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É
cada vez mais comum mulheres optarem por engravidar após os 35
anos. Embora a gravidez tardia reflita uma mudança cultural, tecnológica
e social, as mulheres devem atentar-se ao fato de que essa é ainda
considerada uma gestação de risco, tanto para o bebê
quanto para a mamãe. O pré-natal torna-se, então,
a ferramenta fundamental para o sucesso dessa nova empreitada.
Na opinião
da ginecologista e obstetra Tânia Regina Schupp, as mulheres estão
engravidando mais tarde devido a mudanças dos padrões familiares
que est?o ocorrendo no Brasil e no mundo. Nas últimas décadas
foram registradas importantes mudanças socioculturais que influenciaram
as características da natalidade, com diminuição
progressiva de seus índices globais e o adiamento da gravidez planejada.
A incorporação da mulher no mercado de trabalho, a importância
de seu desenvolvimento intelectual, os avanços técnicos
da reprodução humana são fatores que, atualmente,
influenciam a tomada de decisão acerca do momento mais oportuno
para a mulher vivenciar a maternidade.
Riscos
De acordo
com a especialista, a gestação em mulheres a partir dos
35 anos é arriscada devido a uma série de complicações
que podem ocorrer tanto com a mãe, quanto com o filho. Nesse
período a mulher pode ter ganho de peso, obesidade, diabetes, hipertensão
arterial crônica, miomas, entre outras doenças. Pode haver
também complicações obstétricas como trabalho
de parto prematuro ou prolongado, hemorragia, gestação múltipla,
entre outros problemas. É muito importante policiar o aumento do
peso corporal para que não apareça a diabetes gestacional.
Alimentação
A alimentação
da gestante a partir dos 35 anos não é diferente das gestantes
mais jovens. Toda mulher que está grávida deve ter
uma alimentação balanceada, evitando longas horas de jejum.
O correto é se alimentar de três em três horas, com
uma dieta que tenha de 2 mil a 2,5 mil calorias.
Exercícios
A atividade
física também deve ser estimulada durante a gestação
após os 35 anos. Se a paciente já fazia alguma atividade
física, pode continuar mesmo se for intensa, como por exemplo,
musculação, spining, atletismo, entre outras. Agora, se
a gestante não se exercitava antes, é recomendado que ela
inicie uma atividade mais leve, como a hidroginástica por exemplo,
muito recomendada por não sobrecarregar as articulações.
Má-formação
Segundo Tânia,
mulheres mais velhas tem maiores chances de gerarem filhos com má-formação
e principalmente, com alterações genéticas. Isto
ocorre porque as mulheres nascem com todos os óvulos que vão
ter na vida adulta, isto é, o óvulo fecundado de uma mulher
grávida com 20 anos tem 20 anos e de uma mulher com 40 anos tem
40 anos. Portanto, quanto mais velho o óvulo, mais chances ele
tem de sofrer uma mutação com o passar dos anos.
Importância
do pré-natal
A doutora
afirma que uma assistência pré-natal adequada pode previnir
doenças na gestante e diminuir os riscos de óbito do bebê.
Em minha pesquisa para a tese de doutorado, 281 pacientes que engravidaram
com 40 anos ou mais foram acompanhadas por mim em todas as consultas.
Neste grupo, foi observado diabete gestacional em 19,8% das gestantes,
hipertensão em 14,6%, 6% de abortamentos e 1,4% de óbito
fetal. Portanto, a assistência pré-natal específica
possibilita a detecção das complicações maternas
e a instituição precoce do tratamento. (*Colaboração:
Eliane Ogata/NB)
Serviço
Tânia Regina Schupp (Ginecologista e Obstetra) - Tel.: (11) 3287-1570
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