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(Fotos:
Divulgação)
Ilha
de Boipeba está inserida no Arquipélago de Tinharé,
que compõe o município de Cairu, situado no baixo sul da
Bahia. Cercada de um lado pelo oceano e de outro pelo estuário
do Rio do Inferno, a ilha destaca-se por uma rara beleza natural e grande
diversidade dos seus ecossistemas. A ilha apresenta remanescentes da Mata
Atlântica, extensas áreas de manguezais e praias de grande
valor paisagístico. O ritmo da vida é calmo e tudo lembra
o primitivismo de uma comunidade que há pouco mais de dez anos
vivia isolada, sem acesso até mesmo à energia elétrica.
Por todas essas razões, Boipeba é bem preservada das ações
antrópicas. Lá, tudo é paradisíaco: os barcos
coloridos dos pescadores, a barra do Rio do Inferno com praias nos dois
lados, a própria praia de Tassimirim, cercada por palmeiras.
No
outeiro da caixa dágua, a paisagem é maravilhosa:
ao norte a vila de Velha Boipeba e o Rio do Inferno, que separa as Ilhas
de Tinharé e Boipeba. A leste, o mar infinito, e ao sul, a maior
parte da ilha, com suas reservas de mata, baixadas, pequenos morros e
muitas palmeiras de Dendê.
Nas
minúsculas vilas de Monte Alegre e Morerê, a estradinha de
areia, pequenos morros, mata baixa e dendezeiros. O Dendê era, além
da pesca, a maior riqueza da ilha e ainda é comercializado em menor
escala, apesar do preço baixo desse óleo tipicamente baiano.
Para
chegar à Baía de Morerê, são cerca de duas
horas. A localidade é um paraíso de águas cristalinas,
uma bela praia, com restos de recifes de uma época em que o mar
ainda estava mais alto. A água de coco é deliciosa e o banho
de mar é imperdível.
O
caminho de volta passa por várias praias quase virgens. Segue-se
pela praia de Morerê até chegar à praia Coeira por
meio de um desvio pelo interior. No caminho, atravessa-se um riacho repleto
de ostras, o que exige cuidado para que o turista não machuque
os pés. A praia Coeira é ainda mais bonita, dois quilômetros
de areia acompanhados de um imenso coqueiral.
A
praia de Bainema é uma das mais isoladas da região. Ao seu
fundo, encontra-se a curiosa Mata da Bainema, um grande pedaço
de Mata Atlântica, com árvores centenárias de mais
de 30 metros de altura e enormes Gameleiras, os verdadeiros mata-paus.
Nesse pedaço de natureza virgem, pode-se ter certeza de não
encontrar ninguém. Outro passeio imperdível é pela
barra do Rio do Catu, onde há uma embarcação espanhola
afundada.
Velha
Boipeba
Trata-se de
uma vila simples e simpática de cerca 1600 pessoas, fundada pelos
jesuítas por volta de 1563. A praça central é, na
verdade, um gramado com campo de futebol e uma árvore (jamelão)
de sombra em cada lado. Vale a pena visitar a rua que dá acesso
à antiga Igreja do Divino Espírito Santo, construída
pelos jesuítas em 1610. Uma dica é seguir o caminho subindo
o morro Alto das Pombas ao lado da vila.
De volta à
vila, não se pode deixar de visitar a casa de farinha, onde a família
Regis ainda faz farinha de mandioca pelo método tradicional. Pouco
adiante, podemos visitar uma outra casa tradicional, o Roldão do
Dendê, onde é feito o óleo do Dendê. A produção
de óleo de dendê tem muita tradição na ilha,
mas caiu em decadência nos últimos anos, por causa do baixo
valor. Sobraram ainda alguns poucos que tentam tirar o sustento desta
profissão.
O nome estranho
logo faz sentido, quando a principal peça fica visível.
Uma construção de pedra parecida com uma enorme roda, deitada
e com uma canaleta. Essa canaleta serve de guia para uma outra roda de
pedra, movimentada por um animal. Neste roldão, o dendê é
amassado pelo peso da pedra e, depois, o bagaço jogado numa banheira
de pedra, onde o óleo é lavado, flutuando em cima da água.
Tudo muito rústico e eficiente. Clóvis, o dono da casa,
ainda faz muito óleo de dendê para vender nos mercados de
Boipeba.
No passeio
de canoa pelo manguezal, parte-se da praia de Boipeba numa canoa de tronco
de madeira, dessas usadas pelos pescadores locais. A canoa desliza levemente
por um dos braços do Rio do Inferno em direção ao
oeste. Essa região é recortada por vários canais
do rio e algumas das ilhas têm furos, que permitem atravessar para
o outro lado durante a maré cheia. A vegetação é
de mangue branco e vermelho de baixa altura. Nas passagens pela ilhas,
a canoa desliza por verdadeiros túneis, formada pela vegetação
que se fecha inteiramente por cima do caminho estreito. O canoeiro precisa
usar de toda a sua experiência para conduzir a canoa sem encalhar
nas inúmeras raízes do mangue. Observam-se os milhares de
siris e crustáceos que vivem nos galhos no período de cheia.
Quando a canoa fica parada, pode-se ouvir os ruídos desses bichinhos
andando pela madeira dura.
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