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Especial - 18/05/2010
 
Japonês cria pirarucu em cativeiro
Apesar do enorme tamanho (pode atingir três metros de comprimento) e do peso (chega a 200 kg) espécie típica da amazônica se adapta bem aos tanques
 

Segundo o criador, vantagem do pirarucu é que a espécie cresce muito rápio. Já a desvantagem é o alto preço dos alevinos

(Nosuke Fuse/Especial para o NippoBrasil | Foto: Dnocs/Divulgação)

Tatsuro Kounoike estudou Piscicultura no Japão e veio ao Brasil em 1981 para trabalhar numa empresa de criação de suppon (tipo de tartaruga de água doce). Também trabalhou com criação de camarões no Rio Grande do Norte, Goiás e Santa Catarina por cerca de 15 anos. Mas não foram nos crustáceos que fixou sua principal atividade. Ele é um dos pioneiros na criação em cativeiro do pirarucu, um peixe típico da Amazônia, considerado o maior peixe de água doce do mundo, que pode chegar a três metros de comprimento e pesar cerca de 200 quilos.

Kounoike começou a criação em 1997 e hoje mantém uma fazenda só com a espécie em Atibaia (SP). Naquela época, soube da atividade por meio de um amigo. “Ele dizia que mantinha dois peixes de 50 quilos em um lago de pouco mais de seis metros quadrados, sem fornecimento especial de oxigênio. Não pude acreditar”, lembra Kounoike.

A descrença levou-o a pesquisar mais sobre o peixe, e descobriu que a espécie era mesmo especial. “É isto, pensei”. Também começou a estudar a maneira de criar a espécie em cativeiro. Segundo o criador, a vantagem do pirarucu é que ele cresce muito rápido. Em apenas um ano, passa de alevino a peixe de dez quilos, chegando a 15 quilos em alguns casos.

Outro fator favorável é a possibilidade de adensamento dos criadouros. Em geral, a relação é de um a três quilos de peixe para uma tonelada de água, mas no caso do pirarucu pode ser de até 20 quilos de peixe para uma tonelada de água. É uma espécie que suporta bem o estresse da superpopulação, sem que seu crescimento seja afetado. Como o pirarucu vez ou outra vem à tona para fazer respiração pulmonar, não necessita de fornecimento suplementar de oxigênio mesmo quando há muitos peixes no criadouro.

O pirarucu também é uma espécie de vida longa. Há registro de um peixe que viveu 30 anos em cativeiro após ser capturado em Manaus.

Mas também há problemas. A obtenção de alevinos é difícil. Como ainda não há técnica de reprodução em tanques, os alevinos para criação são reproduzidos em ambiente natural. Como o pirarucu é exportado para a Europa como peixe ornamental, o preço dos alevinos é alto, o que acaba elevando o custo do peixe adulto.

Sashimi, grelhado ou assado


Tatsuro Kounoike: espécie pode ser consumida como sashimi, grelhada ou assada

“Os povos da Amazônia falam que a carne do pirarucu é o melhor dos alimentos. É branca, sem cheiro forte, que se adapta a qualquer receita. Dá para comer como sashimi. Como tem um sabor levemente adocicado e consistência peculiar, é bom para fazer usuzukuri (sashimi em fatias bem finas). Seu sabor não se altera mesmo depois de congelado”, garante o criador. Segundo ele, também pode ser preparado frito (temperado com sal ou com shoyu e gengibre), grelhado ou assado. A pele e carcaça podem ser usados para preparar sopa, que faz muito sucesso.

No momento, Kounoike fornece o peixe para restaurantes de alto nível como franceses e especializados em peixes. Ele tem trabalhado também para a popularização da criação do pirarucu, já que há pessoas interessadas em começar este negócio.

“Como o pirarucu é muito delicado até atingir os 3 meses, repasso os peixes após completarem essa idade. Depois desta fase, a criação fica fácil”, garante ele. Futuramente, ele pretende criar esturjões para fazer caviar. “Como não existe este tipo de peixe no Hemisfério Sul, seria o primeiro caso. Sonho muito em fazer isso”, diz Kounoike.

 
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