Bando:
poucas pessoas têm características de empreendedores
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(Texto e Foto:
Helder Horikawa/NB)
Uma pesquisa
do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae) já apontava, no princípio dos anos 2000, que metade
dos brasileiros no Japão sonhava com um negócio próprio
na volta ao País. Na prática, sobra vontade, mas falta o
espírito empreendedor ao dekassegui. Problema que o
mesmo Sebrae tenta minimizar desde 2005, quando entrou em operação
o Programa Dekassegui Empreendedor, com apoio do Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID), levado a cabo em São Paulo, Paraná,
Mato Grosso do Sul e Pará, Estados de concentração
de nikkeis no Brasil.
O contrato
do Sebrae e do BID com o programa, estabelecido até maio deste
ano, praticamente se encerrou com números que superaram as expectativas.
Por isso mesmo, a renovação é só uma questão
de tempo. Nos bastidores, comenta-se que o novo acordo vigore até
2011. Enquanto isso não acontece, algumas iniciativas são
lançadas regionalmente. Em São Bernardo do Campo, no Grande
ABC, a Associação de Desenvolvimento de Empreendedor (Ademp)
só aguarda a finalização do estatuto para entrar
em funcionamento. Em Maringá, no Paraná, o Instituto Tomodati
só espera bater o martelo com o BID para ampliar o trabalho de
sua rede de empreendedores. O aporte, segundo fontes, seria de R$ 1 milhão.
A Ademp, com
apoio do Sebrae e do Centro das Indústrias de São Paulo
(Ciesp), seção de São Bernardo, está no forno
há um ano. Agora, estima-se que, em menos de três meses,
deve entrar em operação para valer. Oficialmente, o trabalho
começou em janeiro. Segundo Mauro Miaguti, um dos idealizadores,
algo em torno de 170 pessoas do Grande ABC e do Alto Tietê fazem
parte do grupo, 90% deles nikkeis. A maioria, é óbvio, de
empreendedores e empresários. Um grupo de Campinas já se
interessou pelo modelo. Suzano e Mogi das Cruzes podem vir na sequência.
O objetivo
da Ademp é claro: fomentar negócios e oportunidades. Nosso
grupo é formado por empreendedores natos, pessoas altamente qualificadas
e prontas para investir, diz Miaguti. Aliás, parte dos integrantes
da associação passou pelo Empretec, o curso de formação
de empreendedores desenvolvido pela Organização das Nações
Unidas (ONU) e gerenciado, no Brasil, pelo Sebrae.
Passar pelo
Empretec significa, em outras palavras, estar pronto para administrar
um negócio. O problema é que poucos dekasseguis chegam a
esse ponto. E é aí que essas redes de empreendedores têm
seu papel de destaque. De 10% a 20% das pessoas que fazem os cursos
do Sebrae têm características fundamentais de empreendedores
e chegam à Empretec. Outros 80% são esforçados, têm
a vontade, a disciplina e o recurso para dar início a um empreendimento,
mas não têm a liderança e o espírito de um
gestor de negócios. Podemos unir os dois grupos, argumenta
Milton Fumio Bando, coordenador do Programa Dekassegui Empreendedor no
Sebrae/SP.
Nesse primeiro
ano de funcionamento, a Ademp espera criar cerca de 20 negócios.
Não é muito. Mas a associação também
não tem pressa. Vamos fazer um trabalho com calma. É
preciso uma análise criteriosa do mercado e de suas oportunidades,
explica Miaguti. De acordo com ele, uma reunião do Conselho Deliberativo,
programada para os próximos dias, tão logo o estatuto seja
oficialmente formulado, definirá as primeiras ações
do grupo em 2009.
Também
na espera está o Instituto Tomodati, criado em Maringá no
ano de 2006. O presidente da entidade, Cláudio Isamu Suzuki, espera
o BID fechar um acordo de R$ 1 milhão, a fundo perdido, para ampliar
a Rede de Cooperação Empresarial que colocou em prática
há dois anos.
Procurado pelo
NB, o escritório do BID, em Brasília, confirma que o contrato
está em estudo e o aporte pode mesmo chegar ao valor mencionado.
Mas não dá, segundo a assessoria de imprensa, para adiantar
mais detalhes do convênio, nem mesmo seu prazo de duração.
Com o aporte
financeiro do BID, o Instituto Tomodati espera ampliar o número
de empreendedores e de negócios gerados por meio de encontros e
reuniões realizadas mensalmente, com apoio da Associação
Comercial e Industrial de Maringá (Acim). O modelo já foi
apresentado e pode ser implantado em Curitiba, Cascavel e Paranavaí.
Hoje, o Tomodati,
que, na tradução para o português, significa amigo,
reúne cerca de 180 empresários, a maioria com passagens
pelo Japão e residentes em municípios próximos a
Maringá, como Marialva, Nova Esperança, Itambé, Paisandu
e Sarandi. Mas, há três anos, eram apenas 25.
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