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Caderno Turismo

A ilha santuário
Itsukushima (Miyajima) é um dos mais lindos pontos
do Japão também é um dos mais inspiradores

Construções típicas japonesas e o detalhe do torii ao fundo: belo cartão-postal

(Texto e Fotos: Lucas Ogasawara)

Só quando coloquei meus pés na ilha comecei a entender porque Itsukushima foi escolhida para ser o local de um dos mais belos e famosos santuários do mundo. Situada no Mar Interior (Seto Naikai), a oeste de Honshu, na província de Hiroshima, a ilha foi abraçada pelo budismo e pelo xintoísmo desde tempos remotos. Considera-se que os diversos santuários e templos existentes hoje datam dentre os séculos VI e VIII. No entanto, a ilha já é fantástica por ela mesma. Cervos andam soltos, pequenas lojas e restaurantes tradicionais contornam a costa, o Monte Misen constantemente marca sua beleza e poder e talvez a sensação mais agravável que já senti em uma viagem: mesmo com inúmeros turistas, o ar não pesa, não cansa, deixa o turista pensar sobre si e sobre Miyajima.


Paisagem marcada pelos torii, um dos símbolos de maior identidade da arquitetura oriental

Um dos locais mais bonitos do Japão, Itsukushima também é patrimônio tombado pela Unesco

Na costa da ilha, está o Santuário de Itsukushima, considerado um dos mais belos lugares do Japão e Patrimônio Mundial pela Unesco. Andando pela costa, é quase impossível não tirar os olhos do santuário, com seu grande torii flutuante. Itsukushima-jinja possui uma estrutura que restringe a entrada de pessoas e utiliza um sistema de portões, torii, indicando lugares de passagem para o lugar sagrado, o santuário. Reconstruído pela última vez em 1875, o vermelho e poderoso torii flutuante tem esse mesmo papel com relação a ilha. É o ato protetor de toda aquela harmonia.

Outro ponto obrigatório é o trajeto até o topo do Monte Misen. Do calmo templo budista Daisho-in até a maravilhosa paisagem final, passando pelas pequenas pontes, mapas antigos talhados na madeira e com sorte alguns macacos, é certamente um passeio maravilhoso. Ainda é possível visitar outros lugares como o enorme hall de madeira de Senjokaku, A Casa do Tesouro e o Museu Municipal de História e Folclore. No entanto, mesmo com tantos atrativos, ainda aconselho gastar um pouco de tempo contemplando o lugar em si. Ande pelas pequenas ruas, almoce um delicioso prato feito com ostras e experimente momiji manju em meio às várias lojas de souvenirs.

Bom, para chegar à ilha de Itsukushima, há dois modos: o primeiro, mais fácil, rápido e mais caro, é utilizando embarcações que vão direto do “Hiroshima Peace Park” ou do Porto de Hiroshima. Os valores variam de ¥ 1,4 mil a ¥ 1,9 mil a diária e levam de 30 a 50 minutos. O outro modo, mais utilizado por estudantes e aventureiros, é usar o sistema de bondes e o ferryboat. Para isso, basta adquirir o “One Day Card” em um dos postos de informações para turistas em Hiroshima Station. Com esse cartão, você pode utilizar o sistema de bonde elétrico da cidade por um dia, além de poder utilizar o sistema de ferryboat para Miyajima. O preço é a metade do modo anterior, ¥ 840. De Hiroshima Station, pegue o bonde que vá para Miyajimaguchi Station. Lá, bem pertinho da estação, você vai encontrar o ferry. Daí em diante, é só apreciar a paisagem. Um detalhe legal: quando voltar de Miyajima, você ainda pode usar o “One Day Card” para passear em Hiroshima no final do dia.

Sobre os horários, como quase todos os pontos turísticos no Japão, a abertura dos diversos lugares em Miyajima é por volta das 9 ou 10 horas da manhã, e o fechamento em torno das 16 ou 17 horas. Porém, para Miyajima, o mais importante é, chegando lá, conferir os horários de volta do ferryboat para não ter problemas mais tarde.

(*Especial para o Zashi/ Variedades)

 
Dicas de “sobrevivência”

Se não tiver muito dinheiro, leve seu almoço. Os restaurantes por lá podem passar um pouquinho do orçamento; tome conta dos seus pertences para que eles não sejam comidos pelos cervos; leve uma toalha pequena, pois, com certeza, se a maré não tiver alta, você vai querer colocar o pé na água. Se tiver a oportunidade de conversar com alguém da ilha, não desperdice a chance. E o mais importante e indispensável: quando estiver lá, não se esqueça de esquecer da vida de turista. Relaxe, largue a câmera por uns momentos, procure um dos milhares de bancos que ficam vazios pela orla e sinta aquela esplêndida paisagem. Procure os detalhes e não tente capturar o lugar, mas sim o oposto, fazer parte dele. São essas pequenas coisas que diferenciam viagens de viagens.

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