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Arquivo NippoBrasil - Edição 127 - 24 a 30 de outubro de 2001
 
Ecoturismo: Uma visão diferente de Santa Catarina

Equipe do Projeto Baleia-Franca: 20 anos de dedicação
 

(Texto e fotos: Nicolau Kietzmann / Divulgação FreeWay Adventures)


Projeto Baleia-Franca

Avistagem pode ser feita em barcos especiais: passeio dura 3 horas

Baleia-Francas-Austrais
Este pequeno Estado brasileiro, com pouco mais de 6 milhões de habitantes que se reúnem em seus singelos 95 mil quilômetros quadrados, foi formado por agricultores italianos e industriais alemães que influenciam até hoje os hábitos locais.

Com uma agricultura forte, baseada em minifúndios rurais, divide espaço com um parque industrial atuante, o quarto maior do país. Hoje, é líder nacional na produção especializada, como, por exemplo, do alho, do mel, da maçã e do frango.

Uma grande fonte de renda de Santa Catarina é a recepção de turistas estrangeiros, representando o terceiro pólo nacional neste setor, perdendo apenas para as duas maiores metrópoles brasileiras, São Paulo e Rio de Janeiro.

Os habitantes de Santa Catarina têm uma grande preocupação ecológica.

O estado possui 14 áreas federais e 5 estaduais de proteção ambiental, além de dezenas de parques ecológicos municipais.

Umas das grandes atrações para quem visita o litoral sul entre agosto e novembro é a avistagem das Baleias-francas-austrais que vêm aos mares brasileiros para ter os seus filhotes.

Elas partem da Antártida em busca de alimento e águas mais quentes e chegam à Praia do Rosa, em Imbituba, a 80 km de Florianópolis. Seu principal alimento é o Krill, um pequeno camarão que se mistura ao plâncton marinho. As baleias chegam a medir 18 m e a pesar 60 toneladas quando adultas.

A avistagem pode ser feita por mar em barcos especiais. O passeio leva aproximadamente 3 horas. As baleias ficam logo após a arrebentação, podendo ser avistadas da praia a uma distância de 30 metros.

Todos os passeios são acompanhados por biólogos que contam um pouco sobre a preservação e a história desses mamíferos. Uma das curiosidades são as rugas branco-amareladas que acompanham as baleias desde a nascença e funcionam como marcas digitais, facilitando o reconhecimento pelos ambientalistas.

Outra curiosidade é o esguicho em V, que chega a alcançar 6 metros de altura. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, ele não é formado de água e, sim, de ar quente que se condensa ao encontrar a temperatura ambiente mais fria.

No século 17, as baleias eram uma das principais fontes de renda na faixa litorânea de Santa Catarina. Na época, elas eram alvo das armações, estações baleeiras que praticavam a caça predatória.

Elas eram muito caçadas por serem lentas, deixando os barcos arpoadores se aproximar facilmente. Da sua gordura era extraído um óleo muito usado para iluminação pública e como ligante na argamassa para construção.

Em 1935, a Convenção Internacional para a Regulamentação da Caça à Baleia proibiu em muitos países a caça desse animal, mas no Brasil ela só veio a ser respeitada em1973, quando em Imbituba, Santa Catarina, foi abatida a última baleia.

O Projeto Baleia-Franca, que acaba de completar 20 anos, desenvolve um trabalho de monitoração, pesquisa e educação ambiental. Ele é o agente propulsor do turismo de avistagem na região, o que garante a preservação das espécies.

 

Dicas de Ecoturismo

A avistagem das baleias ou whale-whatching é uma forma de turismo sustentável porque: preserva a espécie, garantindo o repovoamento dos mares; é feita em pequenos grupos, não impactando o ecossistema; se utiliza de mão-de-obra local, forçando a reciclagem e a capacitação de profissionais.

A aproximação das baleias tem de ser feita de acordo com regulamentações internacionais. Existem limites que têm de ser respeitados.

O ecoturismo pressupõe conscientização ambiental. Para isso, deve ser praticado com o acompanhamento de guias especializados. A não ser que se esteja em áreas protegidas que já ofereçam sistemas de autoguiagem. No caso da avistagem das baleias, o Projeto Baleia Franca se incumbe de treinar os guias.

Pesquisas têm demonstrado que o impacto maior em áreas protegidas tem sido causado por pessoas que vão com carro próprio, comparativamente a pessoas que viajam em grupos de ecoturismo. Isso se deve ao fato de que muitas pessoas que vão de carro dispensam os guias, os quais estão lá justamente para garantir a preservação do ecossistema. Existem parques onde nenhuma pessoa entra a não ser que esteja acompanhada de um guia ecológico da localidade. É o caso da Chapada dos Veadeiros. Isso garante trabalho aos moradores da região, transforma a comunidade em defensora da natureza e mantém o parque limpo e preservado.

Antes de ir para um parque nacional ou uma área protegida, procure ler bastante sobre o local.

 
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