|
(Texto e Foto:
Helder Horikawa/NB)
Suzano, Mogi
das Cruzes, Bastos, Marília, Ourinhos, Presidente Prudente e Registro.
Em comum, cidades do interior paulista com forte presença nipo-brasileira.
Por consequência, também são municípios exportadores
de mão-de-obra nikkei para as linhas de montagens de fábricas
do Japão.
Diante da crise
que assolou a economia japonesa, centenas e milhares de suzanenses, mogianos,
bastenses, marilienses, ourinhenses, prudentinos e registrenses voltaram
ou estão de malas prontas para desembarcar em suas respectivas
cidades. Pois, a esses dekasseguis, boas notícias. As prefeituras
dessas localidades desenvolvem ou querem ampliar os serviços prestados
a quem volta do Japão.
Na prática,
o serviço oferecido nessas cidades é um trabalho em conjunto
da prefeitura municipal, do Sebrae e de associações nikkeis
e de classe local. Também não se trata, necessariamente,
de uma novidade. O pontapé inicial foi dado em Ourinhos, em uma
extensão do Programa Dekassegui Empreendedor do Sebrae. A iniciativa
partiu do próprio prefeito, o engenheiro Toshio Misato (PSDB).
Reeleito para
mais quatro anos à frente do Executivo, Misato quer ampliar o atendimento
a quem volta do Japão. O Centro Dekassegui está integrado
à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, com apoio da Associação
Esportiva e Cultural de Ourinhos (Aeco). Lá, além de orientação
e assistência aos possíveis empreendedores, há também
ajuda aos filhos de dekasseguis que ingressam nas escolas. Crianças
com dificuldades na adaptação à rotina escolar recebem
um atendimento diferenciado, oferecido por quatro assistentes de diretores
lotadas na Secretaria de Educação.
O Centro Dekassegui
de Ourinhos está em pleno funcionamento desde 2007. À Aeco,
cabe apontar os caminhos e canais para chegar aos brasileiros que retornaram
do Japão. A qualificação dessas pessoas fica a cargo
do Sebrae. Só em 2008, foram sete cursos com 150 participantes,
70% deles ex-dekasseguis. Mas esperava-se um número muito maior.
Tivemos uma procura baixa. Fizemos uma grande divulgação,
inclusive no Japão. Queremos atender mais pessoas. Estamos com
uma estrutura subutilizada, argumenta o secretário de Desenvolvimento,
Luis Augusto Nogueira Perino.
Com a crise
no Japão, Perino espera que a demanda por serviços do Centro
Dekassegui aumente a partir de março. Precisamos mostrar
que existimos, chega a dizer o secretário. Ele lembra também
que os incentivos fiscais para novos empreendimentos de dekasseguis continuam
de pé nos distritos industriais da cidade.
Suzano
Também
em operação desde 2007, a parceria entre a prefeitura municipal,
o Sebrae e a Associação Cultural Suzanense (Bunkyo de Suzano)
funciona a pleno vapor. É pena que a procura também não
seja das mais altas. Ali, a ponte entre as três instituições
é, curiosamente, um ex-dekassegui. Reinaldo Katsumata, vice-presidente
do Bunkyo, também é assessor na Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, Trabalho, Negócios e Turismo da cidade.
Os cursos de
capacitação aos dekasseguis tiveram início em novembro
de 2007, em uma iniciativa conjunta com o Sebrae. Os cursos profissionalizantes
de curto prazo, que duram entre três e quatro meses, são
oferecidos pela prefeitura. Mecânica, certificada pelo Senai, telemarketing,
panificação e informática são algumas das
aulas ministradas gratuitamente na cidade. A falta de informação
é o maior problema dos dekasseguis que voltam. Mas a procura pelos
nossos cursos está aumentando. Com o início do novo planejamento
de cursos também do Sebrae as ações devem ganhar
mais visibilidade, afirma Katsumata.
A exemplo de
Ourinhos, a educação dos filhos de dekasseguis também
preocupa as autoridades suzanenses. Por isso mesmo, o Bunkyo encaminha
para a Escola Cenibras, mantida pela Associação Cultural
Esportiva e Agrícola de Suzano (Aceas Nikkey), as crianças
com dificuldades na aprendizagem. Lá, elas passam por um período
de adaptação mediante pagamento de um valor.
Registro
Em Registro,
no Vale do Ribeira, a prefeitura municipal ainda não faz parte
do projeto parceiro entre a Associação Cultural Nipo-Brasileira
de Registro (Bunkyo) e o Sebrae. Primeiro, porque o projeto de apoio aos
dekasseguis teve início em outubro de 2008, exatamente no período
eleitoral. Iniciamos nossos trabalhos em uma fase de transição
de governo. Resolvemos, então, aguardar as mudanças para
darmos prosseguimento às discussões sobre a participação
da prefeitura, enaltece Rubens Shimizu, subdiretor do Departamento
Dekassegui Empreendedor no Bunkyo de Registro, sob o comando permanente
do capitão Henri Sassaki.
Shimizu, que
presidiu o Bunkyo até o final de janeiro, diz que a prefeita eleita,
Sandra Kennedy (PT), será procurada em breve. Já se sabe
que ela se mostrou amplamente favorável a ajudar. As discussões
seriam levadas a cabo pelo Departamento de Desenvolvimento Econômico,
que, na gestão do então prefeito Clóvis Mendes Vieira
(PMDB), ficou dois anos nas mãos do ex-vereador Manoel Chikaoka.
Além de Sassaki e Shimizu, o Departamento Dekassegui Empreendedor
no Bunkyo tem cativas uma vaga para um representante do Sebrae e outra
para um membro da Associação Comercial.
O curso de
empreendedorismo em Registro reuniu apenas um ex-dekassegui na turma de
20 participantes em outubro. No último, já eram cinco. Shimizu
espera que a procura também aumente a partir de março. Ele
sonha, inclusive, com uma turma só de brasileiros que voltaram
do Japão.
Uma primeira
reunião, só com ex-dekasseguis, ocorre nesta semana do carnaval.
O tema do encontro, Sensibilização, não poderia ser
mais propício. Precisamos sensibilizar e mostrar ao dekassegui
a importância de participar de cursos de orientação.
Bastos
Conhecida
como a Capital do Ovo, a cidade de Bastos foi palco de seis cursos do
Sebrae em 2008, com noções de empreendedorismo e até
gestão financeira. Por lá, o apoio partiu da prefeitura
municipal, do Sindicato Rural e da Associação Comercial.
O número de participantes, em torno de 25, foi pequeno demais.
É um trabalho de convencimento, de catequização
mesmo. Temos que pegar nas mãos do dekassegui e mostrar como tudo
funciona, argumenta José Luiz Valenciano, analista do Sebrae
em Marília.
A baixa procura,
porém, não desanima o Sebrae, muito menos a prefeita eleita,
Virgínia Fernandes (PSDB). Ela já incumbiu a nova secretária
de Indústria e Comércio, Estelamara Moreira Ferreira, a
pensar em projetos. Ainda estamos nos estruturando fisicamente e
operacionalmente. Mas estamos de portas abertas para receber os dekasseguis
de Bastos, oportunidade em que iremos dar acolhimento caloroso, ouvi-los
e apresentar nosso apoio para o que precisarem, afirma Estelama.
Ainda que nada
esteja formatado, a secretária de Indústria e Comércio
adianta que uma das ideias da prefeita Virgínia é montar
uma escola de negócios e empreendedorismo com orientações
e treinamentos para empresários e futuros empreendedores.
Mogi
das Cruzes
Em Mogi das
Cruzes, o apoio ao dekassegui teve início na gestão do prefeito
Junji Abe (PSDB). Agora, com o companheiro Marco Bertaiolli (DEM), a prefeitura
municipal quer dar prosseguimento os trabalhos destinados aos dekasseguis.
A parceria com o Sebrae e o Bunkyo não só vai continuar,
como será intensificada. Nesse momento, em que muitos brasileiros
estão voltando do Japão, a necessidade é maior. É
hora de pisar no acelerador, avisa o secretário-adjunto da
Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Osvaldo Bolanhos.
De acordo com Bolanhos, os primeiros contatos para a retomada das ações
em Mogi já foram feitos com a coordenadora regional do Sebrae no
Alto Tietê, Ana Maria Coelho. Com o Bunkyo, a conversa também
está bem adiantada. De nossa parte, o prefeito Bertaiolli
tem batido na tecla de que a qualificação do trabalhador
é uma de suas principais bandeiras. Por isso, estamos prontos para
ajudar os dekasseguis, argumenta.
|