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Especial - 01/06/2010
 
Para ver e saborear
O tomate sweet grape chega à mesa trazendo como novidades a cor amarela e o sabor mais adocicado
 

O nome sweet grape (uva doce) é uma referência ao sabor adocicado do tomate e ao formato dos cachos, semelhante ao da fruta

Adilson Dim Nakahara, de Cocuera,
bairro de Mogi das Cruzes (SP)

(Reportagem e Foto: Karin Kimura)

Tem gosto adocicado e um pouco aguado porque é menos ácido do que o tomatinho vermelho, cada fruto pesa apenas 25 gramas, tem pele mais fina e a cor é amarela. Esse é o tomate sweet grape, variedade bastante conhecida no Japão e que agora o produtor Adilson Dim Nakahara, de Cocuera, bairro de Mogi das Cruzes (SP), está inserindo no mercado brasileiro.

Os primeiros testes do agricultor foram feitos com sementes trazidas do Japão por uma amiga, mas que hoje podem ser encontradas também no Brasil. A produção dessa variedade vem ganhando espaço na agricultura do Alto Tietê.

Nakahara, que continua os negócios da família, tradicional produtora de caqui e nêspera, já trabalhou como operário no Japão. Mas desde que deixou a vida de dekassegui, voltou ao agronegócio decidido a investir em novas fontes de renda, já que o mercado das outras frutas não estava tão rentável. Por isso, somou à produção a ameixa rubi-mel e as orquídeas. “Quando retornei ao Brasil, minha cabeça estava a mil por hora pensando no que fazer. Depois comecei a repensar e passei a me dedicar à agricultura. O que dava certo, ia ampliando o cultivo. Por exemplo, comecei com 300 pés de ameixa e hoje tenho 2.000; as orquídeas, começamos com 300 metros quadrados e hoje temos 4.000 metros quadrados de produção”, conta o brasileiro.

Como as frutas têm época certa para colheita, há dois anos o agricultor decidiu investir também nas estufas com pés de tomate sweet grape que produzem frutos o ano todo. Foi aprendendo as técnicas com outros produtores da região e melhorando o manuseio com a experiência. Na época, o tomatinho ainda não era muito conhecido e hoje tem vendas de cerca de 500 quilos por semana. A produtividade do tipo amarelo em relação ao vermelho é quase a mesma porque, apesar de dar menos frutos por pé, eles crescem um pouco mais. Mas o tomatinho é um pouco mais frágil, pois a pele amarela é mais fina, o que faz que tenha uma durabilidade um pouco menor.

“Tudo que é novidade exige um investimento maior e dá um receio, mas temos de batalhar. Se você espera os outros fazerem, depois fica para trás. Então, você tem de dar um passo à frente; é um risco”, diz Nakahara, que desde o ano passado mantém 5% da sua produção com a variedade da cor amarela.

Ele conta que os consumidores ainda estão se acostumando com o novo fruto e que as pessoas ficam receosas quando veem o tomate amarelo por estarem acostumadas ao vermelho. Para apresentar a novidade no mercado, Adilson coloca um tomatinho amarelo (de brinde) nas embalagens do tomate vermelho para despertar a atenção das pessoas. Sua marca é a Sabor 1.000, comercializada em dois supermercados da região.

O tomate amarelo também existe em tamanho maior e contém teor mais alto de vitamina A do que o tradicional. Mas o tomate vermelho, por outro lado, tem uma substância chamada licopeno, um antioxidante que contribui para a prevenção do câncer, só encontrado nas frutas com essa coloração. Enquanto não aparecem novas receitas, o fruto amarelo é uma boa alternativa para colorir as saladas, para fazer sopas ou como petiscos servidos in natura e sem temperos.

 
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