Às
margens do rio Iguape, o torii “convida” os turistas a uma introspecção
espiritual
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(Fotos:
Divulgação)
A
região do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, tem
características únicas, não encontradas em nenhum
outro lugar do Brasil, muito em parte devido à grande influência
da imigração japonesa na região. Muitas empresas
de turismo perceberam isso é já se programam para explorar
esse potencial. Um dos principais expoentes dessa nova tendência
turística que se descortina na região é o município
de Registro.
História
A
cerca de 190 km da capital do estado, Registro tem cerca de 57 mil habitantes,
e é conhecida como a “capital do Vale do Ribeira” ou como a “capital do
chá”. A cultura do chá (Camellia sinensis) é um dos pilares econômicos
da região, juntamente com o plantio da banana.
Registro
nasceu como um pequeno povoado à beira do rio Ribeira de Iguape,
e pertencia ao município de Iguape, destinado à exploração
de ouro nos rios da região. Como todo o ouro e mercadorias da região
eram vistoriadas e registradas por um agente da Coroa Portuguesa, o local
ficou conhecido como Porto de Registro.
Registro
pode ser considerada uma das cidades mais “japonesas” do Brasil
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Com
a descoberta de ouro em Minas Gerais, o garimpo na região decaiu.
Ainda como povoado de Iguape, a região começou a crescer
com a chegada dos primeiros imigrantes japoneses, em 1913. Na época,
muitas terras do estado foram doadas pelo governo paulista aos japoneses,
que se dedicaram ao cultivo do arroz.
Em
1934, Registro elevou-se à condição de distrito de
Iguape. Dez anos depois, Registro emancipou-se e tornou-se município,
abrangendo terras desmembradas de Iguape, Eldorado e Miracatu.
No
Campo
Algumas
fazendas de chá recebem visitantes – a maior delas é a Fazenda e Fábrica
Chá Ribeira, a sete quilômetros do centro da cidade. Nela, o turista pode
verificar todo o processo de plantio e beneficiamento da planta, que depois
de pronta, é destinada em boa parte para o exterior – EUA, Reino Unido,
Alemanha e Holanda são seus principais destinos.
Para
os amantes da pesca, o rio Ribeira de Iguape oferece toda a estrutura
necessária para a pesca esportiva, com o aluguel de barcos, passeios,
e uma marina com lanchonete. Se você prefere um passeio bucólico
no lombo de um cavalo, a pedida é a Pousada dos Equinos, na fazenda
Boa Vista, a seis quilômetros da cidade. No local, o turista pode
alugar um cavalo, e se deliciar nas trilhas do local, que também
dispõe de um pesque-e-pague.
Influência
Japonesa

O KKKK
já foi usado como armazém para a produção
agrícola dos primeiros imigrantes da região |
A
influência da cultura japonesa pode ser observada em vários
lugares da cidade, que segundo o último censo, possui cerca de
33% de japoneses e descendentes. O Casarão do Porto chama a atenção
por sua imponência. Também conhecido como KKKK, foi construído
entre 1913 e 1918 pela Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha, empresa que realizou
a colonização japonesa no Vale do Ribeira. Lá funcionava
a sede da empresa e o depósito dos produtos agrícolas da
colônia. Em 1987, o prédio do KKKK foi tombado; em 2001 foi
reformado e passou a funcionar como o Museu Histórico da Colônia
Japonesa.
A
Praça Nakatsugawa, no centro, tem estilo japonês e foi construída
em homenagem à cidadeirmã de Registro no Japão, Nakatsugawa,
na província de Gifu. A 2 km do centro está o templo budista
que, com sua arquitetura típica, convida o turista a uma introspecção
espiritual.

A Festa
do Sushi é uma das principais comemorações de
Registro. |
O
Bunkyo de Registro é recente – foi inaugurado em 1993 – mas muito ativo.
Juntamente com a prefeitura municipal, organiza diversos eventos – Tooro
Nagashi, Bon Odori, palestras, Festa do Moti, bazar beneficente, undokai,
engeikai e Festa do Sushi, um dos principais eventos da cidade, que neste
ano ocorre nos dias 16 e 17 de junho.
Opções,
como pode se ver, não faltam. Programe-se e desfrute uma das cidades
mais “japonesas” do Brasil.
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