
Lupi pede
para que proibição do retorno de dekassegui seja revogada |
(Redação
NippoBrasil com Agência Brasil e International Press)
Agora, foi
a vez de um ministro brasileiro fazer severas ponderações.
No dia 27 de abril, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, enviou um documento
oficial, por intermédio da Embaixada do Japão em Brasília,
em forma de protesto ao governo do primeiro-ministro Taro Aso. A iniciativa
ocorreu após as críticas por parte de alguns líderes
nikkeis à proposta de auxílio de ¥ 300 mil (cerca de
R$ 6,9 mil) por pessoa, mais ¥ 200 mil (R$ 4,6 mil) por dependente,
oferecidos pelo governo japonês para que os dekasseguis atingidos
pela crise voltem ao Brasil abrindo mão do visto especial
de trabalho.
O incentivo
financeiro integra um pacote de medidas de apoio aos dekasseguis do governo
Aso. Para quem pretende permanecer naquele país, o Japão
tem planos de incentivo ao aprendizado da língua japonesa, bem
como auxílio à educação das crianças
nas escolas nipônicas. Diante das alternativas, dizem alguns líderes,
cabe a cada brasileiro no arquipélago tomar a decisão, de
forma responsável e consciente.
No documento
enviado à Embaixada, Lupi pede ao Ministério da Saúde,
Trabalho e Bem-Estar do Japão, para que o posicionamento seja revisto
e a decisão de proibir temporariamente os brasileiros que aceitarem
o auxílio de voltarem àquele país seja revogada.
De acordo com ele, a medida é injusta com os brasileiros e não
condiz com a histórica relação entre os dois países.
Acontece uma crise e a primeira coisa que se faz é criar
um mecanismo, dentre muitas outras medidas corretas, que diz que, para
você voltar para seu país, o Japão dá a passagem,
mas você só voltará [ao arquipélago] no dia
que o Japão achar conveniente. Ou seja, nós só servimos
para construir? Para dar nossa mão-de-obra?, afirmou o ministro.
De acordo com
Lupi, a revisão da medida seria a decisão necessária
para que o problema seja superado. O governo japonês, até
o fechamento desta edição, ainda não havia definido
o período em que o dekassegui não poderá voltar ao
país.
Desde 1º
de abril, quando foi lançado, o plano de ajuda financeira já
recebeu solicitações de 300 brasileiros de Shizuoka e Aichi.
Segundo Hidenori Sakanaka, presidente do Instituto de Pesquisas sobre
Políticas Migratórias, os nikkeis vivem no Japão
com autorização assegurada pela lei. A proibição
da reentrada sem passar pelo Parlamento é uma ação
que foge das atribuições do Ministério da Justiça.
Essa medida também fere os princípios de igualdade perante
a lei garantidos pela Constituição, disse ele ao Mainichi
Shimbun.
Na semana passada,
o deputado Jiro Kawasaki, do Partido Liberal Democrata (PLD), que participou
da comissão criadora da ajuda ao retorno, declarou-se contra a
imigração de trabalhadores não qualificados. Devemos
assegurar que os trabalhos mais árduos sejam feitos pelos japoneses.
O Japão não deve se tornar um país multiétnico,
disse ele ao jornal The New York Times.
Pelo programa
do governo Aso, o brasileiro beneficiado pela ajuda só poderá
voltar ao Japão com o visto de turista ou outro de trabalho, que
não seja o especial emitido aos filhos e aos netos de japoneses.
Procurada pelo NB, a Embaixada do Japão em Brasília, que
já havia se surpreendido com as críticas em abril, não
se pronunciou sobre o pedido do ministro Lupi.
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O ministro
Carlos Lupi aprovou também, no dia 27 de abril, uma série
de ações propostas pelo Conselho Nacional de Imigração
para auxiliar os dekasseguis. Entre elas, a regulamentação
das agências que levam os trabalhadores àquele país;
a criação de uma comissão para tratar de questões
relacionadas ao trabalho; e a implantação da Casa do Trabalhador
Brasileiro.
Também
foram acolhidas pelo ministério as propostas de saque, no Japão,
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da realização
de uma parceira com a Caixa Econômica Federal para possibilitar
o uso da linha gratuita de atendimento do banco. Foi acertada ainda a
criação de pontos de atendimento, no Brasil, para auxílio
aos brasileiros que retornam do Japão e buscam a recolocação
profissional.
Em março,
o secretário e coordenador-geral da Network Nacional dos Brasileiros
no Japão, Hidekichi Hashimoto, esteve em Brasília para entregar
um documento com sugestões e reivindicações ao presidente
Lula. O documento foi entregue a Carlos Tibúrcio, assessor especial
da Secretaria Geral da Presidência.
No documento,
a organização não governamental pedia ao governo
que encontre soluções que amenizem o desemprego entre aqueles
que retornam ao País, crie um programa oficial de readaptação
e outro de capacitação profissional, além de uma
linha de crédito especial aos ex-dekasseguis.
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