de Ogaki. Ele e Kitabatake trabalhavam juntos na fábrica. “Conversei com pessoas que achavam a ideia ótima, mas, quando eu falava em dinheiro, elas pulavam fora. O Yanagita foi o único que acreditou no negócio”, lembra Kitabatake.

Nascia aí a Keiyon Foods, empresa que detém os direitos da marca Fábrica di Chocolate no Japão. Há um mês, outro brasileiro juntou-se à dupla. Com experiência nos mercados brasileiro e japonês, Hideki Funaki, 33, de Kani (Gifu), assumiu a função de diretor-geral e irá gerenciar a empresa.

As famosas frutas cobertas com chocolate já possuem boa aceitação entre japoneses atraídos pela novidade. “Dizer que os japoneses não gostam de doces é um mito. Mulheres de 15 a 35 anos adoram chocolates”, revela o empresário.

Sabor brasileiro

Quem não é tão fã de chocolate também recebeu a atenção da loja. Para esse público, são oferecidos no cardápio dois itens tipicamente brasileiros: café e pão de queijo. “Ainda há o preconceito de que sobremesa é coisa de mulher”, diz Kitabatake, que verificou isso em suas pesquisas. “Mas, de cada 10 que experimentam, 11 aprovam”, brinca.

Os produtos vendidos no mercado japonês são os mesmos dos quiosques brasileiros. Tanto, que os campeões de venda são os carros-chefe da empresa: os fondues de chocolate com frutas.

A matéria-prima vem do Brasil e a única adaptação para o arquipélago foi a quantidade de açúcar. “No Brasil, os produtos são mais doces, então, tivemos que dar uma atenção especial ao gosto japonês”, conta o empresário.

Além de trazer essa novidade ao mercado nipônico, os sócios são também os primeiros brasileiros a ter um negócio dentro de uma das principais redes de varejo no Japão, o grupo Aeon. “Tive o pensamento contrário ao de muitos brasileiros: o de investir no mercado japonês. Se, no Brasil, os japoneses que focaram nos brasileiros tiveram sucesso, porque não pode acontecer o contrário aqui?”, questiona Kitabatake.

“Os brasileiros são limitados a 300 mil em todo o país, mas, os japoneses, por sua vez, somam mais de 120 milhões de pessoas. Se fizermos um negócio ajustado ao padrão do público japonês, os brasileiros também vão se interessar”, acrescenta Funaki. Dos oito funcionários contratados para a loja em Ogaki, há somente uma brasileira, mas fluente no idioma japonês.

Kitabatake sonha em ter no Japão um quiosque nos moldes brasileiros. “Os shoppings centers não aceitaram, mas ainda tenho o sonho de ter os quiosques”, acrescenta.

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