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Notícias
de cortes de emprego e prejuízos de empresas japonesas têm
sido constantes desde o início da crise. Multinacionais anunciaram
demissões aos milhares. No Brasil, no entanto, algumas dessas empresas
conseguiram manter os postos de trabalho e os investimentos previstos
para os próximos anos.
No setor automotivo,
a Toyota anunciou um programa de demissão voluntária para
os 25 mil funcionários nos Estados Unidos e previsão de
perdas globais de ¥ 350 bilhões (R$ 7 bi) no ano fiscal de
2008. No Japão e na Inglaterra, os cortes acontecem nos empregos
temporários e nos níveis de produção.
No Brasil,
apesar da queda de produção, a maior montadora do mundo
divulgou, em janeiro, recordes de vendas locais em 2008, ultrapassando
as 80 mil unidades e já anuncia alta de 12% no primeiro bimestre
de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado.
No Japão, os números mostram que as vendas caíram
22,5% em janeiro e 32% em fevereiro.
Na fábrica
da Toyota em Indaiatuba, interior de São Paulo, houve corte de
horas extras e férias coletivas mais longas no fim do ano. Mas
não houve demissões, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.
A empresa também
mantém os planos de construção da fábrica
em Sorocaba, a 95 km de São Paulo, com previsão de início
das operações para 2011. A Toyota atribui isso ao
fato de o mercado brasileiro estar sofrendo os efeitos da crise em uma
proporção menor que nos países desenvolvidos,
declara a empresa.
A Honda anunciou,
só em janeiro, cortes de mais de 3 mil empregos temporários
no Japão. A produção global da empresa caiu 33,5%
no primeiro mês de 2009 em relação ao mesmo período
do ano anterior. No Brasil, a queda foi de pouco mais de 20%.
Na planta em
Sumaré, a produção de carros diária de 680
caiu para 470 desde janeiro. Também ocorreram cortes na jornada
de trabalho de três para dois turnos. Mas os funcionários
estão tranquilos em relação à manutenção
do emprego. Não há temor de demissão por enquanto,
disse José Donizete Ferreira, funcionário da fábrica
e dirigente local do Sindicato dos Metalúrgicos.
O gerente comercial
da Honda no Brasil, Alberto Tescumo, confirma que demissões não
estão nos planos da empresa. Assim como as outras, a Honda também
precisou pisar no freio em meio à crise. Mas medidas como a redução
do IPI (Impostos sobre Produtos Industrializados) estão ajudando
as empresas do setor.
No setor de
motocicletas, também houve ajustes, mas os investimentos previstos
para 2009 estão garantidos. Serão investidos de R$
20 milhões a R$ 30 milhões entre modernização
da fábrica e desenvolvimento de produtos, revela Sérgio
Bruno Pagnanelli, gerente de Relações Públicas da
Honda América do Sul.
Segundo o Sindicato
dos Metalúrgicos de Manaus, no Amazonas, onde fica a fábrica
de motos, houve um acordo com a empresa de redução de jornada
de trabalho para evitar demissões. Essas reduções
serão compensadas no futuro, segundo Pagnanelli.
A Nissan, que,
no Brasil, atua em parceria com a Renault na fábrica em São
José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, anunciou
cortes de 20 mil postos pelo mundo. O Brasil não foi atingido pela
medida. A própria Renault suspendeu o contrato de 844 trabalhadores.
Desses, metade deve retornar ao trabalho.
Já a
Nissan está prestes a lançar um novo carro no País
e pretende elevar de 19% para 30% a participação no mercado
brasileiro. Com o início da fabricação do novo veículo
no dia 12 de janeiro, as atividades na planta da montadora deram um salto.
Segundo o vice-presidente
comercial da Nissan no Brasil, Tai Kawasaki, a empresa segue, no País,
a mesma estratégia global: Reduzindo custos e despesas não
essenciais, administrando melhor o fluxo de caixa e monitorando constantemente
o cenário econômico. Mas as expectativas futuras para
os negócios no Brasil são boas. A Nissan vive um momento
promissor. Se analisarmos o tamanho do País e o número de
carros percapita, há ainda uma importante oportunidade de crescimento
no mercado local, declara.
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